sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Vamos "Cantar às Estrelas"?

Igreja Matriz (N. Sr.ª da Estrela)
Foi no ano 2000 que, estando a trabalhar na sala dos professores da minha escola, ao fim da tarde, ouvi pela primeira vez alguém dizer que, à noite, iam cantar às estrelas. Fiquei agradavelmente surpreendida. Coisa linda: cantar às estrelas...
Soube depois que se tratava da Festa de Nossa Senhora da Estrela, cuja imagem deixa por umas horas a Igreja Matriz e sai à rua, até à Câmara Municipal, onde o povo se reúne para a festejar.
Lembro-me que havia vários grupos que, juntando-se na Ribeira Seca, percorriam a Rua Direira (Rua El-rei D. Carlos I), tocando, cantando e recebendo presentes (comida e bebidas) de alguns dos moradores, enquanto se dirigiam aos Paços do Concelho. Aí se encontrava um palco, onde actuavam os grupos, filmados pela RTP Açores.
Penso que, pelas 5 horas da manhã se celebrava missa. Aliás, tenho a ideia de que a maior parte das missas das festas religiosas se celebravam a esta hora. Nunca percebi porquê. Ou melhor, tentei arranjar uma explicação: o hábito de, no passado, os agricultores estarem habituados a começar o trabalho muito cedo, mesmo nos dias que se seguiam às festas.

Nos dias seguintes (ou anteriores?), nalgumas aldeias e durante a noite, ouvia-se ao longe o canto difuso de grupos de cantadores. Receio estar a confundir e até agradeço que alguém me esclareça. Penso que esta festa "das estrelas" encerra o período natalício e, portanto, é mais lógico que esses cantares nocturnos se realizem entre o Natal (ou Ano Novo) até agora.

Lamento não ter conseguido encontrar as fotografias que tenho da festa para as poder pôr aqui.

Ficam estas que, apesar de não serem boas, dão uma ideia da cidade da Ribeira Grande, que acho muito bonita.

Para terminar, um recado para uma amiga (?) que, mazinha como as cobras, teve o desplante de me mandar, pelas 13h18m de hoje, a seguinte mensagem: "Aqui estou eu a comer uma malassada!".

Come agora outra, por mim, e canta "até que a voz te doa" às estrelas... Há lá coisa mais poética!...

Uma noite em grande para todos os ribeiragrandenses e visitantes!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

PORTO.31.Janeiro.1891

“Nesse dia, cerca das duas horas e meia duma daquelas manhãs, nevoentas e frias, tão frequentes no Porto durante a estação invernosa, no profundo silêncio da cidade adormecida”… assim começa Basílio Teles, na lúcida análise que é “Do Ultimatum ao 31 de Janeiro – Esboço de História política”, o relato do 31 de Janeiro.

[Leia o texto completo (lá aparecem dois Açorianos ilustres) em:

http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/]

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Manuel Alegre no Clube dos Pensadores

Numa feliz iniciativa do Clube dos Pensadores, Manuel Alegre esteve ontem, em Gaia, para debater o tema "O Sistema político: alternância e alternativas".
Se quiser ler a sua intervenção inicial, vá a http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/
Vale a pena. Talvez mais tarde, possa contar-vos o mais importante da participação do grande número de intervenções dos presentes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Os meus cantinhos açorianos

"Não se descobrem novos oceanos se não se tiver coragem de perder a terra de vista." André Gide
Esta foi uma das imagens que guardei da minha primeira viagem a S. Miguel. Ali, nas Sete Cidades, junto àquela casa (Que bela estalagem daria!), apenas nevoeiro... Não se via "um palmo à frente do nariz" e, de repente, surge do meio da bruma o burrico, o homem e as vasilhas do leite. Entendi todo o mistério da brumas: o que encobrem e o que mostram. Foi um momento mágico, quase irreal, que nunca mais esqueci.

[1]

Foi em Abril de 1999. Estava de licença sabática e pude permanecer, na Ilha, três semanas. Dias de encantamento e o sentimento estranho de que tinha encontrado, finalmente, o “meu lugar”.

[2]

Voltei mais vezes, até que me mudei de vez. Nunca me arrependi. A paisagem de quadrados verdes luminosos, negros, suaves ou fortes, acompanhando o movimento das nuvens. As flores… o tempo das azáleas, dos jarros, das hortênsias, das conteiras, das beladonas (Meninos, p’rá Escola!) e de todas as outras. As caldeiras e fumarolas...

[3]

As lagoas e os seus mistérios… a permitirem experiências quase místicas. Os pássaros… os bandos de estorninhos, os milhafres, os melros, os santantoninhos, os cagarros, as alvéloas. E as plantinhas a que, antes, não prestava grande atenção e das quais não sabia o nome, como a bem-cheirosa madressilva ou o saboroso poejo.

Ah! O mar… lindo de morrer! O desejo de nele ficar, quando nadava. O bem que me sentia… Chegava a pensar: Será assim que os bebés se sentem no líquido amniótico?
A fruta… o ananás (personalizado e único), os capuchos (que aqui encontro sob o nome de phisalys e caríssimos), os maracujás, as enormes anonas, os araçás . E o chá, e o bolo de sertã, e a massa sovada, e as queijadas, e os bolos lêvedos das Furnas, e as “fofas” da Povoação. E a carne e o peixe… de óptima qualidade. E a manteiga, e os queijos, e os iogurtes, e o cheirinho do leite do dia a ferver. É preciso dizer mais?
Senhor Santo Cristo e Espírito Santo, os Romeiros… O artesanato e a surpreendente oferta cultural duma cidade como a Ribeira Grande. Assisti a espectáculos, de teatro e música, muito bons; confirmei a natural tendência dos açorianos para as Artes; descobri escritores que ocupam, hoje, um lugar de destaque na minha modesta biblioteca. Li “Saudades da Terra”, do Gaspar Frutuoso. Amei, ainda mais, o meu Antero de Quental, que considero um dos maiores vultos da cultura portuguesa e um ser humano extraordinário.
Com amigos, voei para as outras ilhas… todas lindas!!! Faltam quatro, mas lá irei. Fiz caminhadas enormes e esplendorosas com “Os Amigos dos Açores”. Acreditei estar no PARAÍSO.
Mas… a vida não pára. Tive de voltar ao Porto. Houve amigos que vieram também. Alguns ficaram. Mas do meu coração não saem mais. A eles devo o muito que conheci dessas ilhas espantosas [as “nossas ilhas”], o carinho e o “ombro” amigo sempre que precisei, as “tertúlias”, em amena ou acesa discussão, as petiscadas bem-humoradas; com eles partilho a saudade desses anos e da nossa aventura açoriana.
Para aguentar as saudades, tenho a casa cheia daquilo a que chamo “os meus cantinhos açorianos”. Tirei algumas fotografias para que vissem.
As quatro obras-de-arte numeradas são da autoria de uma dessas amigas que também voltou. A Elsa teve o cuidado de pôr a sua arte ao serviço da minha (também sua) paixão pelos Açores. É uma boa amiga… como os outros todos, cada um a seu modo.
Como já ficou provado, os que ficaram estragam-me com mimos. Gosto mesmo muito de vocês todos! Para sempre!
[4]

Não nasci nos Açores, é verdade. Mas…

Sou uma continental rodeada de Açores por todos os lados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Ah! Mònim dum corisco!

Onésimo Teotónio Almeida
Há muito que desejava ler o “Ah! Mònim dum Corisco!”, de Onésimo Teotónio Almeida.
Felizmente, uns amigos encontraram-no na Feira do Livro, em Ponta Delgada, e trouxeram-mo (acompanhado de mais alguns, mas só de escritores açorianos), no Natal.
É, de facto, uma delícia. Ainda me lembro dum espectáculo excelente do “Pontilha”, no Teatro Ribeiragrandense, nele inspirado, aquando do lançamento de uma outra obra deste autor.
***
Começa com os seguintes versos cantados com a música da “Charamba” da Terceira:
***
Boa noite, meus senhores,
Senhoras e belas flores
Que aqui estão neste salão.
Para vós vou eu cantar
E a todos quero saudar
Do fundo do coração.
***
Hai! Gudívnim, Gudenaite, [Hi! Good evening, good night]
Vocês ‘tão todos òráite, [Vocês estão todos all right]
Luke! Yu bérabi, camâne! [Look! You better be, come on]
Vamos ter um naice shó, [Vamor ter um nice show]
Que até no Cirió [Que até no City Hall]
Vão dizer:Sanavagâne! [Vão dizer:Son of a Gun!]
***
Coro:
Ah! Mònim dum corisco! [Ah! Dinheiro dum corisco!]
***
Passaram-se milhas,
Ficaram as ilhas
Tão longe, pra lá;
E a gente que veio
Ficou de permeio,
Nem além nem cá.
É outra esta terra,
É outra esta gente,
E o Joe, que era Zé,
Lá dentro até sente
Que agora já é
Nas ilhas ausente;
Mas sabe também
Que ainda não tem
Aqui o seu pé
Seguro e assente.
Ausente-presente,
Quer cá como lá,
Aquém como além,
Ao meio partido,
O Joe que era Zé,
Não sabe se até,
Assim dividido,
É um dois ou três,
João ou Jànim, [Johnny]
Se Frank ou Francisco;
E ignora outra vez
Que a culpa, enfim,
É só do mònim,
Mònim dum corisco!
***
Enfim... a aventura do emigrante açoriano na América. Mas bom mesmo, para mim, foi relembrar frases e expressões como estas:
***
“Mamã que vá que eu fico cá fora de guarda.”
“... eles não vam dá os papeles amaricanos...”
“Eh, home, pela tua saúde. Deixa-me as políticas da mão.”
“Como é agora isso?”
“... quer dizer que os homens e as mulheres é iguales...
- Tava aí um bonito trabalho!”
“Ah, senhora, ...”
“Corisca mulher aquela!”
“E é amanhar.”
“Meu sogro está a sonhar alto. (...) O meu sogro deixe lá isso.”
***
Que saudades do falar michaelense!... E que comovente as preocupações do Tio Costa:
***
“Eh, home! E se a América entra em guerra com Portugal, por que lado é que a gente tira parte?”
[...]
Diálogo entre a Tia Evangelina e o Tio Costa:
“ - Eh, home? Para que é agora que foste perguntar se podias jurar a bandeira amaricana com uma mão na algibeira do casaco?
- Ó mulher, é porque eu tenho cá uma coisa cá dentro por causa desse juramento. Eu penso na minha rica terra onde eu nasci...
- E ó depois, vai daí?
- Era que se eu pudesse estar com uma mão na algibeira do casaco quando eu estivesse a jurar, eu levava comigo escondido na algibeira uma bandeirinha portuguesa pequenina e agarrava-a com a mão. Ninguém desconfiava. Da boca para fora era para a amaricana, mas cá para mim, não pegava nada, que a nossa é que contava!”
***
Lindo, Tio Costa!!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

UM BOM DIA DAS AMIGAS!

Cumprindo a tradição da "nossa Ilha", juntamo-nos através deste blogue. Não podemos jantar juntas... as quatro espalhadas por quatro cidades diferentes. Mas S. Miguel e os Açores vão fazer, para sempre, parte das nossas vidas e dos nossos amores. Uma vida feliz para todas!
Para quem não sabe, festeja-se nesta altura do ano, em quatro quintas-feiras seguidas, o dia dos amigos (para os homens), das amigas (para as mulheres), dos compradres e das comadres (para os respectivos). Não me lembro se a ordem é esta, nem se há mais algum pormenor que desconheça. Agradeço a quem sabe que faça o favor de me explicar.
Não ponho aqui mais fotografias porque não tenho, mas desde manhã que as mensagens, via telemóvel, começaram a chegar. Para as amigas que aqui não estão vai também o meu abraço... Que inveja tenho por não poder estar, como vocês e com vocês, no paraíso misterioso das brumas.
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Façam o favor de serem felizes!

domingo, 13 de janeiro de 2008

PARABÉNS A TODA A FAMÍLIA

Cada criança que nasce é uma semente de esperança.

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Que o Tiago venha a ser muito feliz e herde os dotes da família. Vai ser um miúdo fantástico.

Parabéns à família, especialmente à mãe (que é, e será sempre, o "porto de abrigo") e ao "avô babado", o meu querido amigo Daniel de Sá.

*Elisabete*

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Se não fossem as pequenas alegrias...

Encontrar seja o que for que diga respeito às ilhas dá-me uma alegria imensa. Sinto, dolorosamente, a falta do muito de bom que nelas há. Por isso, vou-me contentando com o que aparece sem eu contar. Claro que prefiro gastar o leite, a manteiga, o queijo, o atum e o ananás açorianos. Quanto ao resto não é fácil de encontrar.
Agora, calculem o que senti quando, no Pingo Doce a dois passos de casa, dou de caras com as embalagens castanhas dos "Carrilhos", fabricados em Vila Franca do Campo pela "Garçataínha". E também de biscoitos caseiros e de côco. Levei dos três para provar. Todos bons: os caseiros, mais leves e menos doces, engordam menos; mas... os carrilhos são deliciosos. Já viciei toda a família. São de "comer e chorar por mais". Há dias, foi a vez do chá. Estava sempre a barafustar por não encontrar à venda o chá dos Açores. É verdade que os amigos daí me vão abastecendo, mas custa-me incomodá-los. Desta vez, foi o Continente a surpreender-me. Já tem chá do Porto Formoso. Espero que, em breve, tenha também da Gorreana. Afinal, são ambos deliciosos.
E este "bonito" de S. Jorge? Muito bom, MESMO!!!
Vê-se logo que sou gulosa. Não nego. Gosto de comer coisas boas e ainda mais quando estão associadas aos meus afectos.
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Para não ficar só pela Gastronomia, vou transcrever uma notícia publicada na revista TEMPO LIVRE, do INATEL. Aqui vai:
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TURISMO PARA TODOS – AÇORES 2008
Por iniciativa de S. Ex.ª o Presidente do Governo Regional dos Açores, o Orçamento da Região Autónoma para 2008 criou o Programa Turismo para Todos/Açores, com gestão do Inatel, destinado a proporcionar férias, nas épocas baixa e média da hotelaria e restauração, a mil concidadãos açorianos carenciados, combatendo, também, o isolamento decorrente da dupla ou tripla insularidade.
[…] instrumento de coesão social e inter-ilhas, de combate ao isolamento económico ilhéu, empresarial e local. É, para o Inatel, uma honra haver merecido do Governo Regional dos Açores a confiança para este novo e estimulante desafio.
Decorrem, também, negociações com o Governo Regional e os Municípios de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, no sentido da criação de centros de férias em S. Miguel, Terceira e Faial, assim como nas Flores e na Graciosa, ilha que a UNESCO acaba de classificar como reserva natural de biodiversidade. (*)
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Sou sócia do INATEL e tenho uma enorme admiração pelo trabalho desenvolvido por esta instituição. Para além dos centros de férias, com óptimas condições e localizados em locais lindíssimos, investe na cultura, na recuperação do património, no desporto, etc.
Quando apresentou um projecto para exploração do Teatro Rivoli (como acontece, em Lisboa, com o Teatro da Trindade, onde executa um repertório de excelente qualidade), fiquei deveras desapontada ao saber da preferência, do Presidente da Câmara do Porto, pela candidatura de Filipe La Féria.
O INATEL tem, talvez como grande objectivo humanitário e social, o chamado "turismo sénior", que proporciona viagens e férias aos mais velhos a preços especiais, de acordo com os seus rendimentos. Se eu, e outros com rendimentos idênticos ou superiores, quisermos participar nessas actividades, pagamos o máximo. Acho isso muito justo. Muitas dessas pessoas tiveram vidas de trabalho e de dificuldades, sem nunca terem tido a possibilidade de "sair do seu canto". É bom podermos adoçar-lhes um pouco os anos finais das suas vidas.
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(*) "As ilhas do Corvo e da Graciosa, nos Açores, foram classificadas pela UNESCO como Reservas da Biosfera, na sequência de uma candidatura apresentada pelo Governo Regional.
A classificação de uma zona como Reserva da Biosfera tem como principal função a defesa e protecção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentado e o conhecimento científico.
Este estatuto permitirá reorientar as decisões ao nível da gestão, compatibilizando a preservação da biodiversidade com a presença humana.
Com esta classificação, Portugal passa a ter três Reservas da Biosfera, sendo que, até agora, o país dispunha de uma única zona com tal estatuto – a Reserva Natural do Paul do Boquilobo (Golegã).
"No site da UNESCO, é dito sobre o Corvo que 'a reserva inclui a massa de terra e toda a área marítima circundante. Centenas de anos de agricultura e criação de gado criaram uma paisagem de significante importância cultural'.
Sobre a ilha Graciosa, o mesmo site diz que 'a reserva inclui os habitats costeiros e as florestas verdejantes onde vivem numerosas espécies de aves, morcegos, moluscos eantrópodes. Agricultura, produção de vinho e criação de gado são as formas tradicionais de sustento dos habitantes desta ilha culturalmente diversificada'."

domingo, 6 de janeiro de 2008

As Coisas que Vamos Perdendo

Ribeira Grande

O Café Central, enquanto vivi na Ribeira Grande, era de facto uma espécie de ponto de encontro de amigos e das pessoas que, por qualquer razão, visitavam a cidade.

Gostava de ir até lá tomar o meu café e ler o Açoriano Oriental ou um livro. À noite, quase sempre me encontrava com colegas e amigos em animadas discussões.

Entrar no Central e ser acolhida pelo sorriso aberto do Sr. Paulo (o Paulinho: sempre bem dispoto e pronto a ajudar o próximo), encontrar na mesa do costume o Dr. Sampaio e os seus amigos, "dar dois dedos de conversa" à D. Zélia se estivesse em "dia sim", fazia com que me sentisse em casa.

O café funcionava, também, como sala de visitas das personalidades que gravavam programas para a RTP Açores ou participavam em espectáculos, no Teatro Ribeiragrandense. Tanto podíamos tropeçar no Onésimo, como na Filipa Pais ou no Zeca Medeiros. Estávamos sempre bem informados das actividades culturais, a que na generalidade não faltávamos.

Quando, há mais ou menos ano e meio. lá entrei não reconheci o "meu café". Já sabia das mudanças mas... mesmo assim foi um choque. Agora, se bem me lembro... até já nem existe.

Sei que "o mundo é composto de mudança" e que nada é para sempre, mas ver desaparecer os lugares que, num dado momento, fizeram parte do nosso quotidiano, é como se com eles partisse uma parte de nós.

Enfim... deu-me para a saudade do Café Central. Apenas uma das muitas coisas, da "minha ilha", de que tenho saudades.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal 2007 * Ano 2008

A MINHA MENSAGEM DE NATAL

[...]

Mais império menos império,

mais faraó menos faraó,

será tudo um vastíssimo cemitério,

cacos, cinzas e pó.

*****

Compreende-se.

Lá para o ano três mil e tal.

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E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

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António Gedeão, Poema do Alegre Desespero

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O nosso mundo está a viver, quer queiramos quer não, um período revolucionário da trajectória da Humanidade. Enfrenta, dolorosamente, desafios nunca sonhados. É hora de parar e reflectir.
Independentemente das religiões professadas, a maior parte do mundo ocidental festeja o Natal. Mas o Natal não pode resumir-se aos presentes, às ruas iluminadas, ao bacalhau, às rabanadas e ao bolo-rei... ou a qualquer outra tradição.
Por acaso pensamos no que estamos a festejar? Todos dirão: o nascimento de Jesus Cristo. Só que o nascimento dum homem bom [ou do Filho de Deus, se preferirem ] deve, acima de tudo, levar-nos a reflectir na mensagem que deixou. Longe de estar ultrapassada, ela indica o caminho a seguir, HOJE, se queremos sobreviver no nosso planeta.
Afinal, como têm vivido os homens: uns com os outros ou uns contra os outros?
Começamos por descobrir que as palavras de ordem da sociedade dominante, a sociedade ocidental baseada na competição, conduzem a colectividade humana à catástrofe. O futuro é, hoje, ditado pelos banqueiros. Para resolver os seus problemas, as nossas sociedades recorrem a um processo que crêem mágico: o CRESCIMENTO. Consumamos sempre mais e tudo correrá da melhor maneira. As consequências dessa visão estão debaixo dos nossos olhos: uma Terra maltratada, onde sobressaem graves desequilíbrios ambientais e um esgotamento dos recursos; sociedades profundamente desiguais, ilustrativas da injustiça e da exploração de homens por outros homens.
Jesus Cristo [como mais tarde, Francisco de Assis e também, à sua maneira, os seguidores do Budismo e do Socialismo (o autêntico) e muitos outros impossíveis de identificar aqui], ousou dizer não ao dinheiro, ao egoísmo, ao poder, à violência, à guerra; ousou dizer sim ao amor, ao respeito pelo próximo, à ideia de que o Homem habita um Universo comum, que com ele forma um todo e de cuja harmonia depende a sua sobrevivência.
Esta é a preciosa herança que Cristo nos legou. A que talvez valha a pena seguir para bem de nós todos.
Os tempos vão sombrios... O futuro?....... ??????????????

Para todos:

UM BOM NATAL!

UM 2008 MAIS JUSTO E SOLIDÁRIO!!!

Fonte: Ensaio sobre a Pobreza de Albert Jacquard

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As tradições portuguesas

Por alturas do Natal, quando vivia na Ribeira Grande, comecei a reparar numas tacinhas com lindas plantas verdes que as empregadas da Escola onde leccionava, colocavam na sala dos professores. Claro que tentei logo saber o que aquilo era. Disseram-me que se tratava duma tradição natalícia e explicaram-me como se procedia à sementeira do trigo e da ervilhaca. Fui logo comprar as sementes e experimentei. A partir daí, as "searas" fazem parte do meu Natal, primeiro em S. Miguel, agora no Porto.
Claro que pensava tratar-se duma tradição açoriana. Qual não é o meu espanto quando ao entrar numa igrejinha em Querença (Loulé), encontrei o presépio que fotografei e aqui publico.
Agora sei que se trata duma tradição, inicialmente algarvia, que madeirenses e açorianos adoptaram. Estes, se não estou confundida, tê-la-iam levado para Santa Catarina (Brasil), povoada maioritariamente por casais açorianos.
É linda esta capacidade de levarmos connosco, para todo o lado, aquilo que nos é querido. Um povo com memória é um povo com Alma.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Porto recebe os Açores

S. Miguel - Lagoa do Fogo

Porto - Rotunda da Boavista - Monumento à Guerra Peninsular

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Recebi, da “Associação para a Medicina, as Artes e as Ideias”, com sede na Rua do Campo Alegre, no Porto, um convite para o Jantar Comemorativo do seu 5º Aniversário.
Reparem na ementa! Deliciem-se e fiquem orgulhosos! Eu fiquei, acreditem.
Simplificando, reza assim:
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Um jantar especial...
A História
A viagem aos Açores, no passado mês de Maio, a propósito da Rota do Chá, torna o Jantar Comemorativo do 5º Aniversário da AMAI ainda mais especial. Para partilhar connosco o mistério do encantamento das Ilhas, os caprichos da Terra Vulcânica e a surpreendente e sofisticada gastronomia que daí resultam, desloca-se ao Porto a Chefe Guiomar Correia, do Restaurante “A Colmeia” (Hotel do Colégio), em Ponta Delgada. Com a ementa, que cuidadosamente preparou, chegam até nós especialidades açorianas únicas – muitas delas inexistentes no circuito comercial – e um toque mágico a Natal.
*
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A Ementa
Chicharro de S. Miguel Recheado, com Vinagreta de
Pimenta da Terra
Verdelho do Pico
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Cornucópia de Frutos do Mar dos Açores
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Lombo de Cherne com Ouriço-do-mar, em molho de pétalas
de açafroa e puré de inhame
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Nacos Extra de Novilho dos Açores IGP, com papas de carolo no forno e abóbora assada em vinho verdelho do Pico
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Troucha de Queijo velho de S. Miguel, com Banana e
Compota de Araçá
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Mousse de Anona, Trufa de Ananás e Coulis de Uva da Serra
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Bolo de Natal; Amendoins Cobertos
Licor de Tangerina
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Os Vinhos
Vinhos da Herdade do Perdigão – Portugal cum laude
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Depois deste jantar, acho que vou participar num dos fins-de-semana temáticos da Associação: Um passeio de Burro, em Trás-os-Montes.
Imaginação e qualidade não lhes falta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Pianista que gostava de saber pintar

GABRIELA CANAVILHAS
“[...] Não posso deixar de desabafar outra problemática, que é sentir na sociedade em geral, nos públicos, nos parceiros, nos patrocinadores, um aligeiramento das fasquias.” “Cada vez mais nos é pedido para baixar o nível, para fazer música soft, música light, tocar com os grupos rock, com o fado. Acho lindamente fazer projectos com música ligeira, mas não pode ser esse o objectivo da orquestra. Queremos apresentar repertórios que exijam trabalho mental do público. A maior parte dos nossos patrocinadores são compradores de concertos. Fazem protocolos em que nos patrocinam com determinada verba e em troca têm “x” concertos, ou então patrocinam-nos para um concerto “x”, onde gostam de ter uma palavra. O que eu critico é o nível cultural que nos pedem, para nivelar por baixo em vez de sermos motores do desenvolvimento e obrigarmos o público a subir os seus níveis de exigência. Quando o público é confrontado com obras de muita qualidade, mesmo que sejam difíceis, rende-se. Ninguém pode não gostar daquilo que não conhece.”
“[...] porque não se pode só governar ao gosto do público, tem também de se estabelecer paradigmas para criar nova massa crítica. [...]
Acho que tenho um cargo político. Quando se interage com a sociedade está-se a fazer política. A política é muito aliciante desde que seja para melhorar a vida das pessoas, para genuinamente fazer a diferença.” [...] Quando for grande quero saber pintar.”
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Esta é a mulher que, a 7 de Outubro passado, disse o que se transcreveu acima numa longa entrevista ao Notícias magazine. Chama-se GABRIELA CANAVILHAS, é pianista com 7 discos editados, venera Schubert e é açoriana. Deu uma nova vida à Orquestra Metropolitana de Lisboa que, em 2003, encontrou numa situação financeira “devastadora”. É presidente da Associação Música – Educação e Cultura que gere duas orquestras (a Metropolitana de Lisboa e a Orquestra Académica Metropolitana) e dois estabelecimentos de ensino: a nível superior, a Academia Nacional Superior de Orquestra; a níveis básico e secundário, o Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa. São fundadores da AMEC a Câmara Municipal de Lisboa, os ministérios da Cultura, da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social /Inatel e as Secretarias de Estado do Turismo e da Juventude e Desporto.
Se todos os que ocupam cargos públicos tivessem o grau de exigência desta artista açoriana, tudo no país estaria bem melhor. Grande mulher! E, ainda por cima, linda.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Novo Livro de Cristóvão de Aguiar

Cristóvão de Aguiar apresentará no sábado, 10 de Novembro de 2007, pelas 21 h, na Casa dos Açores do Norte (PORTO), a obra, editada pela Almedina,
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A Tabuada do Tempo - A lenta narrativa dos dias
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Cristóvão de Aguiar nasceu no Pico da Pedra, concelho de Ribeira Grande, ilha de S. Miguel (Açores), em 1940. Frequentou a Escola Primária no Pico da Pedra, terminou o Curso Complementar no Liceu Nacional de Ponta Delgada (1960) e licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1968).
Fez a Guerra Colonial, na Guiné, entre 1965 e 1967.
Foi professor em Leiria (1969-72) e redactor da revista Vértice (1967-82). É, desde 1972, Leitor de Língua Inglesa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, cidade onde reside. Como escritor recebeu o prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa (1978), para Raiz Comovida I, a Semente e a Seiva; o Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/CMP (1999), para Relação de Bordo I; o Prémio Nacional Miguel Torga/Cidade de Coimbra (2002), para Trasfega, casos e contos.
Foi agraciado, em Setembro de 2001, com o grau de comendador da Ordem Infante Dom Henrique, pelo Presidente da República.
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Para quem não conhece, aqui fica, o início de A Semente e a Seiva (da trilogia Raiz Comovida):

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O dia de cozedura de Vavó Luzia calhava sempre à sexta-feira; o chão da cozinha, revestido de tijolos vermelhos, que nos outros dias da semana se podia varrer com a língua, ficava, nesse dia, num verdadeiro esparrame: os molhos de lenha de ramada e de tremoceiros atados com um baraço de tabuga, emedados ao pé do talhão da água, os alguidares de barro da Vila em cima da amassaria, a massa levedando que era um louvar a Deus (ela nunca se esquecia de a benzer e encomendar no fim da amassadura, ao acrescentar-lhe o fermento) e Vavó, lenço pela testa e amarrado atrás, na nuca – a cova do ladrão -, numa dobadoira viva, as faces tintas do lume, ora tendendo o pão já lêvedo, ora botando lenha no forno para o esquentar. Todas as manhãs que Nosso Senhor botava ao mundo, no meu caminho para a escola do senhor professor Anacleto, o Caniço, por ser acrescentado em tamanho e escanzelado de carnes, era certo como a Igreja que tinha paragem obrigatória na tenda de tanoeiro de meu avô José dos Reis, à ilharga esquerda da casa, pedia-lhe a bênção, Vavô subença, Deus te abençoe, meu rico home, e, enquanto o diabo esfregava um olho e coçava o rabo pelado, dava eu meia volta pelas traseiras e ia direito à cozinha, onde seria milagre não se encontrar Vavó Luzia na lida das panelas, da lavação ou, se era dia azado, no cerimonial da cozedura do pão trigo e do pão de milho, dos bolos de rala e dos biscoitos feitos da rapadura dos alguidares, rijinhos, famosos para se migar na tigela de barro vidrado, da Lagoa, cheia de chá com leite.

sábado, 27 de outubro de 2007

ZECA MEDEIROS

O Zeca é um pássaro. Ele canta, encanta, inventa e reinventa, sem nunca cansar quem o ouve - e quem o vê. Porque ver o Zeca é tão importante como ouvi-lo [...] na entrega, no modo inteiro como interpreta as suas canções de amor e mágoa, esperança e desencanto e saudades de um futuro em que não desiste de acreditar, mesmo se o presente tantas vezes parece empenhado em desmenti-lo. [...]
Ainda por cima, o Zeca é uma das melhores pessoas que me foi dado conhecer e ter como amigo, o que não é nada despiciendo nestes tempos em que a honra e a verticalidade são tão desprezadas, em contraponto com a leviandade e a hipocrisia, convertidas em valores instituídos da sociedade do faz-de-conta em que nos querem fazer viver.”
Viriato Teles
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José Medeiros, o Zeca Medeiros, nasceu em Vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, em 1951. Para além de realizador de televisão, é cantor, compositor, letrista, actor. Portanto... um homem cheio de talentos.
Funcionário da RTP Açores, desde 1976, realizou trabalhos televisivos como: “Xailes Negros” (1986); “Sete Cidades - A Lenda do Arcebispo” (onde se desdobra como compositor, letrista e intérprete; “Gente Feliz com Lágrimas”, série baseada no romance homónimo de João de Melo; “O Barco e o Sonho”, adaptação da novela com o mesmo nome de Manuel Ferreira. Esteve presente nas bandas sonoras de “Mau Tempo no Canal” e “Feiticeiro do Vento”.
Entre outros, gravou “Cinefílias e Outras Incertezas” que deu origem a um espectáculo, que tive o privilégio de ver, no Teatro Ribeiragrandense e achei fabuloso.
Com o CD “Torna Viagem”, conquistou o Prémio José Afonso, em 2005.
Recentemente, foi o Cipriano (e que pena “morrer” tão cedo) na telenovela “Ilha dos Amores”, ainda a passar na TVI.
Gosto muito de o ouvir cantar e reconheço nele um enorme talento. Presto aqui, apenas, uma pequena homenagem a um “filhos de S. Miguel” que engrandece tanto os Açores como o País.
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CANTIGA DA TERRA
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Quero ver o que a terra me dá
Ao romper desta manhã
O poejo, o milho e o araçá
A videira e a maçã.
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Ó mãe de água, ó mãe de chuvas mil
Já não quero o teu aguaceiro
Quero ver a luz do mês de Abril
A folia no terreiro.
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E vou colher inhames e limões
Hortelã e alecrim
E vou cantar charambas e canções
P´ra te ver ao pé de mim.
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E nos requebros deste teu “bailhar”
Quero ser o cantador
E vou saudar a várzea desse olhar
Ao compasso do tambor.
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Zeca Medeiros (intérprete e autor da letra e da música )

sábado, 20 de outubro de 2007

A "minha" ilha

A Ilha Do Meu Fado
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Esta ilha que há em mim
E que em ilha me transforma
Perdida num mar sem fim
Perdida dentro de mim
Tem da minha ilha a forma
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Esta lava incandescente
Derramada no meu peito
Faz de mim um ser diferente
Tenho do mar a semente
Da saudade tenho o jeito
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Trago no corpo a mornaça
Das brumas e nevoeiros
Há uma nuvem que ameaça
Desfazer-se em aguaceiros
Nestes meus olhos de garça
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Neste beco sem saída
Onde o meu coração mora
Oiço sons da despedida
Vejo sinais de partida
Mas teimo em não ir embora
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Letra: João Mendonça
Música: Zeca Medeiros
Intérprete: Dulce Pontes
... "Mas teimo em não ir embora"...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

AÇORES: o Paraíso por 9 ilhas repartido

"Sonha-se o Paraíso. Ele existe. Sonham-se nove paraísos. Eles existem. Sonha-se ir lá. E fui. [...] Vim com os olhos rasos de espanto e o coração pleno de gratidão, por trazer comigo para sempre, tudo o que vi e senti."

Maria da Graça Queiroz, in Tempo Livre (Revista do Inatel)