sexta-feira, 31 de agosto de 2007

As hortênsias de S. Miguel, no mês de Agosto

Hortência ou Hidrângeas
A hortênsia (Hydrangea macrophylla) é originária do Extremo Oriente mas, como sabemos, tornou-se numa espécie de "emblema" das ilhas dos Açores. As fotografias falam por si. Estas foram tiradas no mês de Agosto de três anos diferentes. São lindas! E..., no entanto, não passam dum pálido reflexo da explosão de cor e de beleza que se espalha pela ilha, nesta época do ano.

Agosto de 2002

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

"O Pastor das Casas Mortas"

[...] “porque sabia que
esperar seja o que for
é uma maneira de estar vivo.”
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Acabei de ler “O Pastor das Casas Mortas” de Daniel de Sá.
Não vou fazer crítica literária. Porque não tenho competência, porque não acho necessário. Vou apenas dizer o que sinto.
Comoveu-me o que li; reencontrei o escritor que admiro; identifiquei, em Manuel Cordovão, o homem íntegro, sensível e de grande consciência moral e cívica que é Daniel de Sá.
Começa, logo na introdução, por nos “agarrar”, prometendo reescrever a história dum homem, a partir das agendas onde, ao longo dos anos, ele foi rabiscando pedaços da sua vida.
Numa escrita límpida, fresca e simples (Porventura, a mais difícil de conseguir...), leva-nos, através do passado, a problemas do presente (como o do despovoamento do interior do País ou o do fim dos velhos em “asilos disfarçados de lares de terceira idade") e de sempre (como o da vivência do amor, com todas as suas inseguranças, hesitações, alegrias e sofrimento).
É um livro de afectos. Mas que condena... a guerra que faz dos homens vândalos cruéis, sob o disfarce de “patriotismo”; os políticos que esquecem os direitos mais elementares do povo, que cabe a eles assegurar; a religião mal entendida pela ignorância bem intencionada de uns, como a catequista Angelina, e aproveitada por outros, para impor uma força e um poder imorais.
Daniel de Sá ressuscita a Guerra Colonial, as madrinhas de guerras, os aerogramas; as histórias dos Livros de Leitura, do antigo Ensino Primário, na figura do velho emigrante português em Buenos Aires, que compra com sacrifício um luxuoso relógio cujo bater de horas lhe lembra “o tocar dos sinos da sua aldeia”; os contadores de histórias, como o velho Vasco; os salvadores dos “vermelhos” , da Guerra Civil Espanhola, como o Francisco Poços. Cria a figura extraordinária da tecedeira Madalena que oferece, à pobre e jovem noiva Maria dos Anjos, a manta com que outros queriam presentear um ministro.
Não foram raros, durante a leitura, os momentos em que os meus olhos humedeceram. A honestidade e a bondade de Manuel Cordovão (ou de Daniel de Sá?) são verdadeiramente comoventes. A ternura com que adoça os últimos dias de Teresa; a mentira piedosa com que provoca o último sorriso feliz do tio Amadeu; o jogo de “sueca”, em que, fazendo par com Torre Velha, se esforça por ganhar, vencendo um “desejozinho” de vingança sobre o homem que lhe roubou o grande amor da sua vida.
E depois... quando se espera que, por fim, o sonho se realize e Manuel e Maria da Graça juntem para sempre as suas vidas, ambos compreendem que esse tempo passou. O sonho era demasiado grande para caber na realidade da vida. Viver aquele amor sonhado, ano após ano, seria matá-lo. A renúncia torná-lo-á eterno.
Peço desculpa, ao autor, por este comentário tosco que não reflecte o quanto gostei desta novela. Obrigada por a ter escrito!
A todos os que lerem este texto, recomendo: Leiam o livro! E comovam-se... e chorem... e recordem... e façam o que puderem para que acabem as casas e as aldeias vazias! Porque tudo isso enche, alarga e aquece o coração. E estamos a precisar tanto disso!...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Golfinhos e Cachalotes

Cauda de cachalote
É sabido que durante décadas a caça à baleia foi uma actividade importante, nos Açores, que sustentou muitas famílias, sobretudo nas ilhas do Pico, Faial e S. Miguel. A partir do início dos anos 90, sendo já proibida esta caça, surgiu uma nova actividade económica no arquipélago e que é a observação turística de golfinhos e baleias, no seu meio natural (Whale Watching). Os arpões são, agora, substituídos pelas máquinas fotográficas dos turistas ansiosos por captar o movimento dos cetáceos, localizados no mar por “vigias” colocados em pontos estratégicos e de boa visibilidade, junto à costa. Seguindo as coordenadas, transmitidas via rádio, os barcos semi-rígidos dirigem-se para os locais onde eles se encontram e podem ser observados. Há 23 empresas de Whale Watching licenciadas no arquipélago. As embarcações levam cerca de 12 passageiros a quem são fornecidos, para além das instruções e dos coletes salva-vidas, alguns dados históricos sobre a baleação e informações sobre as espécies mais comuns nestes mares.
Golfinhos

No mar dos Açores, podem ser observadas cerca de 24 espécies de mamíferos, destacando-se especialmente os cachalotes e os golfinhos comuns. O cachalote é “a baleia mais emblemática dos Açores”, dado que é nas suas águas quentes que crescem estes animais, que podem atingir 20 metros de comprimento e mergulhar até 3000 metros de profundidade à procura dos moluscos de que se alimentam. Além das baleias de bico, também é possível encontrar baleias azuis (as maiores de todas), durante a Primavera. E, até, tartarugas e tubarões.

Cardume de golfinhos
O arquipélago é pioneiro, a nível europeu, em matéria de legislação para salvaguardar o bem-estar dos animais durante a observação. Desde 2004 que a legislação impõe, entre outra regras, desligar os motores dos barcos na presença dos cetáceos e a permanência a uma distância de 50 metros, não superior a trinta minutos.
Colónia de garajaus no Ilhéu de Vila Franca do Campo

Já tive a sorte de ver golfinhos, numa viagem de barco que fiz entre S. Miguel e Santa Maria, e fiquei maravilhada. As fotografias que aqui publico foram tiradas, no passado mês de Julho, por amigos que mas cederam e a quem muito agradeço.

Para terminar, um apelo:

Encantem-se com todas as maravilhas que os Açores têm para vos dar, mas por favor, não façam nada que possa prejudicar a “Natureza pura” destas ilhas!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

LUZ entre o Porto e S. Miguel

O Pedro Abrunhosa é do Porto, cidade onde resido. Conheci bem os seus irmãos e lembro-me dele ainda pequeno, na praia do Mindelo, onde morei uns tempos e eles passavam o Verão. Agora, o seu álbum “LUZ” integra a canção “Ilumina-me” que faz parte da banda sonora da telenovela “A Ilha dos Amores”.

A coincidência de Pedro Abrunhosa “fazer a ponte” entre dois dos meus grandes amores (o Porto e S. Miguel) serviu de pretexto à elaboração deste post.

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ILUMINA-ME

Gosto de ti como quem gosta do sábado,

Gosto de ti como quem abraça o fogo,

Gosto de ti como quem vence o espaço,

Como quem abre o regaço,

Como quem salta o vazio,

Um barco aporta no rio,

Um homem morre no esforço,

Sete colinas no dorso

E uma cidade p’ra mim.

*****

Gosto de ti como quem mata o degredo,

Gosto de ti como quem finta o futuro,

Gosto de ti como quem diz não ter medo,

Como quem mente em segredo,

Como quem baila na estrada,

Vestido feito de nada,

As mãos fartas do corpo,

Um beijo louco no porto

E uma cidade p’ra ti.

*****

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, ilumina-me.

*****

Gosto de ti como uma estrela no dia,

Gosto de ti quando uma nuvem começa,

Gosto de ti quando o teu corpo pedia,

Quando nas mãos me ardia,

Como silêncio na guerra,

Beijos de luz e de terra,

E num passado imperfeito,

Um fogo farto no peito

E um mundo longe de nós.

*****

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, ilumina-me.

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Letra e música de Pedro Abrunhosa

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Novo Livro de Daniel de Sá

O pastor das casas mortas” é a mais recente obra de Daniel Sá O livro foi lançado no passado dia 28 de Junho, em S. Miguel

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"O Pastor das casas mortas" é um novela cuja história se desenrola numa aldeia de pastores da Beira Interior, na segunda metade do século XX. A obra relata as memórias, guardadas em caderno, do pastor Manuel Cordovão e da sua aldeia. Segundo o autor, este livro "tem como fio condutor o despovoamento e as suas consequências numa pequena comunidade. A degradação das casas e a forma como ele é combatida por Manuel Cordovão, as amizades que acontecem e os amores que ficaram". Sobre o livro Medeiros Ferreira, que apresentou a obra no passado dia 28 de Junho, no Centro Cultural da Caloura, em S. Miguel, diz o seguinte: "Há 50 anos Portugal era um pavor manso. Estrito, este livro evoca as aldeias da Beira Interior. Dito, ele transporta os sons das freguesias além-Atlântico. Lido, ele revela que há uma hora certa na vida para o amor. O resto é a solidão do pastor. Tudo isto através da sensibilidade e do talento de Daniel de Sá". Para Medeiros Ferreira, "'O Pastor das Casas Mortas' oferece a chave para entender Daniel de Sá", transferindo para uma aldeia continental as vivências do meio rural de S. Miguel. Trata-se de uma novela sobre "o amor na hora certa", considerou, ouvindo do autor a ideia de que "é difícil quando escrevemos não nos escrevermos a nós próprios". A obra "O pastor das casas mortas" está disponível na Livraria Solmar, em Ponta Delgada.
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Biografia: Natural da Maia, ilha de S. Miguel, Daniel de Sá exerceu funções como docente. Ocupou igualmente diversos cargos públicos. Foi secretário regional e deputado nas duas primeiras legislaturas da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. De entre as obras publicadas figuram "Génese" (novela, 1982), "Sobre a verdade das coisas" (contos, 1985); "Um deus à beira da loucura" (novela, 1990), "Ilha grande fechada" (romance, 1992), "E Deus teve medo de ser homem" (novela, 1997), "A terra permitida" (novela, 2003), entre outros.

in Expresso das Nove on line

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Tenho a certeza de que será uma belíssima obra. As preocupações sociais, morais e existenciais, a importância do passado e da tradição, a grande sensibilidade e os momentos de grande intensidade dramática, estão sempre presentes na escrita de Daniel de Sá.

Quando acabei de ler "Ilha Grande Fechada", o primeiro livro dele que me chegou às mãos através dum amigo, as lágrimas rolavam-me pela cara e nem sei descrever o que senti. A ilha de S. Miguel há muito que tinha entrado no meu coração e Daniel de Sá encontrou nele, a partir desse momento, o seu cantinho.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

DANIEL DE SÁ: um escritor micaelense

A quantidade de trabalho requerida para criar e manter os níveis de progresso e economia do hemisfério ‘rico’ provocou o desequilíbrio familiar, principalmente por quase se haver perdido a presença da mãe como figura tutelar e permanente, sem que se lhe tenha encontrado alternativa satisfatória. Aos escravos com dono sucedeu a era dos ‘escravos’ com patrão (e dos patrões ‘escravos’ de si mesmos), peças dum mecanismo que subverte com frequência os ritmos sociais, familiares e biológicos normais."
Daniel de Sá, "A Criação do Tempo, do Bem e do Mal"

terça-feira, 19 de junho de 2007

Caldeira Velha, Ribeira Grande, S. Miguel, Açores

"Percebi que ninguém chega aos Açores mais do que uma vez. O primeiro passo nas ilhas é definitivo e irrevogável, marca-nos para o resto da vida o corpo em viagem."
Maria Orrico, A Terra de Lídia

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Emigração versus Amor

DOMINGOS REBELO, Emigrantes
MARÉ E NATIVIDADE
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O meu amor é como o mar revolto,
sendo tu o porto
em que me abrigo
após cada tormenta
nessa lida, lenta,
que começa ao despertar.
*****
Às vezes, não te vou mentir,
eu sinto a febre de partir
mas ao pensar em ti,
ao ver a luz do teu olhar,
não sei porquê acabo por ficar.
*****
O meu amor é um abandono
tão suave como a luz do Outono,
mistura de tristeza e de alegria
tu és, para mim,
assim como o romper
dum novo dia.
*****
Às vezes, só por um instante,
pressinto-te distante,
mas logo um beijo doce,
um breve abraço, dois segredos,
afastam para longe estes meus medos.
******************
Letra e Música: Aníbal Raposo
Intérpretes: Aníbal Raposo e Susana Coelho
Álbum: "7 Anos de Música"

segunda-feira, 11 de junho de 2007

IDÍLIO (Antero de Quental)

IDÍLIO
.....
Quando nós vamos ambos de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas.
.....
Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas,
Ao longe, no horizonte, amontoadas.
.....
Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua:
Sinto tremer-te a mão, e empalideces...
.....
O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.
Antero de Quental (18 de Abril de 1842 a 11 de Setembro de 1891)
que nasceu e morreu em Ponta Delgada
Portas da Cidade (Ponta Delgada/S. Miguel/Açores)

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Atlântida: mito ou premonição?

A LENDA DA ATLÂNTIDA
"Conta-se que houve em tempos um continente imenso no meio do oceano Atlântico chamado Atlântida. Era um lugar magnífico: tinha belíssimas paisagens, clima suave, grandes bosques, árvores gigantescas, planícies muito férteis, que às vezes até davam duas ou mais colheitas por ano, e animais mansos, cheios de saúde e força. Os seus habitantes eram os Atlantes, que tinham uma enorme civilização, mesmo quase perfeita e muito rica: os palácios e templos eram todos cobertos com ouro e outros metais preciosos como o marfim, a prata e o estanho. Havia jardins, ginásios, estádios... todos eles ricamente decorados, e ainda portos de grandes dimensões e muito concorridos.
As suas jóias eram feitas com um metal mais valioso que o ouro e que só eles conheciam - o oricalco. Houve uma época em que o rei da Atlântida dominou várias ilhas em redor, uma boa parte da Europa e parte do Norte de África. Só não conquistou mais porque foi derrotado pelos gregos de Atenas.
Os deuses, vendo tanta riqueza e beleza, ficaram cheios de inveja e, por isso, desencadearam um terramoto tão violento que afundou o continente numa só noite. Mas parecia que esta terra era mesmo mágica, pois ela não se afundou por completo: os cumes das montanhas mais altas ficaram à tona da água formando nove ilhas, tão belas quanto a terra submersa - o arquipélago dos Açores.
Alguns Atlantes sobreviveram à catástrofe fugindo a tempo e foram para todas as direcções, deixando descendentes pelos quatro cantos do mundo. São todos muito belos e inteligentes e, embora ignorem a sua origem, sentem um desejo inexplicável de voltar à sua pátria.
Há quem diga que antes da Atlântida ir ao fundo, tinham descoberto o segredo da juventude eterna, mas depois do cataclismo, os que sobreviveram esqueceram-se ou não o sabiam, e esse conhecimento ficou lá bem no fundo do mar."
Ângela Furtado-Brum, Açores, Lendas e Outras Histórias

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Todos ouvimos já falar do continente maravilhoso que, segundo Platão, ficava para lá das Colunas de Hércules (estreito de Gibraltar) e que, um dia, se afundou e desapareceu, engolido pelo Oceano Atlântico.

Claro, que os cientistas afirmam que esse continente nunca existiu. Mas também há quem, inclusive, se lembre de ter vivido na Atlântida, numa vida anterior.

Não vou afirmar o que não sei, mas que me apraz pensar que as ilhas dos Açores sejam os pontos mais altos dessas terras submersas, é um facto.

Uma lenda é um mistério, é do reino do imaginário e dá um pouco de cor à vida cinzenta do quotidiano. Para mim, as "ilhas de bruma", têm esse encanto. Aparecem e desaparecem, envolvem-se no nevoeiro e fazem-nos sentir que estamos perto do divino.

Um dia, vou contar o que sinto, sobretudo em relação a S. Miguel, o modo como viver na Ilha me transformou numa pessoa diferente e é, para mim, o lugar que conheço que mais se aproxima da ideia de paraíso.

Talvez a Atlântida não tivesse, de facto, existido e, por isso, não se deu aquele horrível cataclismo. O meu medo é que ele seja "coisa do futuro". O aquecimento global do planeta Terra não pára; o degelo está a acontecer. Estará Portugal, no seu todo, condenado a voltar às profundezas do mar? É isso que me assusta. Se passado, presente e futuro coexistem, em diferentes dimensões... Quem sabe quando as coisas acontecem?

terça-feira, 5 de junho de 2007

sábado, 2 de junho de 2007

TEMA PARA MARGARIDA

Ai! Quem me dera partir na canoa da esperança

Ir ancorar noutras praias, noutros varadouros

Ai! Quem me dera voltar a gozar os tesouros

Da felicidade que eu tinha quando era criança.

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Ai! Quem me dera ser garça e voar no Canal

Só entre o Pico e o Faial me quedar dividida

Ai! Quem me dera mão firme no leme da vida

Ai! Este amor que me mirra, me mata e faz mal.

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Ai! Quem me dera, de novo, as certezas e os medos

Ai! Quem me dera ter credos e não ser indiferente

Ai! O amor passa ao lado da vida da gente

Ai! Já o tempo se escoa como a areia entre os dedos.

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Letra e música: Aníbal Raposo

Voz: Piedade Rego Costa

Arranjo: Carlos Frazão

Álbum: "7 Anos de Música"

quinta-feira, 31 de maio de 2007

OS NOMES DAS ILHAS

Como é natural, sendo as ilhas do arquipélago desertas, foi necessário baptizá-las. No testamento do Infante D. Henrique, de 1460, são assim designadas as ilhas dos Açores: Santa Maria, S. Miguel, Ilha de Jesus Cristo, Graciosa, S. Luís, S. Dinis, S. Jorge, Santa Iria e S. Tomás.
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Tradicionalmente, dizia-se que as ilhas receberam os respectivos nomes de acordo com o calendário litúrgico, isto é, achada no dia de S. Miguel, ficava a chamar-se S. Miguel e por aí fora...
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Investigações, talvez mais fundamentadas, dizem-nos que Santa Maria e S. Miguel devem os seus nomes, respectivamente, à devoção do Infante D. Henrique e do Infante D. Pedro por esses santos. Afinal, os nomes da maior parte das ilhas estão associados à Ordem de Cristo, da qual era Mestre o Infante D. Henrique. Então:
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© S. Dinis: foi o rei D. Dinis que instituiu a Ordem de Cristo;

© Santa Iria: tinha este nome a santa mártir, natural de Tomar, sede da Ordem;

© S. Tomás: o santo a quem é dedicada a capela do Convento de Tomar;

© Jesus Cristo: o próprio nome da Ordem;

© S. Luís: santo de que o Infante D. Henrique era também muito devoto.

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Como vemos, algumas ilhas mantiveram os nomes originais. Outras mudaram de nome: a ilha de Jesus Cristo passa a Terceira (por ter sido a terceira a ser encontrada) [1], a ilha de S. Dinis passa a Faial, a ilha de S. Luís fica conhecida por Pico (por causa da enorme elevação, ao centro, e que é o ponto mais alto de Portugal), Santa Iria dá lugar a Flores e S. Tomás passa a Corvo.
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[1] Daniel de Sá apresenta "outra possível origem para o nome da Terceira. Não é muito crível que, tendo ela um nome tão nobre como o de Ilha de Jesus Cristo, passasse a ser Terceira, apenas por ter sido a terceira na ordem do descobrimento, e isto umas décadas depois de achada. Parece plausível que tal tenha acontecido por a estas ilhas se chamar as Terceiras", (por razões que já referimos) "e que, por ser aquela o destino mais frequente de quem para cá vinha, terá passado a ser referida apenas como Ilha Terceira pelos marinheiros, e estes eram os principais padrinhos das terras descobertas."
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CURIOSIDADES: Os açorianos atribuíram uma cor às suas 9 ilhas. Assim:
Santa Maria - Ilha Amarela (pelas giestas)
S. Miguel - Ilha Verde (pelos prados e matas)
Terceira - Ilha Lilás (pelas latadas de glicínias ou lilases)
Graciosa - Ilha Branca (pelas suas rochas claras)
S. Jorge -Ilha Vermelha (pela flor do café que lá se chegou a cultivar)
Pico - Ilha Preta (pela rocha vulcânica)
Faial - Ilha Azul (pelos “novelos” de hortênsias azuis)
Flores - Ilha Rosa ((pelas azáleas)
Corvo - Ilha Castanha (pelas vacas corvinas) [1]
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[1] Esta foi a versão que me foi fornecida por antigos alunos meus da Ribeira Grande.
O meu bom amigo Daniel de Sá fez-me o favor de mandar a devida correcção, na qual confio plenamente, que reproduzo e muito agradeço:
"Vi as cores atribuídas a cada ilha dos Açores, mas com algumas imprecisões. São Jorge não é vermelha, e muito menos por causa do café, que é coisa recente, só experimentada depois do 25 de Abril. É castanha, e suponho que por causa da Ponta dos Rosais, a primeira que se vê indo de Oriente, onde há umas rochas de uma cor espectacular (daí o nome). Aqui vai a lista completa, copiada de um sítio sobre as Ilhas do Triângulo: No caso das ilhas do "Triângulo", o Faial é a ilha Azul, o Pico a ilha Cinzenta e São Jorge a ilha Castanha. E por curiosidade aqui ficam as cores das restantes ilhas, assim as Flores é a ilha Amarelo Torrado, o Corvo a ilha Cor-de-rosa, São Miguel a ilha Verde, Santa Maria a ilha Amarelo Claro, a Terceira a ilha Lilás e finalmente a Graciosa a ilha Branca."

quarta-feira, 30 de maio de 2007

AÇORES PORQUÊ?

O nome de Açores, dado ao arquipélago recém-descoberto, é bastante polémico.
Segundo a tradição, este nome teria resultado da abundância das aves de rapina com o mesmo nome encontradas pelos descobridores nas ilhas.
Vejamos o relato de Diogo Gomes:
"Em certo tempo o Infante D. Henrique desejando descobrir logares desconhecidos no Oceano occidental com o intuito de reconhecer se existiam Ilhas ou Terras firmes além das descriptas por Ptolomeu, mandou caravellas em busca destas terras. Partiram e viram terra... e vendo que eram Ilhas entraram na primeira, acharam-n'a deshabitada, e andando por ella encontraram muitos milhafres ou açôres, e outras aves; e passando à segunda que hoje se chama Ilha de S. MIguel..., acharam muitas aves e milhafres... D'ali viram outra Ilha que ne actualidade se chama Ilha Terceira, a qual á similhança da ilha de S. Miguel, estava cheia de... muitos açôres."
A verdade é que este relato não faz uma distinção clara entre milhafres e açores. Mais tarde, Gaspar Frutuoso, verificando a não existência de açores mas sim de milhafres, admitiu que os descobridores teriam confundido os dois tipos de aves.
A partir daqui, aceitou-se este equívoco na identificação dos milhafres (ou queimados) que, ainda hoje, cruzam os céus dos Açores.
José Agostinho defende, todavia, que não havia, de início, açores ou milhafres nas ilhas, e que estes últimos foram para lá levados pelos portugueses. E, baseando-se no testemunho dum cosmógrafo alemão, Martim Behaim, que viveu alguns anos nas ilhas, ainda no séc. XV, avança uma outra teoria.
Diz assim o alemão: "... finalmente descobriram estas dez ilhas e, tendo desembarcado, nelas não acharam senão desertos e aves tão domésticas que não fugiam de ninguém, pois como não havia vestígios de homens, nem de quadrúpedes, esta era a causa de não serem as aves espantadiças; e assim deram a estas Ilhas o nome de Ilhas dos Açores."
José Agostinho conclui, então, que se a ave que se deixa domesticar facilmente, se torna mansa e não foge de ninguém é o açor, é natural que os marinheiros portugueses viessem dizer para Portugal que tinham descoberto umas ilhas onde as aves eram tão mansas como os açores. Teriam ficado, assim, conhecidas como as Ilhas dos Açores.
É, pelo menos, uma teoria interessante. Mas a verdade... só a sabem os navegadores portugueses de quatrocentos.
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"Quanto à origem do seu nome, desde o século XVI que se levanta a dúvida, pensando-se que os descobridores, ao verem milhafres, os tenham confundido com açores. Mas há quem não aceite a estranheza deste baptismo. Gonçalo Velho Cabral que, a mando do Infante D. Henrique (quinto filho de D. João I e o principal impulsionador dos Descobrimentos), organizou o povoamento de Santa Maria e São Miguel, talvez tenha sido também o padrinho destas ilhas honrando Nossa Senhora dos Açores, que se venera na antiquíssima igreja gótica de Aldeia Rica, na Beira Alta, que era da sua especial devoção. Além deste nome, e durante algumas décadas, outro andou juntamente com ele, ou foi usado em vez dele, em boca de marinheiros ou cartas de marear. Ilhas Terceiras lhes chamavam, por terem sido descobertas depois dos arquipélagos das Canárias e da Madeira."
Texto de Daniel de Sá (que ouso publicar e que acrescenta nova teoria)

terça-feira, 29 de maio de 2007

A Beleza das Ilhas e da Alma de Antero

"As grandes, as belas, as boas coisas só se fazem quando se é bom, belo e grande. Mas a condição da grandeza, da beleza e da bondade, a primeira e indispensável condição não é o talento, nem a ciência, nem a experiência: é a elevação moral, a virtude de altivez interior, a independência da alma e a dignidade do pensamento e do carácter."
Antero de Quental

sábado, 26 de maio de 2007

A DESCOBERTA DOS AÇORES

Estátua de Gaspar Frutuoso e Igreja Matriz (Ribeira Grande)

GASPAR FRUTUOSO nasceu em Ponta Delgada, em 1522. Estudou Artes e Teologia na Universidade de Salamanca, entre 1548 e 1558. Chegou à, então, vila da Ribeira Grande em 1565, onde foi o 7º Vigário da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela. É considerado o grande cronista das Ilhas. A sua obra Saudades da Terra, é uma fonte imprescindível para o conhecimento dos tempos do povoamento dos Açores e, em especial, da ilha de S. Miguel.

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A DESCOBERTA DOS AÇORES

Quando eu andava na Escola Primária (1956/60), o meu livrinho de História (para a 4ª Classe do Ensino Primário Elementar) rezava assim: “Em 1431, Gonçalo Velho Cabral descobriu uma das ilhas dos Açores, a que deu o nome de Santa Maria. De facto, durante muito tempo, pensou-se que assim teria sido. Esta é a versão de Gaspar Frutuoso (cronista açoriano do séc. XVI) que, baseando-se na tradição oral e, talvez, na afirmação de João de Barros de que, em 1449, era dada autorização, ao Infante D. Henrique, para “... que pudesse mandar povoar as sete[1] ilhas dos Açores, as quais naquele tempo eram descobertas e nelas lançado algum gado por mandado do mesmo Infante por um Gonçalo Velho...”. Claro que não há aqui prova de que foi ele o descobridor. Apenas confirma o facto de Gonçalo Velho Cabral ter sido o primeiro capitão-donatário das ilhas de Santa Maria e de S. Miguel. Hoje, a maioria dos historiadores aceita que os Açores foram, de facto, descobertos por Diogo de Silves, marinheiro do Infante D. Henrique, no ano de 1427. Isto mesmo é afirmado num mapa do catalão Gabriel de Valsequa, de1439, onde o arquipélago surge representado com rigor. No entanto, parece consensual a ideia de que o arquipélago açoriano já era conhecido antes do séc. XV e que esta “redescoberta” se destinava a reclamar a sua posse para Portugal e proceder ao seu povoamento, uma vez que eram desertas. Na recente publicação da ÉSQUILO, “O Mistério Colombo Revelado”, de Manuel da Silva Rosa e Eric J. Steele, diz-se: [...] “...é provado pela descobertas das Ilhas dos Açores, antes de 1424.” (pág. 79); [...] “...As ‘Ilhas’ são os Açores, que se podem ver claramente a oeste de Lisboa neste mesmo mapa das Antilhas de 1424.” (...) Os Açores são habitualmente chamados pelos Portugueses «as ilhas» e antigamente também eram conhecidos como as ilhas terceiras, sendo esta a principal razão para a terra Ante-ilhas ter adquirido o seu nome.” Portanto, neste mapa de Zuane Pizzigano, de 1424, estava perfeitamente representado o arquipélago dos Açores e, ainda, a oeste dos Açores, terras a que Portugal chamava “Antilias” (também conhecidas por Antilias ou Antilhas), o que quer dizer “em frente às ilhas” dos Açores. Parece estar demonstrado que Portugal tinha conhecimento de território americano, antes de Colombo. Relativamente ao caso da Ilha de S. Miguel, Gaspar Frutuoso data o seu descobrimento de 1444, o que seria possível pela data apresentada por João de Barros, acima. No entanto, existe uma carta de D. Afonso V, datada 2 de Julho de 1439, que autoriza seu tio, o Infante D. Henrique, a mandar povoar as sete ilhas dos Açores. Portanto, pelo menos em 1439, já só faltava descobrir Flores e Corvo.Como vemos, não há grandes certezas em ralação às datas certas da descoberta das ilhas. Não podemos esquecer, no entanto, que o iniciador das viagens de descobrimento foi o Infante D. Henrique, governador da Ordem de Cristo que detinha muitos segredos dos antigos Templários. Podemos dizer que, desde início, a expansão marítima é sujeita a uma política de secretismo, e até de divulgação de dados falsos, para afastar e confundir os Castelhanos, nossos principais adversários. É possível que o nosso movimento expansionista esteja ligado a missões e projectos da própria Ordem de Cristo, herdeira da extinta Ordem dos Templários.

[1] As ilhas do grupo ocidental, Flores e Corvo, só seriam, oficialmenta, descobertas em 1452, por Diogo de Teive.

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"A ideia que temos de um paraíso na Terra é quase sempre uma ilha. Mesmo quem vive em alguma sonha-o sempre em outra, muito longe. E nos Açores há nove, porque, como muitas outras, estas ilhas são as mais belas do Mundo. Há quem pense que já se sabia da sua existência antes de aqui chegarem portugueses, no século XV, mas essa crença tem o valor histórico de uma fábula. Nas cartas náuticas desse tempo era costume desenhar ilhas imaginárias nas lonjuras desconhecidas dos mares, dando-lhes nomes de lendas e de mistérios. Faltando muitas informações à nossa curiosidade acerca do seu descobrimento, até a carta do maiorquino Gabriel de Valsequa, feita em 1439, e que vale como certidão de nascimento do arquipélago, sofreu um borrão de tinta que ocultou parte do nome do descobridor, o qual, antes disso, o também maiorquino Pasqual interpretara, já com muita dificuldade, como sendo Diego de Guullen. (Tê-lo-á influenciado a semelhança deste nome com o de Gullén de las Casas, que foi feito senhor das Canárias em 1437?...) No entanto, e apesar de várias outras hipóteses, é geralmente aceite a opinião do historiador Damião Peres de que o descobridor dos Açores terá sido Diogo de Silves, em 1427."

Texto de Daniel de Sá (que ouso publicar como enriquecimento do que foi dito)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

AS ILHAS DE BRUMA

ILHAS DE BRUMA

Ainda sinto os pés no terreiro
Em que meus avós bailhavam o pezinho,
A bela aurora e a sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos.
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[REFRÃO]
Por isso é que eu sou das ilhas de brumas
Onde as gaivotas vão beijar a terra
Por isso é que eu sou das ilhas de brumas
Onde as gaivotas vão beijar a terra.
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Se no falar, trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.
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[REFRÃO]
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Trago o roxo, a saudade, esta amargura
Só o vento ecoa mundos na lonjura
Mas trago o mar imenso no meu peito
E tanto verde a indicar-me a esperança.
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[REFRÃO]
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É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
Tenho verde, tanto verde, tanta esperança.
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Letra e música: Manuel Medeiros Ferreira
Intérpretes: Paulo Andrade, Susana Coelho,
José Ferreira, Luís Gil Bettencourt
Álbum: “7 ANOS DE MÚSICA

quinta-feira, 24 de maio de 2007

As ilhas dos Açores

Tive a sorte de, no ano de 1999, a vida me levar à Ilha de S. Miguel. Fiquei rendida à sua beleza.
Conheci, depois, mais quatro das nove ilhas do Arquipélago dos Açores. Todas diferentes... todas lindíssimas!
Este blogue é dedicado a essas ilhas. Porque não gostaria de ter morrido sem tê-las conhecido.
Aos açorianos e a todos que, um dia, forem aos Açores, peço uma única coisa:
POR FAVOR, RESPEITEM A NATUREZA PURA DAS ILHAS ENCANTADAS!!!