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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Quem guarda tem...

Hoje, numa das minhas arrumações periódicas, encontrei um recorte de jornal com um pequeno artigo do nosso amigo Daniel de Sá. Não me lembro do nome do jornal, mas penso ter sido publicado em 2004 ou 2005.
Aqui está um exemplo da possibilidade de em poucas palavras dizer muito.

Justiça Cega

O rapazinho chorava. O agente da PSP que estava de serviço àquela escola de Rabo de Peixe perguntou-lhe a razão do choro, e ele respondeu: "Minha mãe não teve dinheiro para comprar velas".

Uns anos antes, o pai fora acusado de maus tratos à mulher e aos filhos. Entretanto, deixara de beber e arranjara emprego. Mas foi então que, numa certa noite, alguns polícias foram buscá-lo a casa para cumprir a pena de prisão finalmente decidida pelo tribunal. Quando ele já não representava nenhum perigo para a sociedade nem para a família, e se tornara indispensável para garantir o sustento desta.

A mãe não tivera dinheiro para pagar a conta da electricidade, que lhe foi cortada. Nem o teve para comprar velas à luz das quais o filho pudesse fazer os trabalhos de casa. E ele estava com medo de que a professora se zangasse.

A justiça é cega. Mas, às vezes, seria melhor que abrisse os olhos.

Daniel de Sá

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Ai! Tanta SAUDADINHA...

Saudadinha (Canção das Ilhas)
Ó tirana saudade
Ó tirana saudade
Ó tirana saudade
Saudade, ó minha saudadinha
*
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
Foste nada no Faial
No Faial, baptizada na Achadinha
*
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade onde tu fores
Saudade, leva-me podendo o céu
*
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Que eu quero ir acabar
Acabar, onde tu fores morrer
*
in Canções do Mar e da Vida
Autor: Luiz Goes
Outros responsáveis: Leonel Neves;
João Bagão; Afonso de Sousa;
António Toscano; Edmundo Bettencourt;
Armando Goes; Aires Máximo de Aguillar;
Fernando Neto; João Gomes;
Fernando Neves

domingo, 11 de janeiro de 2009

Junto ao mar...

Oceano Nox

Junto do mar, que erguia gravemente

A trágica voz rouca, enquanto o vento

Passava como o vôo do pensamento

Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

*

Junto do mar sentei-me tristemente,

Olhando o céu pesado e nevoento,

E interroguei, cismando, esse lamento

Que saía das coisas, vagamente...

*

Que inquieto desejo vos tortura,

Seres elementares, força obscura?

Em volta de que ideia gravitais?

*

Mas na imensa extensão, onde se esconde

O Inconsciente imortal, só me responde

Um bramido, um queixume, e nada mais...

Antero de Quental, Sonetos

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Igreja Matriz de Vila Franca do Campo

Dedicada a São Miguel Arcanjo, é o mais antigo de todos os edifícios, conservados até aos nossos dias, dos Açores.
É referida no testamento do Infante D. Henrique, datado de 13 de Outubro de 1460.
Ficou em parte soterrada, aquando do terramoto de 1522. Mas, como nos conta Gaspar Frutuoso, logo os povos a levantaram, aproveitando os materiais e contando com o auxílio do rei D. João III.
Em 1585, a Ordem de Cristo autoriza o douramento da capela-mor e, em1589, o Cardeal D. Henrique permite o lançamento de uma finta(*) para o lajeamento da igreja e do adro.
No séc. XVII, a igreja tinha um realejo, que foi, mais tarde, substituído por um órgão.
Foi aumentada em altura, no séc. XVIII (1747), por ordem do Bispo D. Frei Valério do Sacramento, que mandou também reparar a torre, para além doutras transformações.
No séc. XIX, chamavam à torre monumento fúnebre, por ser toda de basalto negro e, por isso, como noticia o Açoriano Oriental, em 1865 reclamam para ela uma caiação.
Com todas as obras que sofreu, ao longo dos tempos, foi muito descaracterizada. Por isso, em 1948, foi alvo de uma profunda intervenção. Foi, então, retirado o reboco da frontaria e tapadas duas grandes janelas, abertas no séc. XVIII.

A porta axial é em forma de arco conopial terminado por um cogulho de cariz vegetalista e tem quatro colunelos por lado, que se continuam nas arquivoltas. Os capitéis são se anel com folhagem e os ábacos muito desenvolvidos. As bases são complexas, de tipo arquitectural flamejante.

________________

(*) Tributo municipal extraordinário, em que era imposta uma quantia a cada contribuinte, de acordo com a sua fortuna e a soma necessária para uma determinada despesa. As fintas eram lançadas, principalmente, para obter fundos destinados a obras dentro do próprio concelho.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Eu queria...

Casinha Branca
********************
Eu tenho andado tão sozinha ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tantos sonhos perecer
***
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal, uma janela
Para ver o sol nascer
***
Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão
Mas me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seus mistérios
Seu sofrer, sua ilusão
***
Eu queria ter na vida...
Composição: Gilson/Joran
Interpretação: Maria Bethânia

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Aguçar o apetite...

Era noite quando João chegou à ilha. Durante o entardecer, fora-lhe avistando o lombo, pão de milho flutuante que crescia de encontro a ele, a levedar de verde escuro. O barco entrou na baía cansadamente feliz, a cidade posta na sua concha luminosa, a rocha do Cantagalo cortada a faca, as muralhas do Castelinho ao lado, guardadoras de outros tempos, de outros piratas, de outras guerras. O Monte Brasil, um monstro afocinhado na água, quieto e negro, do outro lado da baía, com seios de velho vulcão. O barco atracou no Porto das Pipas, há gente sobre, um pequeno magote em bicos de pés, alguns acenos que se trocam, passageiros que descem com a viagem acabada. […]
Álamo Oliveira, Até Hoje (Memória de Cão)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Lendas dos Açores 5

Ali, Faquir e o Pirata Corvino
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Um olhar para os Açores, exactamente à ilha do Corvo, em pleno século XV.
Havia ali uma mulher solteira que tinha um filho, o que, para a sociedade local de então, era motivo para ser rejeitada. Às vezes, chegava-se ao ponto de obrigarem as mães solteiras a abandonarem a ilha. E no caso desta, atribuíam-lhe mesmo poderes maléficos, chamavam-lhe bruxa. Com tudo isto, se ela sofria, a criança, conforme crescia e ganhava consciência da situação, tornava-se um ser amargo e revoltado. O moço padecia dolorosamente as humilhações por que passava a mãe e sempre também sobravam para ele.
Também, coisa natural naqueles tempos, numa dada altura, a ilha do Corvo foi assaltada por piratas argelinos, que ali iam abastecer-se. O rapaz não quis saber de mais nada, logo aproveitou para se oferecer a acompanhá-los. Era a maneira que encontrava para se livrar da ilha que tão mal o tratara. E depois, como a mãe já morrera, que ficava ali a fazer?
Ilustração: Maurício Abreu
Os piratas argelinos levaram-no e fizeram uma grande viagem, indo depois dar a Tunes, onde o moço corvino foi oferecido a um faquir, mudando-lhe este o nome de Alípio para Ali. O rapaz, com o seu amo e mestre, aprendeu tudo o que pôde, que lá esperto era ele. Não tardou a ter poderes de faquir: via a distâncias incalculáveis, deixava-se cortar pelas finas lâminas sarracenas e, num ápice, ficava curado. No peito, ostentava a tatuagem do pentagrama, demonstrativa da sua autoridade como faquir.
Mas há sempre um mas nestas lendas. E o mas de Ali era que, mesmo sendo um faquir, lhe aborrecia a penitência e o voto de pobreza que lhe cabia cumprir. Por outro lado, bailavam-lhe na cabeça os vexames que com a mãe suportara na ilha do Corvo e queria vingar-se. Como ouvia a voz da mãe dizer-lhe sempre:
- Pobreza não é vileza, mas é um ramo da picardia.
Assim, atingindo a idade adulta, dotado de saberes e poderes invulgares, não hesitou em arranjar tripulação para dois barcos de piratas que passou a comandar. De Larache, onde armara a sua pequena esquadra, Ali saiu para o Corvo. Aí chegado, fundeou perto da baía da praia para os barcos não serem vistos do Corvo, mas reparou neles uma corvina que por ali andava às lapas. E a mulher deu o alarme. E quando os piratas desembarcaram de uma chalupa à entrada da ilha, esta estava tomada pelos corvinos, que lhes lançaram pedras, obrigando-os a fugir para a chalupa. Porém, como se levantasse forte ventania, a embarcação voltou-se, e os piratas, entre os quais Ali, não conseguiram nadar para os barcos, que era difícil e longe, nem regressar à praia, onde os matariam. Desconfiaram de que o comandante os queria entregar aos corvinos e cortaram-lhe o pescoço. Depois, conseguiram salvar-se.A cabeça de Ali foi dar à praia, onde a reconheceram. Enterraram-na na areia, mas todas as noites ela se desenterrava e ululava pelos rochedos. Até que um dia ficou sob a areia para sempre.

José Viale Moutinho, Lendas dos Açores

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Na NATUREZA, tudo se transforma...

Este alfinete de peito, oferecido por amigos,
fica lindamente na lapela dum casaco preto
Quando vivi em S. Miguel, tive ocasião de observar que os açorianos têm uma evidente “queda” para as artes, muita criatividade e grande habilidade manual.
Um exemplo do que afirmo são os belíssimos trabalhos em escama de peixe, que exigem grande minúcia e paciência.
Se bem me lembro… disseram-me na peixaria de Rabo de Peixe (Ribeira Grande), onde muitas vezes me abastecia de excelente (e barato, naquela altura) peixinho, que as escamas mais utilizadas eram as da Veja, um peixe óptimo e colorido, com escamas grandes e de formato singular.
Aqui em casa, tenho apenas estes dois exemplares, mas garanto que há muitos e variados objectos lindos e muitíssimo perfeitos.
Marcador de livros

Mar dos Açores dá prémios

Orcas at sunset
Esta fotografia [*], tirada ao largo da ilha de S. Miguel, valeu ao fotógrafo Nuno Sá o prémio Wildlife Photographer of the Year.
É a primeira vez que um fotógrafo português recebe este prémio, o mais antigo, o maior e o mais prestigiante de fotografia de vida selvagem.
_______________
[*] Aqui, de péssima qualidade, por ser copiado do Jornal de Notícias.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A ILHA

De repente, o mar detém-se. E a ilha defende-se de ser água por detrás dos muros das arribas.
Uma ilha grande, fechada, que durante muito tempo só se abriu para deixar sair gente. A única mensagem de libertação que lhe chegava estava gasta por quase dois mil anos de interpretações acomodadas, salvando os pobres numa redenção de mortos, e garantindo aos ricos a felicidade eterna pelos lugares nos primeiros bancos da igreja e pelas varas do pálio nas procissões anuais. Todo o trigo mirrava com a alforra da avareza, fazendo da fome a padroeira-mor da ilha. Por isso se aceitava a servidão, em nome errado de Deus e pela ordem pobre da pátria, como uma bênção maldita.
João nascera dessa gente que só servia para servir, e crescera neste pedaço de terra, onde o mar suspende um meridiano de água para que a ilha se levante sob um céu de nuvens, fechada no seu cilício de espuma.
Daniel de Sá, Ilha Grande Fechada

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Espreitar a escrita de... JUDITE JORGE

Judite Jorge

Nova Iorque, 12 de Setembro de 1947

Querida mãe e restante família,

Oxalá que esta vos vá encontrar de saúde e na forma do costume. Pensar que estou a meio caminho daí e que ainda não é desta que vos vejo! Tinha muita vontade de ir aí, até disse ao Luís, Pois se a gente vai atravessar a América toda, vai mais adiante, vamos aos Açores para eu ver os meus e para tu os conheceres, mas ele respondeu, Sabes que a gente deu agora um balanço grande à vida com a compra da casa e as passagens de avião são caras, a gente para ir de barco é mais o tempo que passa no mar do que em terra com eles, a gente há-de ir para o ano. Ele tinha gosto em vir aqui ao Este ver os sobrinhos, que já não via há muitos anos, e eu tinha gosto em ir ter com vocês, que ainda há mais tempo que não vos vejo, mas não podíamos ter ambos os gostos de uma vez, estamos então aqui agora e, para o ano, por esta altura, havemos de estar aí, assim Deus permita.
Mando estas fotografias que tirámos na viagem. Louvado seja Deus, eu gostava que vocês vissem como esta América é grande e variada. Andámos mais de quatro mil quilómetros para chegar aqui e ainda fomos ver Niagara Falls, são umas quedas de água muito lindas. Amanhã começamos a viagem para trás, que quando chegarmos ainda vamos fazer a mudança de São Francisco para a casa de São José, tem de ser antes de eu voltar ao trabalho.
Muitas saudades para todos
desta que nunca se esquece de vocês
e a todos abraça
Maria
- Foi por isso que não casaste com ele? Por ser protestante? – perguntou o homem.
Alto e magro, mas bem constituído, rosto recortado e forte em tez escura, olhos grandes, castanhos e pestanudos, cabelos ondulados a denunciar duas pequenas entradas, não mais do que uma ou outra ruga à volta dos olhos, ninguém diria que ia fazer cinquenta anos.
- Foi uma razão de peso – respondeu a mulher.
Não fosse o cabelo branco e não pareceria mais velha do que ele. De estatura baixa, magra a ponto de parecer frágil, tinha rosto redondo, nariz fino, olhos doces e perspicazes. O cabelo, curto e penteado para trás, deixava-lhe à vista a testa generosa.
- Mas casaste comigo e sou ortodoxo! – retorquiu, admirado.
- Pensando bem, não posso dizer que tenha sido só pela questão da religião que não casei com ele. Quando isso se passou, eu estava acabando de chegar à América, era muito nova, não me quis prender logo. Talvez não me sentisse preparada para dar aquele passo. Contigo foi diferente, a situação era outra. Estava nesta terra há muito tempo, tinha a minha vida organizada, mas, longe dos meus e sem nunca me ter juntado com ninguém, sentia-me sozinha. Tu apareceste, soubeste cativar-me… Só te pus uma condição, a do casamento misto, e tu concordaste logo, prometendo que cada um respeitava a vida religiosa do outro.
- Assim tem sido. Por causa disso, até celebramos duas vezes o Natal e a Páscoa… Diz lá, Maria, alguma vez nos zangámos por causa da religião?
- Eu parece-me mesmo que a gente nunca se zangou.
- Zanga, zanga não foi, mas antes da viagem tivemos aquela diferença de opiniões quanto à casa.
- Eu preferia continuar em São Francisco, mas tu quiseste comprar em São José e lá acabei por te fazer a vontade. Embora, a meu ver, já que não tínhamos o dinheiro todo e foi preciso o empréstimo, pudéssemos ter pedido mais algum e…
- Mas os preços – atalhou ele, acentuando a palavra – não se comparavam.
- Pois tu lá sabes, é que trataste disso, e o que está feito, está feito, não se fala mais no assunto. Mas estou tão habituada a São Francisco que me custa sair de lá…
- Não vais chegar a sentir saudades, é em São Francisco que trabalhas, acabas por ir lá quase todos os dias. Eu é que não… Vendeu-se a barbearia, vou ficar desocupado… Não sei o que é que hei-de fazer para não me sentir inútil.
- Não te preocupes, hás-de entreter-te a tratar do jardim. Quanto à barbearia, não te arrependas, está vendida e o dinheiro que recebeste e mandaste aos teus lá na Grécia há-de ser de bom proveito.
- É como dizes, toda a ajuda que recebam é bem aplicada. Coitados, aquela guerra parece que nunca mais tem fim, estão a passar muito mal. Não estás arrependida de não teres querido parte do dinheiro da venda e de me teres dito que mandasse tudo para a Grécia?
- Não, Luís, não tenho de que me arrependa. Aquela barbearia já era tua antes de eu te conhecer. E, além disso, os meus também passam dificuldades lá no nosso Pico, mas felizmente vivem em paz, vão conseguindo tirar uma coisinha da terra, batatas, inhames, milho, trigo, o principal, e ao mar vão buscar peixe que o há com fartura. Tenho gosto em mandar-lhes algum dinheiro sempre que posso, e sabes que mando duzentos dólares pelo Natal, mas os teus estão em pior situação, fazes bem em ajudá-los.
_________
Conversavam no apartamento de Susana, sobrinha dele, uma rapariga simpática e roliça, mãe de dois rapazes adolescentes e casada com um grego que Maria não chegou a conhecer por andar embarcado num navio de mercadorias. Era a véspera do regresso à Califórnia e tinham passado o dia a dar as últimas voltas. Primeiro, logo de manhã – Maria não passava que não assistisse à missa dos portugueses -, ele deixara-a à porta da igreja de Santo António. Não entrara, dissera-lhe que ia pôr no correio a carta dela para os Açores e uma, sua, para a Grécia. Apanhara-a uma hora mais tarde no mesmo sítio, trazendo uma surpresa: sanduíches e sumos com que lhe sugeria um piquenique no Central Park. Fascinados e sem pressa, tinham passeado pela luxuriante verdura do parque, comentando como era bom que uma cidade assim, cheia de vidro, cimento e ferro, usufruísse de um tal pulmão. Mais tarde, ao rever a pequena ilha, quase abafada à sombra da Estátua da Liberdade, recordara as suas primeiras horas em terras da América. Ali as passara, em Ellis Island, à espera que os serviços de emigração sentenciassem quem entrava e quem era mandado para trás.
Agora, sozinhos em casa, pois tanto Susana como os sobrinhos ainda estavam fora à hora que chegaram do passeio, não era tarde nem cedo para prepararem o regresso.
- Vou fazer a mala – disse Maria. – Que roupa queres que deixe fora para vestires amanhã?
- Pode ser as calças e a camisa bege – escolheu Luís e depois sentou-se, de mapa na mão, a traçar o itinerário de regresso. – Nova Iorque, Pennsylvania, Ohio, Indiana, Illinois, Iowa, Nebraska, Wyoming, Utah, Nevada, Califórnia… Vamos voltar a passar por estes estados todos…
- Pois sim! – concordou, entusiasmada.
Com ele irá onde for preciso, é o seu único homem, com ele casou há seis anos, com ele pela primeira vez tomou o gosto ao amor e à vida partilhada, com ele, sim, quer atravessar sem desfalecimentos as serras e os desertos que lhes caibam.
Judite Jorge, Afectos de Alma

*****************

Baseado na história verídica de Maria Polley, este foi o primeiro romance de Judite Jorge. Nascida, em 1965, no lugar de Pontas Negras (Ilha do Pico), é jornalista, poetisa e recebeu vários prémios.

Vale a pena continuar a leitura deste romance, que aqui se inicia, numa publicação da Dom Quixote.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ainda Dias de Melo

Conheci Dias de Melo estava eu na Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada, acabadinho de me libertar dos calções curtos da Primária. Era, se não erro, professor de Português, sem grande sucesso; homem pausado, no andar e nas falas, pendurado no seu cachimbo - anos depois assinaria crónicas num jornal micaelense, sob o título de "Fumo do meu cachimbo” - e com um sotaque "picaroto" fechado, nada o ajudava enquanto comunicador.
Perdi-o de vista depois desse tempo de escola, para só nos cruzarmos, de novo, logo a seguir ao 25 de Abril, no MDP-CDE, porto de abrigo enquanto não surgiram os Partidos, para os que acreditavam que, com a Liberdade, tudo viria… não imaginando, por um momento sequer, as desilusões (e tropelias)que o futuro nos traria.
Entretanto, li "Pedras Negras", "Mar Rubro" e "Mar pela Proa", a trilogia por onde espalhou o seu amor pela ilha-montanha, pelas suas gentes e pelo mar - mar que ele conhecia bem, porque também lá andou atrás da baleia. São livros essenciais para conhecer a vida dos que são (opinião minha, vale o que vale) os melhores senhores do oceano, no Atlântico Norte: os "picarotos", lavradores do mar que, trabalhando a terra, lutando pela vida em chão nem sempre quieto, tudo largavam quando o som do foguete os chamava para arriar as canoas e irem de abalada, atrás da baleia, até onde fosse preciso.
Guardo do Dias de Melo, em contraste com a sua tranquila forma de estar, a vivacidade e brilho dos seus olhos - era através deles que se expressava e que nos mostrava o que lhe ia na alma. E tenho ideia de que sempre andou pelo lado certo da vida.
Os Açores, depois de Emanuel Félix, perdem outro nome de referência, nas suas Letras.
João Coelho

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Adeus a DIAS DE MELO

Velha Professora
A velha Professora uma vez mais envolveu num olhar magoado o prato de amêndoas sobre o naperon estendido na taça da mesinha oval, em frente ao divã e à poltrona de vimes do canto, deu alguns passos trôpegos, hesitantes, sentindo no corpo franzino o gelo húmido da tarde, e ficou de pé, os cotovelos apoiados no peitoril, por dentro da janela fechada.
O calendário marcava já o começo da Primavera, o tempo, porém, continuava de Inverno rigoroso, áspero, agressivo, frio, muito frio – tão rigoroso, tão áspero, tão agressivo, tão frio que ainda as parreiras se estendiam pelo burgalhau das vinhas, negras como braços de cadáveres velhos de dedos retorcidos e pele encarquilhada, e as flores, que, num dia, apareceram brancas e perfumadas – estrelas pequeninas suspensas entre a folhagem verde do incenseiro de ao pé do muro do quintal – logo na manhã seguinte eram apenas migalhas de sonho que o vendaval nocturno destroçara e derramara pelo chão. Também a figueira plantada rente ao maroiço, uma tarde com folhinhas tenras rebentando nas pontas, logo ficara novamente com os galhos nus, cinzentos, lívidos, como certamente o foram outrora os da figueira em que se enforcou Judas.
A velha Professora aconchegava melhor o xaile de merino castanho ao pescoço magro e aos ombros estreitos, olhava a horta onde as batatas semeadas nem chegaram a abrolhar, as parreiras tristemente ressequidas, a figueira nua, o incenseiro depenado, ao longe, no fundo da paisagem, recortava-se, triangular, no céu esgazeado, a descomunal mancha branca da montanha, com a neve a escorrer-lhe pelos flancos, a alcançar as pastagens, a babujar as casas e as terras lavradias mais do alto. O mar, não o podia ver daquela janela, mas ouvia-lhe os rugidos e os lamentos das vagas, que galgavam, na costa próxima, as penedias bravas.
O sentimento de desolação que desabava sobre a Ilha, assim triste, assim parda, quando devia já revestir-se das galas faustosas das verduras novas, da policromia das flores, da sinfonia festiva dos canários e tentilhões a saltitar pelos ramos das faieiras, pelos cocurutos dos maroiços, pelos festos das paredes, doía-lhe na pele, na carne, no sangue, nos ossos, como na alma lhe doía a tortura da vida.
O Inverno, não havia que duvidar, assentara, naquele ano, arraiais nos penhascos da Ilha e para permanecer muito mais que o desejado, se era que havia alguém que o desejasse – ela, a velha Professora, tinha-lhe horror, ali metida, sem ninguém, solteira como sempre fora, entre as quatro paredes daquela casa que herdara dos antepassados.
Dantes, fizera da escola o seu lar e das alunas a sua família, principalmente depois que lhe morreram, primeiro o pai, a seguir a mãe, e os sobrinhos, que tomara à sua conta e educara pelo desaparecimento do irmão num desastre de baleia no Canal e falecimento prematura da cunhada levada por um cancro, se haviam, feitos homens, ido a tratar da vida nas lonjuras do mundo. Todavia, embora já só, mal dava pelo Inverno, mal sentia o vazio e a solidão à sua volta – lá estava a escola, lá estavam as alunas, faziam-lhe esquecer todo o Inverno, preenchiam-lhe todos os vazios, povoavam-lhe todas as solidões. Tudo, porém, se tornou diferente no dia em que, vencido o limite da idade legal para o exercício de qualquer função pública, a escorraçaram, brutalmente, como quem dá um pontapé num cão inútil, da escola e a apartaram das trinta e tantas crianças a quem ensinava a Instrução Primária, filhas e netas das antigas discípulas que, na extensa caminhada de cinquenta anos bem medidos e bem contados, fora, em cada ano que passara, ensinando, educando e levando, em Julho, à vila, ao acto solene do exame da quarta classe com emoção igual à da mãe que acompanha a sua menina ao altar para a cerimónia do casamento, mesmo depois que uma Lei da Ditadura fascista tornara obrigatório o ensino apenas até à terceira classe, Lei essa que para ela era como se não existisse, não passava de um absurdo consciente e de má fé, “acabaram com a quinta classe, agora tornam a quarta facultativa, mais cedo ou mais tarde com a quarta acabam igualmente, querem mas é fazer deste País o paraíso dos analfabetos para, com a ignorância do povo, melhor e à vontade ao povo os ricos explorarem”, dizia e rematava, “mas, enquanto isso não acontecer, aluna minha só com o seu exame da quarta classe deixarei ir para casa”.
Assim pensava, assim procedia, passava o tempo sem se aperceber de que o tempo passava, mas, obrigada (com a mais rude e grosseira brutalidade) a abandonar a escola, a apartar-se das suas alunas, tudo se tornara diferente, terrivelmente diferente, e ela vira-se como um barco destroçado, sem leme, sem bússola, sem governo, sem rumo, à deriva sobre as incertezas de um mar desconhecido.
Na torre da igreja, à ilharga do pequeno largo do centro da freguesia, aberto para a amplidão dos horizontes do oceano, o sino derramava, sobre a terra e as águas salgadas, as pessoas e as coisas, o bronze austero e amargo das cinco badaladas das trindades, enquanto uma nuvem, negra por cima da brancura da neve, crescia, arredondada, inchava, acabava por cobrir a montanha, alastrava pelo céu.
Mais encolhida, mais arrepiada, mais enregelada, a velha Professora afastou-se da janela, sentou-se na poltrona de vimes no canto, ajeitou o coxim por baixo das nádegas descarnadas, a almofada por trás das costas mirradas, uma vez mais aconchegou melhor o xaile de merino castanho no pescoço magro, engelhado, e nos ombros estreitos descaídos. Na sua frente, sobre o naperon estendido na taça da mesinha oval, o prato com amêndoas… à espera…
O calendário marcara o início da Primavera – e não tardaria a noite a trespassar os vidros da janela fechada, a noite tenebrosa de Inverno, que a amedrontava, que lhe enchia a casa e a alma de terrores… Começavam as primeiras sombras a insinuar-se, silenciosas e escorregadias como fantasmas, no quartinho em que se encontrava, a envolver as fotografias doutros tempos, dos sobrinhos miúdos, da mãe ainda nova, do pai ainda jovem, do irmão, valente baleeiro, que sucumbira levado numa linha [1] e afogado nas ondas, das festas escolares que promovera, de grupos de alunas que tivera… pedaços inertes da vida que passara…
[…]
Dias de Melo, Inverno sem Primavera

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[1] Linha: aqui, cabo com uns 600 metros de comprimento por cerca de 1 centímetro de diâmetro que, arrumado em duas selhas e amarrado ao cabo do arpão, liga, depois de arpoada, a baleia à canoa.

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Dias de Melo nascido na freguesia da Calheta de Nesquim, ilha do Pico, em 8 de Abril de 1925, morreu hoje, 24 de Setembro de 2008, em Ponta Delgada.

Os escritores que amamos viverão dentro de nós. PARA SEMPRE!

domingo, 14 de setembro de 2008

AS MEMÓRIAS DO JOÃO COELHO...

Castelo de Vide e os Açores
Os tons de verde em Castelo de Vide foram a primeira "marca" que me fez lembrar S. Miguel, quando conheci a "Sintra do Alentejo" nos idos de 80... Outra marca, a pronúncia dos locais, com o "u" acentuado, semelhante à micaelense. Dizia-me Carolino Tapadejo, então Presidente da Câmara, que isso teria a ver com a ida de mais de uma centena de famílias judaicas para S. Miguel e com a sua fixação, na zona de Castelo de Vide, no regresso ao Continente ( e, se não erro, o Município local terá colaborado com a Câmara da Vila da Povoação, na realização de trabalho de investigação sobre a matéria).
Castelo de Vide é terra natal de Mouzinho da Silveira que tem fortes ligações aos Açores, para onde foi forçado a deslocar-se em 1828, fixando-se na ilha Terceira. Em 1832 forma-se, naquela ilha, o Ministério Liberal, com Mouzinho e Almeida Garrett, entre outros; ocupando a pasta da Fazenda, Mouzinho toma uma série de medidas em prol da melhoria das condições de vida dos açorianos - uma delas, para protecção da ilha do Corvo, leva a que a população envie um grupo de representantes à ilha Terceira (em barco a remos!) para agradecer a Mouzinho da Silveira. O político, sensibilizado pela atitude, diz então que, quando morrer, quer ser sepultado no Corvo... o que acabará por não acontecer.
Outro filho ilustre de Castelo de Vide, é Salgueiro Maia, capitão de Abril. No pós 25 de Novembro, foi colocado em S. Miguel, no Batalhão de Infantaria nº18, provavelmente por o considerarem um perigoso "esquerdista"... E por lá andou, passando por provocações várias de "democratas" locais, até voltar ao Continente para, imagine-se, dirigir o Presídio Militar de Santarém...
Gosto de Castelo de Vide pelas razões apontadas, e também pela índole dos seus habitantes. É gente que passa o tempo a inventar partidas e brincadeiras, de uma forma que nunca vi noutras paragens. Por exemplo, quando Carolino Tapadejo dirigia a Câmara, participou numa "história" que levou alguns crédulos da terra a acreditar que, para se casarem, tinham de ir à Autarquia, receber uma "guia de marcha" assinada pelo Presidente e com carimbo da Câmara, rezando que " seguia o mancebo fulano de tal para a Igreja de Castelo de Vide, no dia tantos de tal, a fim de que se celebre casamento com fulana de tal... etc." - mais ou menos nestes termos. E, noutra ocasião, convenceram uma figura da terra, conhecida pelo seu conservadorismo e aparente exigência de rigores morais de que ia abrir, em Castelo de Vide, uma boite com dançarinas de strip tease, com inauguração a horas escusas... por volta da meia-noite, ou coisa assim. Depois de "adubarem" o indivíduo com informações muito sigilosas sobre as características do estabelecimento, foram pôr-se à espreita, na noite da suposta abertura, para apanhar o fabiano a rondar o local, à espera de entrar no "antro do pecado"... ao arrepio das suas propaladas virtudes de cidadão exemplar.Outra situação teve a ver com o facto de, em Castelo de Vide, existirem associações de indivíduos com o mesmo nome: os Josés, os Manueis, etc. Mas, como em boa terra alentejana, ficavam de fora uma data de cidadãos, com nomes estranhos - como Carolino Tapadejo. Então formaram a Associação dos nomes estranhos, que tinha um dia de comemorações, integrando um cortejo, com estandarte próprio, que se deslocava ao cemitério, em homenagem aos sócios falecidos, e um almoço, com discursos em louvor dos marginalizados pela estranheza do nome...
Enfim, qualidade de vida..

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

CLÃ em Ponta Delgada

O grupo CLÃ, e a música do Norte, hoje,
no Campo de S. Francisco em Ponta Delgada
A vocalista: Manuela Azevedo
PROBLEMA DE EXPRESSÃO
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Só p'ra dizer que te amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.
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Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.
*****
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
*****
Só p'ra dizer que te amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.
*****
E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.
*****
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
*****
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.

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Letra: Carlos Tê

Música: Hélder Gonçalves

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Piquei-me nas silvas dos Açores...

Luas do Pico
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Subitamente, olhei para ti
Como quem olha para quem nunca viu
Como se fosse um luzeiro, eu descobri
Que os ventos que cruzam o Canal passam por ti
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Subitamente, nasci em ti
Na transparência da dor e do frio
Como se fosse um atalho que percorri
Piquei-me nas silvas do Pico, fiquei por aqui
********
Juntos traçámos as nossas rotas impossíveis de maresia
Cruzámos, velhos loucos, oceanos em veleiros de agonia
Guardámos nossas dores nos rumores que os ventos então traziam
Cravámos uma âncora de esperança no porto da nossa ilha
********
Subitamente, mais perto de ti
Soltei amarras do velho navio
Atravessei o Canal e então percebi
Que as luas que nascem no Pico são todas para ti
********
Juntos traçámos as nossas rotas impossíveis de maresia
Cruzámos, velhos loucos, oceanos em veleiros de agonia
Guardámos nossas dores nos rumores que os ventos então traziam
Cravámos uma âncora de esperança no porto da nossa ilha
******
Letra e música: Luís Alberto Bettencourt
Intérprete: Piedade Rego Costa
Álbum: 7 Anos de Música

terça-feira, 26 de agosto de 2008

MARGARIDA MADRUGA

Maria MARGARIDA Vieira de Bem MADRUGA, nasceu a 11 de Novembro de 1945, nas Lajes do Pico (S. João).
Começou a pintar a óleo aos 13 anos, para parentes na América. De 1966 a 1972, já em Lisboa, fez banda desenhada. Terminou o curso de Arquitectura em 1972, trabalhando, exclusivamente como arquitecta, até 1994, quando retomou a pintura, a sua grande paixão. De reconhecido talento, expôs nos Açores, Continente e Galiza.

Para ampliar, basta clicar em cima da imagem.

domingo, 17 de agosto de 2008

TABACARIA AÇORIANA

A Tabacaria Açoriana, quando o Gil ainda não tinha aberto, primeiro, o seu café, e depois a livraria, era ponto de encontro e local de tertúlia, principalmente aos domingos de manhã, para alguns especialistas de tudo e coisa nenhuma. À volta de um café e folheando jornais da terra, formavam-se grupos cujos elementos iam trazendo à baila acontecimentos locais, merecedores de comentário mexeriqueiro, no geral tudo gente aspirante a classe média.

Pontificava nessas manhãs, o Sargento Carradas, músico na Banda regimental, assim conhecido por ter sempre "carradas de razão", em tudo o que discutia. Era um homem dos mais prolixos que conheci, falava de tudo: de astronomia, navegação, invenções, e de… siderurgia.
Um dia, dissertando o Carradas sobre a produção de aço em Portugal (que não existia na época, a Siderurgia do Seixal só foi criada mais tarde) entusiasmado pela sua imaginação, e partindo de alguns elementos que conhecia sobre a matéria, começou a descrever como eram os "altos fornos" portugueses:
- Diz-se altos, pelas elevadas temperaturas necessárias à produção do aço.
Estava presente o meu pai, mestre do Ensino Técnico, homem circunspecto, de ouvir mais do que falar, mas que, na ocasião, não se conteve, e disse:
- Ó sargento, olhe que em Portugal não temos altos fornos, o ferro e aço com que trabalhamos é importado.O nosso músico não se atrapalhou, e retorquiu:
- Mestre Leonel, os nossos não são, de facto, muito altos, são mais baixos, mas existem!..
Era assim o Carradas.
A Açoriana tinha outra virtude, essencial para alguns dos jovens da minha geração: era um local de compra de livros e jornais do Continente; lá comprei, entre outros, o livro de Homem de Mello que, antes de Spínola, criticava a política africana. E lá passava, sempre expectante, para ver se já tinham chegado os jornais. O dono da Tabacaria era o Sr. Fernando que, felizmente, deixou o bichinho cultural aos filhos, seus sucessores no negócio, e anos mais tarde, organizadores de uma Feira do Livro, nas instalações da Tabacaria, que julgo ter sido pioneira em S. Miguel.
João Coelho [1]
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[1] Os meus agradecimentos a João Coelho por este precioso texto, que teve a gentileza de me autorizar a publicar aqui.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Alguém se lembra?

As Cavalhadas da Ribeira Grande
lembradas num selo desenhado por José Cândido
e emitido pelos Correios Portugueses,
em 11 de Maio de 1981