segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

EDUARDO BETTENCOURT PINTO

Eduardo Bettencourt Pinto nasceu na Gabela, Sul de Angola, em 1954. Viveu em vários países após 1975, residindo actualmente no Canadá. É funcionário estadual, consultor informático e editor da revista literária “Seixo review”, na Internet. Escreve para publicações no Canadá, Estados Unidos, Portugal e Brasil. Publicou vários livros de poesia e ficção. ******************** Graças ao Urbano Bettencourt, descobri este outro Bettencourt, cuja família, presumo, é originária do Nordeste.
Dele diz Urbano: É por isso que me sinto grato ao Eduardo Bettencourt Pinto pela sua poesia destes anos, com a qual ele nos tem revelado a harmonia do mundo para lá das ruínas e das sombras do quotidiano, ao mesmo tempo que com ela fomos descobrindo outros sentidos para a língua que falamos.
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Um Amigo
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Há uma casa no olhar
de um amigo.
Nela entramos sacudindo a chuva.
Deixamos no cabide o casaco
fumegando ainda dos incêndios do dia.
Nas fontes e nos jardins
das palavras que trazemos
o amigo ergue o cálice
e o verão
das sementes.
Então abre as janelas das mãos para que
cantem
a claridade, a água
e as pontes da sua voz
onde dançam os mais árduos esplendores.
***
Um amigo somos nós, atravessando o olhar
e os véus de linho sobre o rosto da vida
nas tardes de relâmpagos e nos exílios,
***
onde a ira nómada da cidade arde
como um cego em busca de luz.
Eduardo Bettencourt Pinto, "Da Outra Margem"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Era um génio e era um santo"

ANTERO DE QUENTAL
[Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842
Ponta Delgada, 11 de Setembro de 1891]

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TENTANDA VIA
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I
***
Com que passo tremente se caminha
Em busca dos destinos encobertos!
Como se estão volvendo olhos incertos!
Como esta geração marcha sozinha!
***
Fechado, em volta, o céu! o mar, escuro!
A noite, longa! o dia, duvidoso!
Vai o giro dos céus, vem vagaroso...
Vem longe ainda a praia do futuro...
***
É a grande incerteza, que se estende
Sobre os destinos dum porvir, que é treva...
É o escuro terror de quem nos leva...
O futuro horrível que das almas pende!
***
A tristeza do tempo! o espectro mudo
Que pela mão conduz... não sei aonde!
– Quanto pode sorrir, tudo se esconde...
Quanto pode pungir, mostra-se tudo. -
***
Não é a grande luta, braço a braço,
No chão da Pátria, à clara luz da História...
Nem o gládio de César, nem a glória...
É um misto de pavor e de cansaço!
***
Não é a luta dos trezentos bravos,
Que o solo amado beijam quando caem...
Crentes que traz um Deus, e à guerra saem,
Por não dormir no leito dos escravos...
***
É a luta sem glória! é ser vencido
Por uma oculta, súbita fraqueza!
Um desalento, uma íntima tristeza
Que à morte leva... sem se ter vivido!
***
Não há aí pelejar... não há combate...
Nem há já glória no ficar prostrado –
São os tristes suspiros do Passado
Que se erguem desse chão, por toda a parte...
***
É a saudade, que nos rói e mina
E gasta, como à pedra a gota d'água...
Depois, a compaixão, a íntima mágoa
De olhar essa tristíssima ruína...
***
Tristíssimas ruínas! Entristece
E causa dó olhá-las – a vontade
Amolece nas águas da piedade,
E, em meio do lutar, treme e falece.
***
Cada pedra, que cai dos muros lassos
Do trémulo castelo do passado,
Deixa um peito partido, arruinado,
E um coração aberto em dois pedaços!
***
II
***
A estrada da vida anda alastrada
De folhas secas e mirradas flores...
Eu não vejo que os céus sejam maiores,
Mas a alma... essa é que eu vejo mais minguada!
***
Ah! via dolorosa é esta via!
Onde uma Lei terrível nos domina!
Onde é força marchar pela neblina...
Quem só tem olhos para a luz do dia!
***
Irmãos! irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...
Irmãos! irmãos! amemo-nos agora!
***
E vós, que andais a dores mais afeitos,
Que mais sabeis à Via do Calvário
Os desvios do giro solitário,
E tendes, de sofrer, largos os peitos;
***
Vós, que ledes na noite... vós, profetas...
Que sois os loucos... porque andais na frente...
Que sabeis o segredo da fremente
Palavra que dá fé – ó vós, poetas!
***
Estendei vossas almas, como mantos
Sobre a cabeça deles... e do peito
Fazei-lhes um degrau, onde com jeito
Possam subir a ver os astros santos...
***
Levai-os vós à pátria-misteriosa,
Os que perdidos vão com passo incerto!
Sede vós a coluna de deserto!
Mostrai-lhes vós a Via-dolorosa!
***
III
***
Sim! que é preciso caminhar avante!
Andar! passar por cima dos soluços!
Como quem numa mina vai de bruços
Olhar apenas uma luz distante!
***
É preciso passar sobre ruínas,
Como quem vai pisando um chão de flores!
Ouvir as maldições, ais e clamores,
Como quem ouve músicas divinas!
***
Beber, em taça túrbida, o veneno,
Sem contrair o lábio palpitante!
Atravessar os círculos do Dante,
E trazer desse inferno o olhar sereno!
***
Ter um manto da casta luz das crenças,
Para cobrir as trevas da miséria!
Ter a vara, o condão da fada aérea,
Que em ouro torne estas areias densas!
***
É, quando, tem temor e sem saudade,
Puderdes, dentre o pó dessa ruína,
Erguei o olhar à cúpula divina,
Heis-de então ver a nova-claridade!
***
Heis-de então ver, ao descerrar do escuro,
Bem como o cumprimento de um agouro,
Abrir-se, como grandes portas de ouro,
As imensas auroras do Futuro!
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Aconselho ouvir "A NOITE", de
José Mário Branco, com base neste
poema do meu "enorme" e amado Antero

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PORQUE OS AFECTOS SÃO O MAIS IMPORTANTE DA VIDA...

Para todos os meus amigos
e amigas, desejo o que há
de melhor no mundo:
O AMOR PERFEITO!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Porque tudo na vida é política...

Carta Aberta ao Presidente Carlos César
Vivi alguns anos em S. Miguel e apaixonei-me, sem remédio pelas “Ilhas”. Os Açores são, para mim, uma espécie de Paraíso que eu gostaria de ver como símbolo do que é bom e belo no Planeta. Infelizmente, não restam muitos lugares assim.
Os Açorianos, por vezes, pensam que vivem mal, que precisam de se tornar iguais aos outros para serem felizes. Como se enganam! A qualidade da vida que têm é um bem que muitos gostariam de ter. É evidente que há coisas a melhorar e que todas as pessoas têm direito aos bens essenciais e a viver com dignidade.
As notícias que me têm chegado nos últimos dias, contudo, fazem-me temer o futuro das minhas “Ilhas Encantadas”.
Transcrevo apenas excertos de artigos de dois jornais. Quero esclarecer que, nomeadamente no caso do artigo (completo) do Tomaz Dentinho, não me liga ao seu autor qualquer afinidade política. Pelo contrário, faz afirmações e tem opiniões com as quais estou em absoluto desacordo. No entanto, tenho de reconhecer que tem razão nos dois ou três aspectos que cito.
Dirijo-me ao Senhor Presidente porque, apesar de me situar à esquerda do Partido a que pertence, reconheço no senhor um homem de bem, digno e sério. Sobretudo, acredito que quer o melhor para a sua região. No entanto, nem sempre o melhor é o dinheiro (“Ah! Mònim dum corisco!) ou a subserviência.
Por favor, proteja as nossas ilhas da cobiça e dos interesses estrangeiros e da incompetência nacional! Não queira ficar na História por colaborar em verdadeiros atentados, esses sim, contra a Humanidade.
Terá, com certeza, muita gente a apoiá-lo na luta para travar os disparates do Governo Central e a ganância prepotente dos que se julgam senhores do Mundo.
Quero dizer-lhe que uma das coisas que, ainda hoje, mais me magoa é ver o nome dos Açores associado à Invasão do Iraque.
As ilhas dos Açores transmitem harmonia, paz, serenidade, bem-estar. É esse o papel de que a Natureza as incumbiu: o de transmitir aos Homens a esperança de que ainda é possível ser feliz na Terra.
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Face à possibilidade de ser criada nos Açores uma base de treino para os novos caças norte-americanos e para o sistema de armamento de mísseis hipersónicos, “a região está disponível para aceitar que a Base das Lajes tenha novas funcionalidades de futuro, no âmbito da relação bilateral que já existe entre os EUA e Portugal”. Quem o diz ao Destak é o representante do Governo Regional na Comissão Bilateral Permanente do Acordo das Lajes.
André Bradfort acrescenta, no entanto, que “esta hipótese terá de ser avaliada na presença de um projecto concreto” e que ainda é muito cedo para se falar disso. […]
As conversações entre os dois países foram ontem confirmadas pela embaixada dos EUA em Lisboa. Em declarações à TSF, coube ao conselheiro para a imprensa e cultura da Embaixada dos EUA, Wesley Carrington, garantir que “tem havido conversações”, mas não “negociações” sobre esta ideia, que também tem sido explorada com outros parceiros da NATO. […]
No entanto, o Ministério da Defesa, contactado pelo Destak, negou a existência de “conversações directas ou indirectas” sobre a criação de uma base de treinos militares dos EUA nos Açores. Este ministério sublinha ainda que, até ao momento, não chegou ao gabinete qualquer pedido sobre esta matéria.
Patrícia Susano Ferreira (jornal Destak)
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As notícias são recentes e angustiantes: a condescendência ao Tratado Europeu que transfere para a competência comunitária a gestão exclusiva da biodiversidade marinha; o último acordo Luso-espanhol que permite a invasão de atuneiros espanhóis nos mares dos Açores; e, para finalizar, a perspectiva de criar nos Açores uma base americana para testes de armas com óbvios impactos nos recursos marinhos, na potencialidade logística e na atractividade turística. […]
Mas se o mar está a ser alienado para os Europeus, a posição estratégica e a potencialidade turística está a ser dada aos americanos. Venham os testes de armas para os mares dos Açores para que o ruído dos jactos americanos perturbe os passeios pedestres dos turistas europeus e se demonstre que a biodiversidade marinha, vendida aos europeus, pode ser perturbada pelos americanos em retirada do Médio Oriente. Os estrategas nacionais querem assim balancear as forças de um lado e de outro do Atlântico. Ficam contentinhos com um passeio a Washington e com alguma sucata que nos chegue do desastre iraquiano. Porventura o que nos resta é sair da Europa para salvar Portugal.
Tomaz Dentinho (jornal A União)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

URBANO BETTENCOURT e o gosto das palavras

Às vezes, dá-me saudades dos anos sessenta. E não será tanto a vaga nostalgia dessa "adolescência que nunca ninguém tem a não ser quando a relê num livro" (como escreve Joaquim Manuel Magalhães num belíssimo poema) e nem talvez num qualquer sentimento de desencanto de quem perdeu as flores que Scott McKenzie nos pusera nos cabelos antes de entrarmos em San Francisco, de cujos caminhos acabámos, aliás, por desviar-nos, sem nunca lá termos chegado. Não, não será por isso que às vezes sabe bem olhar para trás e, nessa pausa do tempo, recuperar algum do apaziguamento interior, da ingenuidade mesmo, que os anos foram transtornando e subvertendo até; aquilo que continua a chamar-me, nesse regresso, será muito mais a possibilidade de confrontar-me, trinta anos depois, com a pura sensação de quem vê as suas próprias palavras estampadas em letra de forma nas páginas dos jornais. E aqui, sim, poderá insinuar-se a nostalgia pelo tempo de um olhar optimista sobre a imprensa e que talvez fosse, afinal, o sinal de uma confiança mais vasta, de uma crença na possibilidade de transformação do gosto, da vontade e do desejo; é decerto a limpidez desse olhar antigo que me atrai ainda, sobretudo quando em confronto com alguma perversidade que se atravessa no meu olhar de hoje sobre a imprensa, os seus jogos, o seu tédio.
Urbano Bettencourt, "O Gosto das Palavras III"
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Urbano Bettencourt nasceu na Piedade, Ilha do Pico, em 1949. Frequentou o Seminário de Angra, que abandonou, vindo posteriormente a licenciar-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, depois de uma experiência de dois anos de guerra colonial na Guiné-Bissau. Professor do Ensino Secundário na margem sul do Tejo e em Ponta Delgada e, desde 1990, Assistente Convidado da Universidade dos Açores, onde tem leccionado Literatura Portuguesa Clássica, Estudos Literários e Literatura Açoriana. Tem colaboração dispersa por jornais, revistas, rádio e televisão, para a última das quais adaptou, com José Medeiros, o romance Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio. Algumas obras: Raiz de Mágoa (poesia); Ilhas (narrativas), de parceria com Santos Barros; Marinheiro com residência fixa (poesia, narrativas); O Gosto das Palavras I, II e III(ensaios); Naufrágios Inscrições (poesia, narrativas); Emigração e Literatura (ensaio); Algumas das Cidades (poesia, narrativas).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

De VAGAR... precisa-se!

Do Meu Vagar

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Já não há mais o vagar

de quando se comia sentado

e devagar se caminhava

até chegar a qualquer lado

agora vai toda a gente sempre

de mão na buzina

sempre na linha da frente

a tremer de adrenalina

*****

Do meu vagar não traço rotas

não tenho trilho que me prenda

não tiro dados nem notas

não encho uma linha de agenda

do meu vagar não chego a Meca

não faço nada num só dia

não corto a fita da meta

não vejo Roma nem Pavia

*****

Do meu vagar

sei que nunca hei-de ir longe

vou aonde for preciso

vou indo no meu vagar

em busca do tempo perdido

e se um dia o encontrar

o longe não faz sentido

*****

Do meu vagar há um nicho

um pico de ilha insubmersa

onde há lugar para o capricho

que dá pelo nome de conversa

do meu vagar a paisagem

ainda tem beleza em bruto

e vale mais uma palavra

que mil imagens por minuto

*****

Do meu vagar

sei que nunca hei-de ir longe

vou aonde for preciso

vou indo no meu vagar

em busca do tempo perdido

e se um dia o encontrar

o longe não faz sentido

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Carlos Tê [in LADO LUNAR, de Rui Veloso]

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Vamos "Cantar às Estrelas"?

Igreja Matriz (N. Sr.ª da Estrela)
Foi no ano 2000 que, estando a trabalhar na sala dos professores da minha escola, ao fim da tarde, ouvi pela primeira vez alguém dizer que, à noite, iam cantar às estrelas. Fiquei agradavelmente surpreendida. Coisa linda: cantar às estrelas...
Soube depois que se tratava da Festa de Nossa Senhora da Estrela, cuja imagem deixa por umas horas a Igreja Matriz e sai à rua, até à Câmara Municipal, onde o povo se reúne para a festejar.
Lembro-me que havia vários grupos que, juntando-se na Ribeira Seca, percorriam a Rua Direira (Rua El-rei D. Carlos I), tocando, cantando e recebendo presentes (comida e bebidas) de alguns dos moradores, enquanto se dirigiam aos Paços do Concelho. Aí se encontrava um palco, onde actuavam os grupos, filmados pela RTP Açores.
Penso que, pelas 5 horas da manhã se celebrava missa. Aliás, tenho a ideia de que a maior parte das missas das festas religiosas se celebravam a esta hora. Nunca percebi porquê. Ou melhor, tentei arranjar uma explicação: o hábito de, no passado, os agricultores estarem habituados a começar o trabalho muito cedo, mesmo nos dias que se seguiam às festas.

Nos dias seguintes (ou anteriores?), nalgumas aldeias e durante a noite, ouvia-se ao longe o canto difuso de grupos de cantadores. Receio estar a confundir e até agradeço que alguém me esclareça. Penso que esta festa "das estrelas" encerra o período natalício e, portanto, é mais lógico que esses cantares nocturnos se realizem entre o Natal (ou Ano Novo) até agora.

Lamento não ter conseguido encontrar as fotografias que tenho da festa para as poder pôr aqui.

Ficam estas que, apesar de não serem boas, dão uma ideia da cidade da Ribeira Grande, que acho muito bonita.

Para terminar, um recado para uma amiga (?) que, mazinha como as cobras, teve o desplante de me mandar, pelas 13h18m de hoje, a seguinte mensagem: "Aqui estou eu a comer uma malassada!".

Come agora outra, por mim, e canta "até que a voz te doa" às estrelas... Há lá coisa mais poética!...

Uma noite em grande para todos os ribeiragrandenses e visitantes!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

PORTO.31.Janeiro.1891

“Nesse dia, cerca das duas horas e meia duma daquelas manhãs, nevoentas e frias, tão frequentes no Porto durante a estação invernosa, no profundo silêncio da cidade adormecida”… assim começa Basílio Teles, na lúcida análise que é “Do Ultimatum ao 31 de Janeiro – Esboço de História política”, o relato do 31 de Janeiro.

[Leia o texto completo (lá aparecem dois Açorianos ilustres) em:

http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/]

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Manuel Alegre no Clube dos Pensadores

Numa feliz iniciativa do Clube dos Pensadores, Manuel Alegre esteve ontem, em Gaia, para debater o tema "O Sistema político: alternância e alternativas".
Se quiser ler a sua intervenção inicial, vá a http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/
Vale a pena. Talvez mais tarde, possa contar-vos o mais importante da participação do grande número de intervenções dos presentes.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Os meus cantinhos açorianos

"Não se descobrem novos oceanos se não se tiver coragem de perder a terra de vista." André Gide
Esta foi uma das imagens que guardei da minha primeira viagem a S. Miguel. Ali, nas Sete Cidades, junto àquela casa (Que bela estalagem daria!), apenas nevoeiro... Não se via "um palmo à frente do nariz" e, de repente, surge do meio da bruma o burrico, o homem e as vasilhas do leite. Entendi todo o mistério da brumas: o que encobrem e o que mostram. Foi um momento mágico, quase irreal, que nunca mais esqueci.

[1]

Foi em Abril de 1999. Estava de licença sabática e pude permanecer, na Ilha, três semanas. Dias de encantamento e o sentimento estranho de que tinha encontrado, finalmente, o “meu lugar”.

[2]

Voltei mais vezes, até que me mudei de vez. Nunca me arrependi. A paisagem de quadrados verdes luminosos, negros, suaves ou fortes, acompanhando o movimento das nuvens. As flores… o tempo das azáleas, dos jarros, das hortênsias, das conteiras, das beladonas (Meninos, p’rá Escola!) e de todas as outras. As caldeiras e fumarolas...

[3]

As lagoas e os seus mistérios… a permitirem experiências quase místicas. Os pássaros… os bandos de estorninhos, os milhafres, os melros, os santantoninhos, os cagarros, as alvéloas. E as plantinhas a que, antes, não prestava grande atenção e das quais não sabia o nome, como a bem-cheirosa madressilva ou o saboroso poejo.

Ah! O mar… lindo de morrer! O desejo de nele ficar, quando nadava. O bem que me sentia… Chegava a pensar: Será assim que os bebés se sentem no líquido amniótico?
A fruta… o ananás (personalizado e único), os capuchos (que aqui encontro sob o nome de phisalys e caríssimos), os maracujás, as enormes anonas, os araçás . E o chá, e o bolo de sertã, e a massa sovada, e as queijadas, e os bolos lêvedos das Furnas, e as “fofas” da Povoação. E a carne e o peixe… de óptima qualidade. E a manteiga, e os queijos, e os iogurtes, e o cheirinho do leite do dia a ferver. É preciso dizer mais?
Senhor Santo Cristo e Espírito Santo, os Romeiros… O artesanato e a surpreendente oferta cultural duma cidade como a Ribeira Grande. Assisti a espectáculos, de teatro e música, muito bons; confirmei a natural tendência dos açorianos para as Artes; descobri escritores que ocupam, hoje, um lugar de destaque na minha modesta biblioteca. Li “Saudades da Terra”, do Gaspar Frutuoso. Amei, ainda mais, o meu Antero de Quental, que considero um dos maiores vultos da cultura portuguesa e um ser humano extraordinário.
Com amigos, voei para as outras ilhas… todas lindas!!! Faltam quatro, mas lá irei. Fiz caminhadas enormes e esplendorosas com “Os Amigos dos Açores”. Acreditei estar no PARAÍSO.
Mas… a vida não pára. Tive de voltar ao Porto. Houve amigos que vieram também. Alguns ficaram. Mas do meu coração não saem mais. A eles devo o muito que conheci dessas ilhas espantosas [as “nossas ilhas”], o carinho e o “ombro” amigo sempre que precisei, as “tertúlias”, em amena ou acesa discussão, as petiscadas bem-humoradas; com eles partilho a saudade desses anos e da nossa aventura açoriana.
Para aguentar as saudades, tenho a casa cheia daquilo a que chamo “os meus cantinhos açorianos”. Tirei algumas fotografias para que vissem.
As quatro obras-de-arte numeradas são da autoria de uma dessas amigas que também voltou. A Elsa teve o cuidado de pôr a sua arte ao serviço da minha (também sua) paixão pelos Açores. É uma boa amiga… como os outros todos, cada um a seu modo.
Como já ficou provado, os que ficaram estragam-me com mimos. Gosto mesmo muito de vocês todos! Para sempre!
[4]

Não nasci nos Açores, é verdade. Mas…

Sou uma continental rodeada de Açores por todos os lados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Ah! Mònim dum corisco!

Onésimo Teotónio Almeida
Há muito que desejava ler o “Ah! Mònim dum Corisco!”, de Onésimo Teotónio Almeida.
Felizmente, uns amigos encontraram-no na Feira do Livro, em Ponta Delgada, e trouxeram-mo (acompanhado de mais alguns, mas só de escritores açorianos), no Natal.
É, de facto, uma delícia. Ainda me lembro dum espectáculo excelente do “Pontilha”, no Teatro Ribeiragrandense, nele inspirado, aquando do lançamento de uma outra obra deste autor.
***
Começa com os seguintes versos cantados com a música da “Charamba” da Terceira:
***
Boa noite, meus senhores,
Senhoras e belas flores
Que aqui estão neste salão.
Para vós vou eu cantar
E a todos quero saudar
Do fundo do coração.
***
Hai! Gudívnim, Gudenaite, [Hi! Good evening, good night]
Vocês ‘tão todos òráite, [Vocês estão todos all right]
Luke! Yu bérabi, camâne! [Look! You better be, come on]
Vamos ter um naice shó, [Vamor ter um nice show]
Que até no Cirió [Que até no City Hall]
Vão dizer:Sanavagâne! [Vão dizer:Son of a Gun!]
***
Coro:
Ah! Mònim dum corisco! [Ah! Dinheiro dum corisco!]
***
Passaram-se milhas,
Ficaram as ilhas
Tão longe, pra lá;
E a gente que veio
Ficou de permeio,
Nem além nem cá.
É outra esta terra,
É outra esta gente,
E o Joe, que era Zé,
Lá dentro até sente
Que agora já é
Nas ilhas ausente;
Mas sabe também
Que ainda não tem
Aqui o seu pé
Seguro e assente.
Ausente-presente,
Quer cá como lá,
Aquém como além,
Ao meio partido,
O Joe que era Zé,
Não sabe se até,
Assim dividido,
É um dois ou três,
João ou Jànim, [Johnny]
Se Frank ou Francisco;
E ignora outra vez
Que a culpa, enfim,
É só do mònim,
Mònim dum corisco!
***
Enfim... a aventura do emigrante açoriano na América. Mas bom mesmo, para mim, foi relembrar frases e expressões como estas:
***
“Mamã que vá que eu fico cá fora de guarda.”
“... eles não vam dá os papeles amaricanos...”
“Eh, home, pela tua saúde. Deixa-me as políticas da mão.”
“Como é agora isso?”
“... quer dizer que os homens e as mulheres é iguales...
- Tava aí um bonito trabalho!”
“Ah, senhora, ...”
“Corisca mulher aquela!”
“E é amanhar.”
“Meu sogro está a sonhar alto. (...) O meu sogro deixe lá isso.”
***
Que saudades do falar michaelense!... E que comovente as preocupações do Tio Costa:
***
“Eh, home! E se a América entra em guerra com Portugal, por que lado é que a gente tira parte?”
[...]
Diálogo entre a Tia Evangelina e o Tio Costa:
“ - Eh, home? Para que é agora que foste perguntar se podias jurar a bandeira amaricana com uma mão na algibeira do casaco?
- Ó mulher, é porque eu tenho cá uma coisa cá dentro por causa desse juramento. Eu penso na minha rica terra onde eu nasci...
- E ó depois, vai daí?
- Era que se eu pudesse estar com uma mão na algibeira do casaco quando eu estivesse a jurar, eu levava comigo escondido na algibeira uma bandeirinha portuguesa pequenina e agarrava-a com a mão. Ninguém desconfiava. Da boca para fora era para a amaricana, mas cá para mim, não pegava nada, que a nossa é que contava!”
***
Lindo, Tio Costa!!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

UM BOM DIA DAS AMIGAS!

Cumprindo a tradição da "nossa Ilha", juntamo-nos através deste blogue. Não podemos jantar juntas... as quatro espalhadas por quatro cidades diferentes. Mas S. Miguel e os Açores vão fazer, para sempre, parte das nossas vidas e dos nossos amores. Uma vida feliz para todas!
Para quem não sabe, festeja-se nesta altura do ano, em quatro quintas-feiras seguidas, o dia dos amigos (para os homens), das amigas (para as mulheres), dos compradres e das comadres (para os respectivos). Não me lembro se a ordem é esta, nem se há mais algum pormenor que desconheça. Agradeço a quem sabe que faça o favor de me explicar.
Não ponho aqui mais fotografias porque não tenho, mas desde manhã que as mensagens, via telemóvel, começaram a chegar. Para as amigas que aqui não estão vai também o meu abraço... Que inveja tenho por não poder estar, como vocês e com vocês, no paraíso misterioso das brumas.
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*****
***
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Façam o favor de serem felizes!

domingo, 13 de janeiro de 2008

PARABÉNS A TODA A FAMÍLIA

Cada criança que nasce é uma semente de esperança.

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Que o Tiago venha a ser muito feliz e herde os dotes da família. Vai ser um miúdo fantástico.

Parabéns à família, especialmente à mãe (que é, e será sempre, o "porto de abrigo") e ao "avô babado", o meu querido amigo Daniel de Sá.

*Elisabete*

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Se não fossem as pequenas alegrias...

Encontrar seja o que for que diga respeito às ilhas dá-me uma alegria imensa. Sinto, dolorosamente, a falta do muito de bom que nelas há. Por isso, vou-me contentando com o que aparece sem eu contar. Claro que prefiro gastar o leite, a manteiga, o queijo, o atum e o ananás açorianos. Quanto ao resto não é fácil de encontrar.
Agora, calculem o que senti quando, no Pingo Doce a dois passos de casa, dou de caras com as embalagens castanhas dos "Carrilhos", fabricados em Vila Franca do Campo pela "Garçataínha". E também de biscoitos caseiros e de côco. Levei dos três para provar. Todos bons: os caseiros, mais leves e menos doces, engordam menos; mas... os carrilhos são deliciosos. Já viciei toda a família. São de "comer e chorar por mais". Há dias, foi a vez do chá. Estava sempre a barafustar por não encontrar à venda o chá dos Açores. É verdade que os amigos daí me vão abastecendo, mas custa-me incomodá-los. Desta vez, foi o Continente a surpreender-me. Já tem chá do Porto Formoso. Espero que, em breve, tenha também da Gorreana. Afinal, são ambos deliciosos.
E este "bonito" de S. Jorge? Muito bom, MESMO!!!
Vê-se logo que sou gulosa. Não nego. Gosto de comer coisas boas e ainda mais quando estão associadas aos meus afectos.
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Para não ficar só pela Gastronomia, vou transcrever uma notícia publicada na revista TEMPO LIVRE, do INATEL. Aqui vai:
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TURISMO PARA TODOS – AÇORES 2008
Por iniciativa de S. Ex.ª o Presidente do Governo Regional dos Açores, o Orçamento da Região Autónoma para 2008 criou o Programa Turismo para Todos/Açores, com gestão do Inatel, destinado a proporcionar férias, nas épocas baixa e média da hotelaria e restauração, a mil concidadãos açorianos carenciados, combatendo, também, o isolamento decorrente da dupla ou tripla insularidade.
[…] instrumento de coesão social e inter-ilhas, de combate ao isolamento económico ilhéu, empresarial e local. É, para o Inatel, uma honra haver merecido do Governo Regional dos Açores a confiança para este novo e estimulante desafio.
Decorrem, também, negociações com o Governo Regional e os Municípios de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, no sentido da criação de centros de férias em S. Miguel, Terceira e Faial, assim como nas Flores e na Graciosa, ilha que a UNESCO acaba de classificar como reserva natural de biodiversidade. (*)
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Sou sócia do INATEL e tenho uma enorme admiração pelo trabalho desenvolvido por esta instituição. Para além dos centros de férias, com óptimas condições e localizados em locais lindíssimos, investe na cultura, na recuperação do património, no desporto, etc.
Quando apresentou um projecto para exploração do Teatro Rivoli (como acontece, em Lisboa, com o Teatro da Trindade, onde executa um repertório de excelente qualidade), fiquei deveras desapontada ao saber da preferência, do Presidente da Câmara do Porto, pela candidatura de Filipe La Féria.
O INATEL tem, talvez como grande objectivo humanitário e social, o chamado "turismo sénior", que proporciona viagens e férias aos mais velhos a preços especiais, de acordo com os seus rendimentos. Se eu, e outros com rendimentos idênticos ou superiores, quisermos participar nessas actividades, pagamos o máximo. Acho isso muito justo. Muitas dessas pessoas tiveram vidas de trabalho e de dificuldades, sem nunca terem tido a possibilidade de "sair do seu canto". É bom podermos adoçar-lhes um pouco os anos finais das suas vidas.
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(*) "As ilhas do Corvo e da Graciosa, nos Açores, foram classificadas pela UNESCO como Reservas da Biosfera, na sequência de uma candidatura apresentada pelo Governo Regional.
A classificação de uma zona como Reserva da Biosfera tem como principal função a defesa e protecção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentado e o conhecimento científico.
Este estatuto permitirá reorientar as decisões ao nível da gestão, compatibilizando a preservação da biodiversidade com a presença humana.
Com esta classificação, Portugal passa a ter três Reservas da Biosfera, sendo que, até agora, o país dispunha de uma única zona com tal estatuto – a Reserva Natural do Paul do Boquilobo (Golegã).
"No site da UNESCO, é dito sobre o Corvo que 'a reserva inclui a massa de terra e toda a área marítima circundante. Centenas de anos de agricultura e criação de gado criaram uma paisagem de significante importância cultural'.
Sobre a ilha Graciosa, o mesmo site diz que 'a reserva inclui os habitats costeiros e as florestas verdejantes onde vivem numerosas espécies de aves, morcegos, moluscos eantrópodes. Agricultura, produção de vinho e criação de gado são as formas tradicionais de sustento dos habitantes desta ilha culturalmente diversificada'."

domingo, 6 de janeiro de 2008

As Coisas que Vamos Perdendo

Ribeira Grande

O Café Central, enquanto vivi na Ribeira Grande, era de facto uma espécie de ponto de encontro de amigos e das pessoas que, por qualquer razão, visitavam a cidade.

Gostava de ir até lá tomar o meu café e ler o Açoriano Oriental ou um livro. À noite, quase sempre me encontrava com colegas e amigos em animadas discussões.

Entrar no Central e ser acolhida pelo sorriso aberto do Sr. Paulo (o Paulinho: sempre bem dispoto e pronto a ajudar o próximo), encontrar na mesa do costume o Dr. Sampaio e os seus amigos, "dar dois dedos de conversa" à D. Zélia se estivesse em "dia sim", fazia com que me sentisse em casa.

O café funcionava, também, como sala de visitas das personalidades que gravavam programas para a RTP Açores ou participavam em espectáculos, no Teatro Ribeiragrandense. Tanto podíamos tropeçar no Onésimo, como na Filipa Pais ou no Zeca Medeiros. Estávamos sempre bem informados das actividades culturais, a que na generalidade não faltávamos.

Quando, há mais ou menos ano e meio. lá entrei não reconheci o "meu café". Já sabia das mudanças mas... mesmo assim foi um choque. Agora, se bem me lembro... até já nem existe.

Sei que "o mundo é composto de mudança" e que nada é para sempre, mas ver desaparecer os lugares que, num dado momento, fizeram parte do nosso quotidiano, é como se com eles partisse uma parte de nós.

Enfim... deu-me para a saudade do Café Central. Apenas uma das muitas coisas, da "minha ilha", de que tenho saudades.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal 2007 * Ano 2008

A MINHA MENSAGEM DE NATAL

[...]

Mais império menos império,

mais faraó menos faraó,

será tudo um vastíssimo cemitério,

cacos, cinzas e pó.

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Compreende-se.

Lá para o ano três mil e tal.

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E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

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António Gedeão, Poema do Alegre Desespero

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O nosso mundo está a viver, quer queiramos quer não, um período revolucionário da trajectória da Humanidade. Enfrenta, dolorosamente, desafios nunca sonhados. É hora de parar e reflectir.
Independentemente das religiões professadas, a maior parte do mundo ocidental festeja o Natal. Mas o Natal não pode resumir-se aos presentes, às ruas iluminadas, ao bacalhau, às rabanadas e ao bolo-rei... ou a qualquer outra tradição.
Por acaso pensamos no que estamos a festejar? Todos dirão: o nascimento de Jesus Cristo. Só que o nascimento dum homem bom [ou do Filho de Deus, se preferirem ] deve, acima de tudo, levar-nos a reflectir na mensagem que deixou. Longe de estar ultrapassada, ela indica o caminho a seguir, HOJE, se queremos sobreviver no nosso planeta.
Afinal, como têm vivido os homens: uns com os outros ou uns contra os outros?
Começamos por descobrir que as palavras de ordem da sociedade dominante, a sociedade ocidental baseada na competição, conduzem a colectividade humana à catástrofe. O futuro é, hoje, ditado pelos banqueiros. Para resolver os seus problemas, as nossas sociedades recorrem a um processo que crêem mágico: o CRESCIMENTO. Consumamos sempre mais e tudo correrá da melhor maneira. As consequências dessa visão estão debaixo dos nossos olhos: uma Terra maltratada, onde sobressaem graves desequilíbrios ambientais e um esgotamento dos recursos; sociedades profundamente desiguais, ilustrativas da injustiça e da exploração de homens por outros homens.
Jesus Cristo [como mais tarde, Francisco de Assis e também, à sua maneira, os seguidores do Budismo e do Socialismo (o autêntico) e muitos outros impossíveis de identificar aqui], ousou dizer não ao dinheiro, ao egoísmo, ao poder, à violência, à guerra; ousou dizer sim ao amor, ao respeito pelo próximo, à ideia de que o Homem habita um Universo comum, que com ele forma um todo e de cuja harmonia depende a sua sobrevivência.
Esta é a preciosa herança que Cristo nos legou. A que talvez valha a pena seguir para bem de nós todos.
Os tempos vão sombrios... O futuro?....... ??????????????

Para todos:

UM BOM NATAL!

UM 2008 MAIS JUSTO E SOLIDÁRIO!!!

Fonte: Ensaio sobre a Pobreza de Albert Jacquard

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As tradições portuguesas

Por alturas do Natal, quando vivia na Ribeira Grande, comecei a reparar numas tacinhas com lindas plantas verdes que as empregadas da Escola onde leccionava, colocavam na sala dos professores. Claro que tentei logo saber o que aquilo era. Disseram-me que se tratava duma tradição natalícia e explicaram-me como se procedia à sementeira do trigo e da ervilhaca. Fui logo comprar as sementes e experimentei. A partir daí, as "searas" fazem parte do meu Natal, primeiro em S. Miguel, agora no Porto.
Claro que pensava tratar-se duma tradição açoriana. Qual não é o meu espanto quando ao entrar numa igrejinha em Querença (Loulé), encontrei o presépio que fotografei e aqui publico.
Agora sei que se trata duma tradição, inicialmente algarvia, que madeirenses e açorianos adoptaram. Estes, se não estou confundida, tê-la-iam levado para Santa Catarina (Brasil), povoada maioritariamente por casais açorianos.
É linda esta capacidade de levarmos connosco, para todo o lado, aquilo que nos é querido. Um povo com memória é um povo com Alma.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Porto recebe os Açores

S. Miguel - Lagoa do Fogo

Porto - Rotunda da Boavista - Monumento à Guerra Peninsular

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Recebi, da “Associação para a Medicina, as Artes e as Ideias”, com sede na Rua do Campo Alegre, no Porto, um convite para o Jantar Comemorativo do seu 5º Aniversário.
Reparem na ementa! Deliciem-se e fiquem orgulhosos! Eu fiquei, acreditem.
Simplificando, reza assim:
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Um jantar especial...
A História
A viagem aos Açores, no passado mês de Maio, a propósito da Rota do Chá, torna o Jantar Comemorativo do 5º Aniversário da AMAI ainda mais especial. Para partilhar connosco o mistério do encantamento das Ilhas, os caprichos da Terra Vulcânica e a surpreendente e sofisticada gastronomia que daí resultam, desloca-se ao Porto a Chefe Guiomar Correia, do Restaurante “A Colmeia” (Hotel do Colégio), em Ponta Delgada. Com a ementa, que cuidadosamente preparou, chegam até nós especialidades açorianas únicas – muitas delas inexistentes no circuito comercial – e um toque mágico a Natal.
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A Ementa
Chicharro de S. Miguel Recheado, com Vinagreta de
Pimenta da Terra
Verdelho do Pico
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Cornucópia de Frutos do Mar dos Açores
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Lombo de Cherne com Ouriço-do-mar, em molho de pétalas
de açafroa e puré de inhame
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Nacos Extra de Novilho dos Açores IGP, com papas de carolo no forno e abóbora assada em vinho verdelho do Pico
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Troucha de Queijo velho de S. Miguel, com Banana e
Compota de Araçá
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Mousse de Anona, Trufa de Ananás e Coulis de Uva da Serra
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Bolo de Natal; Amendoins Cobertos
Licor de Tangerina
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Os Vinhos
Vinhos da Herdade do Perdigão – Portugal cum laude
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Depois deste jantar, acho que vou participar num dos fins-de-semana temáticos da Associação: Um passeio de Burro, em Trás-os-Montes.
Imaginação e qualidade não lhes falta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007