domingo, 29 de junho de 2008

Cavalhadas de São Pedro

E a festa da Ribeira Seca continuou, hoje, com as famosas CAVALHADAS. As fotografias são de 2003.
As Cavalhadas de S. Pedro
As Cavalhadas da Ribeira Seca da Ribeira Grande são uma das tradições mais notáveis e famosas dos Açores. O nome deriva do Castelhano caballadas (de caballo), que se refere a vários tipos de provas de destreza equestre. Câmara Cascudo, no Dicionário de Folclore Brasileiro, define cavalhada como desfile a cavalo, corrida de cavaleiros, jogos de canas, jogo de argolinhas. As cavalhadas subsistem em muitas partes do Brasil, e as de Pirenópolis, no Estado de Goiás, ligadas às festas do Espírito Santo, seguem a tradição europeia da dramatização da luta de Rolando contra os Mouros, em Roncesvales, a célebre gesta dos Doze Pares de França. As primeiras cavalhadas de Pirenópolis aconteceram em 1826, sendo a maior parte dos seus habitantes oriunda do Norte de Portugal. Em Vildemoinhos, perto de Viseu, mantêm-se como desfile de cavaleiros vestidos de fato escuro e montando cavalos ajaezados. Resultam, segundo a tradição, de uma promessa feita a São João Baptista pelos moleiros, no caso de conseguirem sentença favorável de água para os seus moinhos, havendo quem pense que têm influência das Cavalhadas da Ribeira Seca. A primeira destas romagens à capela do santo, com os cavaleiros vestindo de negro, como os nobres, e com os cavalos ajaezados, terá sido em 1652. No entanto, no século XX passaram a incluir carros alegóricos, bandas de música, ranchos folclóricos e muitos outros elementos que não faziam parte da tradição.
Há a opinião generalizada de que as Cavalhadas da Ribeira Seca terão sido inspiradas nos jogos de canas. No entanto, essa influência, se realmente existiu, talvez não tenha ido além do facto de se tratar de um desfile de cavaleiros, vestidos com trajes coloridos e montando cavalos ajaezados.
Os jogos de canas consistiam numa simulação de luta entre dois grupos de cavaleiros, e eram assim chamados por ser uma cana que servia de lança de arremesso ou dardo. Para se defenderem, os cavaleiros usavam um escudo pequeno e redondo de coiro, a adarga. Há notícia de alguns destes combates realizados em São Miguel, sendo aquele de que se conhecem mais pormenores o que organizou o quinto Capitão da ilha, Rui Gonçalves da Câmara, o segundo que houve com este nome. Foi num dia de Páscoa, pouco tempo depois da subversão de Vila Franca do Campo em 1522. A folgança destinou-se a divertir a população de São Miguel, ainda muito abalada pelos trágicos acontecimentos daquela noite de 22 de Outubro. Os contendores de Ponta Delgada e da Lagoa lutaram contra cavaleiros da Ribeira Grande – a que se juntou alguma gente de Rabo de Peixe –, de Água de Pau e de Vila Franca. Vestiam trajes coloridos de seda, veludo e outros tecidos nobres. Os de Vila Franca, em sinal de luto, usaram apenas o preto e o roxo. Os cavalos, e mesmo uma besta que transportou as canas, estavam também ricamente adornados. O combate decorreu num terreno ao longo do mar, na Lagoa, onde o Capitão residiu algum tempo depois da tragédia. Veio muito povo, de toda a ilha, que assistiu num lugar mais alto, de modo a estarem todos protegidos de eventuais pisadelas dos cavalos ou de alguma cana que falhasse o alvo.
Muitos eram os cavaleiros que usavam mais do que um cavalo, porque a luta lhes exigia um grande esforço. Havia arranques e paragens constantes e corridas com mudança de direcção em ângulos apertados, numa espécie de bailado para fugir ao ataque dos adversários ou para tentar apanhá-los desprotegidos. Nesse jogo de canas houve um episódio que serve para perceber como, por vezes, essa simples diversão poderia tornar-se numa luta perigosa. Esteve ali presente o Abade de Moreira, que viveu alguns anos na Ribeira Grande, exímio na arte de cavalgar e de jogar as canas. Lutador incansável, levou consigo dois cavalos. Um dos adversários com quem lutou foi D. Manuel da Câmara, filho do Capitão, a quem atirou uma cana certeira que o moço defendeu com a adarga. A mãe, D. Filipa Coutinha, exaltou-se muito, considerando que o filho tinha direito a tratamento semelhante ao de El-Rei, a quem as canas não deviam visar o vulto mas ser lançadas por cima da cabeça. E, no seu destempero, gritou que matassem o abade. Este, homem forte e truculento, pegou num dardo e respondeu que viessem matá-lo, mas que antes deixaria ali cinco ou seis caídos para sempre. Mais sensato, Rui Gonçalves da Câmara entendeu que o filho não tinha direito a isenções, e mandou ao abade que lhe atirasse outra cana. A origem das Cavalhadas – e neste ponto é indispensável evocar o Dr. Armando Cortes Rodrigues – é tida como resultante de uma promessa do próprio Capitão, que era então D. Manuel da Câmara e que já voltara a residir em Vila Franca. A lava da erupção de 1563 destruiu a maior parte da Ribeira Seca da Ribeira Grande, deixando porém intacta a igreja paroquial, dedicada a São Pedro. Apesar da devastação provocada, não houve nenhum morto na ilha por sua causa. D. Manuel da Câmara teria prometido ir cantar em verso a vida do apóstolo à porta da sua igreja, caso a família não sofresse consequências graves. E tê-lo-á feito indo de Vila Franca à Ribeira Seca a cavalo e acompanhado de homens que o serviam e dos mordomos do Espírito Santo.
Ora, mesmo que se tenha por certa esta versão, não se percebe onde estará a dita derivação das Cavalhadas a partir dos jogos de canas. Talvez não mais do que nos trajes usados pelos cavaleiros, em que dominam o branco e o vermelho (as cores do Espírito Santo), pois que D. Manuel da Câmara e o seu séquito terão ido decerto com os ornamentos pessoais e dos cavalos que ostentariam em momentos de gala. E os jogos de canas eram um desses momentos especiais, tanto mais que costumavam ocorrer em dias de grande festa. A comitiva do Capitão terá dado sete voltas à igreja de S. Pedro, talvez evocando os dons do Espírito Santo, dirigindo-se depois à sua igreja da Misericórdia, para concluir o ritual com uma visita à ermida de Santo André, irmão de S. Pedro. Sem grandes alterações no essencial é este o percurso actual do cortejo, normalmente com mais de uma centena de participantes. São comandados pelo “Rei”, seguido de perto por três corneteiros que vão anunciando a aproximação e passagem dos cavaleiros. Tornou-se habitual que todo o grupo, que parte do Solar da Mafoma, na Ribeira Seca, visite também a Câmara Municipal, entoando loas à edilidade como reconhecimento pelo apoio que dela recebem.
Daniel de Sá

sábado, 28 de junho de 2008

As Alâmpadas de S. Pedro

Daqui, desta cidade do Porto séria e aburguesada, há sempre um pensamento, terno e saudoso, que voa para a minha ilha encantada.
Estamos no S. Pedro e há festa rija na Ribeira Seca [Ribeira Grande]. Penduradas aqui e ali, já as alâmpadas emprestam à cidade um ar de festa. Lembro-me bem da primeira vez que vi aqueles cachos de flores e frutos entrelaçados, enfeitando as varandas da Ribeira Grande. São realmente belíssimas e, para falar delas, dou a palavra a Daniel de Sá, a quem agradeço o muito que me tem ensinado.

As alâmpadas são arranjos florais, que incluem frutos, destinados a ornamentar a paroquial da Ribeira Seca da Ribeira Grande e a oferecer a pessoas que se queira honrar durante as festas de S. Pedro. A sua forma reproduz a de um lampadário.

Sendo os frutos utilizados os primeiros da estação, que se designam “lampos”, deriva deste facto, sem dúvida, o termo “alâmpada”. É que “lampa”, além de se assemelhar à palavra “lâmpada”, já foi, em português arcaico, um seu sinónimo.

Existem registos desta palavra (lâmpada) desde meados do século X, tendo o substantivo evoluído para “alâmpada” (prótese do artigo “a”) no séc. XIV e para “lampa” no XVII, através do processo de síncope do “d” (“lampaa) e posterior contracção de “aa”.

Segundo o Dr. Cortes Rodrigues, a origem das alâmpadas estará nas ofertas dos primeiros frutos colhidos depois da esterilidade provocada pelo vulcão de 1563.

Daniel de Sá

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O RECONHECIMENTO MERECIDO

Nesta casa da Maia (Ribeira Grande), vive um Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Claro que já toda a gente sabe quem é.
Para quem andar distraído, pode saber a resposta no Blogue Luar de Janeiro.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A PÁTRIA NO CORAÇÃO

Michael de Brito, Dinner Guests
Michael de Brito, Avó Pequena Michael de Brito, Small Kitchen Scene
Os portugueses de fora crêem-se por vezes mais patriotas do que os de dentro porque, no confronto com os outros da terra adoptiva, são movidos pela necessidade de se agarrar ao que sentem como particularmente seu, e que partilham apenas com os seus compatriotas que perto de si vivem, mas também com os que ficaram na pátria longe. Daí uma corrente magnética, o cordão umbilical da cultura, que se estabelece imitindo vibrações quase num só sentido - de fora para a pátria. Costuma chamar-se a isso "saudade". Evidentemente que isso não nos torna moralmente superiores. É um reflexo natural de sobrevivência que nos impele a agarrar-nos àquilo que instintivamente sentimos como nosso e que a distância geográfica e cultural ameaça fazer-nos perder.

Onésimo Teotónio Almeida, in Público [10.06.2008]

Michael de Brito, Afternoon Conversation

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Onésimo Teotónio Almeida - nasceu em 1946, no Pico da Pedra (S. Miguel), escritor, professor catedrático do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Universidade de Brown (Providence), residente nos EUA há 30 anos.

Michael de Brito - nasceu em 1980, em New Jersey, filho de emigrantes portugueses do Algarve. Os quadros aqui publicados mostram bem as raízes portuguesas e fazem parte de exposição patente na Eleanor Ettinger Gallery, em Nova Iorque.

sábado, 7 de junho de 2008

Homenagem ao ciclone dos AÇORES

Ao começar o Euro/2008, quero aqui lembrar o "voo do milhafre" PAULETA.
Para lhe agradecer as muitas alegrias que deu, a mim e
a todos os portugueses.
FORÇA, PORTUGAL!!!

sábado, 31 de maio de 2008

O culto do Espírito Santo 1

in "Azorean Spirit" , Sata Magazine
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[…] Via-se em Monterey, saindo de casa para a Escola Dominical, e depois viu uma lenta procissão de crianças portuguesas, vestidas de branco, marchando em honra do Espírito Santo, guiadas por uma rainha coroada. […]
John Steinbeck, A Um Deus Desconhecido, 1933
***************************************************************************** Altar do "Império" de S. Sebastião da Terceira, com a coroa do do Espírito Santo e a imagem da Rainha Santa Isabel in "Lugares Mágicos de Portugal e Espanha"
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Um outro olhar...
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O culto do Espírito Santo, nos Açores, está vivo e pode ser uma experiência mágica visitar as ilhas nas sete semanas entre a Páscoa e o Domingo de Pentecostes.
Este culto, agora popular, tem, no seu mistério, algo de prospectivo, algo dos novos caminhos ecuménicos, tão necessários à relação harmoniosa entre as diversas culturas humanas.
O culto do Espírito Santo recebeu, em Portugal, um forte impulso no reinado de D. Dinis (1261-1325) e da rainha D. Isabel de Aragão (1271-1336).
D. Dinis, rei trovador e civilizador, nunca aceitou as acusações e perseguições feitas aos cavaleiros templários e, após difícil campanha diplomática, conseguiu que o papa João XXII autorizasse a criação da Ordem de Cristo, que integrou os Templários portugueses, permitindo, assim, a continuação do seu trabalho no Reino.
Pensa-se que D. Isabel trouxe, quando veio para Portugal, um importante segredo, com origem na Ordem do Templo, cujo destinatário é D. Dinis. Quando, mais tarde, o rei de França manipula monarcas e papas para a cruel e violenta extinção dos Templários, D. Dinis acolhe os monges foragidos, alberga os seus tesouros e esconde os seus conhecimentos, que passam à Ordem de Cristo.
Foi precisamente nesse período do primeiro quartel do século XIV que sua mulher, a quem o povo veio a chamar de Rainha Santa Isabel, em cooperação com os Franciscanos e com a recente Ordem de Cristo, deu um forte impulso ao culto do Espírito Santo que, em Portugal, adquiriu uma especificidade muito própria, integrando elementos claramente heterodoxos e até pré-cristãos. Dá a ideia que com a supressão da Ordem Templária, algo dos seus rituais se exoterizou neste culto pentecostal.
São os novos cavaleiros da Ordem de Cristo que expandem este culto na zona da sua influência, no território português. O fogo e a coroa, a pomba e o ceptro, o convívio fraterno e a laicidade espiritual, povoam os lugares templários, agora domínio da Ordem de Cristo.
Um século mais tarde, o culto do Espírito Santo toma o caminho do Ocidente, instalando-se nas ilhas atlânticas.
Seria a Ordem de Cristo que, nos Açores, veio a ter o exclusivo do governo espiritual em dependência do centro mítico de Tomar que, por sua vez, apenas dependia do Papa. De assinalar o facto de Angra do Heroísmo ter sido, inicialmente, construída segundo o modelo urbanístico de Tomar, a cidade templária por excelência. Durante um século, os Cavaleiros de Cristo puderam modelar os ritos paracléticos nas ilhas.
Depois, o Portugal Mítico começa a definhar graças à intervenção da Inquisição, no séc. XVI, mas o Divino Espírito Santo já está de tal modo arreigado no sentir e no viver dos açorianos que venceria todos os obstáculos levantados pelo clero oficial.
No séc. XVIII, o culto do Espírito Santo foi revitalizado, na cidade de Lisboa, por açorianos. E foram, também, os açorianos que o levaram para o continente americano, tendo chegado aos confins da Califórnia, onde açorianos ricos chegaram a oferecer bodos para vinte mil pessoas.
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Fontes: Paulo Alexandre Loução,
Lugares Mágicos de Portugal e de Espanha”; Maria Helena Ventura, “Onde Vais, Isabel?”

domingo, 25 de maio de 2008

Francisco Ferreira Drummond

Igreja de S. Sebastião
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Nasceu na vila de S. Sebastião (Terceira), a 21 de Janeiro de 1796, tendo sido baptizado, na respectiva Matriz, a 27 desse mesmo mês.
Era filho de Tomé Ferreira Drumond, lavrador abastado, e Rita de Cássia, ambos residentes na Vila de S. Sebastião, em cuja Matriz foram também baptizados.
A família Drumond estava, então, intimamente ligada ao magistério primário e à governança da Vila de S. Sebastião, tendo a presidência da Câmara sido ocupada por seu pai (em 1821). O seu irmão, o capitão de ordenanças José Ferreira Drumond, dominou a vida política local durante várias décadas.
Ferreira Drumond desde a infância que revelou decidida vocação para as letras e para a música. Depois da instrução primária, estudou latim, lógica e retórica (disciplinas próprias do ensino da mocidade culta de então e as únicas disponíveis na sua vila natal ). Muito estudioso, procurou constantemente aumentar a sua instrução literária e artística, o que lhe foi facilitado pelo meio familiar em que viveu.
Com apenas 15 anos, foi nomeado para o cargo de organista da Matriz da Praia.
Cedo aderiu à causa liberal, tendo sido eleito pelo novo sistema constitucional, em 1822, secretário da Câmara Municipal de S. Sebastião. Tal eleição valeu-lhe grandes dissabores, tendo, para escapar às perseguições dos absolutistas, fugido da Terceira, durante a noite, numa embarcação que o levou à ilha de Santa Maria, de onde passou a Ponta Delgada, dali partindo, com passagem pela Madeira, para Lisboa.
Depois de um ano de exílio voltou à Terceira, tendo participado activamente em todo o desenrolar da guerra civil nesta ilha, que depois tão bem descreveu nos seus Anais da Ilha Terceira.
Desempenhou, ainda em S. Sebastião, os cargos de escrivão dos órfãos, secretário da Administração do Concelho, e tabelião. Em 1836 foi eleito Presidente da referida Câmara, tendo desempenhado essas funções até 1839. Nesse ano foi eleito Procurador à Junta Geral.
Exerceu também, durante vários anos, o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia.
Distinguiu-se na luta contra a extinção do concelho de S. Sebastião, extinção que, em boa parte graças à sua actividade, apenas se consumou em 1 de Abril de 1870, apesar de decretada em 24 de Outubro de 1855.
Algumas das mais importantes obras da antiga Câmara de S. Sebastião foram iniciativa sua, nomeadamente a captação das nascentes do Cabrito e o seu aproveitamento para moagem, naquela época a maior obra hidráulica da Terceira e uma das maiores dos Açores.
Faleceu em 11 de Setembro 1858, contando 63 anos incompletos de idade, na casa que tinha aforado da Santa Casa da Misericórdia, na Travessa da Misericórdia, onde hoje está a lápide comemorativa. Esta casa foi recentemente adquirida pela Santa Casa da Misericórdia local, estando para breve previsto o seu restauro e transformação em biblioteca associada da rede de leitura pública.
Francisco Ferreira Drumond foi homenageado em 1951 com um pequeno monumento localizado no Rossio, Vila de S. Sebastião.
O seu trabalho histórico ocupa um lugar cimeiro na historiografia açoriana, sendo a base de boa parte das obras sobre a história dos Açores, em particular sobre a história da ilha Terceira.
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Obras publicadas
  • Memória Histórica da Capitania da Praia da Vitória — editado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória em 1846, Praia da Vitória. A obra foi reeditada inserta na colectânea Memória Histórica do Horrível Terramoto de 15.VI.1841 que Assolou a Vila da Praia da Vitória, edição da Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1983.
  • Anais da Ilha Terceira — obra escrita segundo o critério cronológico típico dos Anais, cobrindo o período desde a descoberta e povoamento da ilha até 1850. Foi oferecida à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que a editou em 4 volumes, contendo 510 de documentos. O volume I foi publicado em 1850; o vol. II em 1856; o III em 1859; e o IV, póstumo, em 1864. Reeditado, em fac-símile da edição original, pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1981.
  • Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos, para a História das Nove Ilhas dos Açores - obra inacabada deixada em manuscrito. Após um conturbado percurso, a obra foi editada em 1990 pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Miradouro da PONTA DO SOSSEGO

Por que não um passeio até ao Nordeste, no próximo fim-de-semana? Aqui ficam algumas fotografias, tiradas na Ponta do Sossego, no passado dia 10 de Abril.
O azulejo português sempre presente.
A entrada.
Povoação de que não sei o nome. Será Pedreira?
O mar em tons de azul.
A lindíssima costa nordestina.
Jardim
A poesia para rematar.
Lindo, não é? Para os que não estiverem em S. Miguel, sempre podem deliciar-se, ou matar saudades, aqui.

sábado, 10 de maio de 2008

Lendas dos Açores 4

Foto Maurício Abreu
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O Menino do Coro e a Pomba
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No tesouro da Sé de Angra do Heroísmo há uma curiosa imagem de Santo António com a vestimenta de menino de coro. Os menos avisados surpreendem-se, decerto não suspeitando de que se trata de um ex-voto. E a lenda conta-nos que isto já vem do século XVII, num qualquer dia de festa na catedral.

Um mestre de capela, nervoso porque aquilo tinha de estar tudo nos conformes, zangou-se a valer com um dos meninos do coro, ameaçando bater-lhe. Apavorada, a criança andou a fugir pelas dependências, até que enfiou para as altas torres. Mas não encontrava onde ocultar-se, pelo que subiu as escadas que lhe faltavam para o ponto mais alto da maior das torres, e, sentindo o mestre de capela na peugada, lançou-se.

Terá valido um vento muito especial que tomou o menino do coro nos seus braços, usando-lhe a opa da função, e, passando três ruas, foi depositar o corpo do espavorido no telhado do Convento de Nossa Senhora da Esperança, onde as religiosas o recolheram. O pai, emocionado, mandou fazer a referida imagem e levou-a à Sé. Esteve exposta alguns anos antes de dar entrada no tesouro. No entanto, para o menino do coro estava reservado outro voo, ser padre.

Já agora continuamos no século XVII, exactamente em 1640, na altura da aclamação de D. João IV como novo rei de Portugal. Tendo assistido na capital do reino às referidas solenidades, D. Francisco Ornelas da Câmara, capitão-mor de Vila da Praia, regressou à sua ilha Terceira com a missão de tomar aos espanhóis o Castelo de Angra, que eles ainda retinham em seu poder. Não foi fácil a missão, porque durou 11 meses o cerco e as frequentes batalhas e escaramuças não davam os resultados almejados pelos portugueses. Os espanhóis do castelo passavam privações tais que chegaram a comer ratos. Por fim, houve um acordo de rendição e a bandeira portuguesa foi hasteada no Castelo de Angra, retirando-se os espanhóis. Porém, as intrigas na nova corte já tinham começado, e o marquês de Castelo Rodrigo conseguiu que Ornelas da Câmara e outros fidalgos da Terceira fossem encarcerados. Profundamente cristão, Francisco Ornelas viveu com os seus companheiros as amarguras da prisão. Evocava Deus e oferecia-lhe o seu sacrifício. A sua filha, Emília de Ornelas, também orava. Mas parecia nada resultar, que a sentença foi de morte. Os condenados apelaram para os tribunais da corte. Os debates demoraram dias, pois os juízes achavam os autos pouco claros. Por fim, o Tribunal da Relação de Lisboa ratificou a sentença. No entanto, quando o presidente ia assiná-la, entrou pela janela uma pomba branca, que, voando rente à mesa, voltou o tinteiro, tornando elegível o que estava escrito. Confundidos com o que acabara de suceder, os juízes declararam ter aquilo sido um sinal de Deus. E reescreveram a acta, mas em sentido oposto: a absolvição dos réus. Devoto do Espírito Santo, Ornelas da Câmara prometeu dar todos os anos um grande bodo aos pobres, que ele servia descalço, e edificar aquela Ermida do Espírito Santo, que lá está na Rua dos Quatro Cantos, em Angra. E no seu brasão incluiu o emblema do Senhor.

José Viale Moutinho, Lendas dos Açores

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O Senhor Santo Cristo dos Milagres

O Convento de Nossa Senhora da Conceição, na Caloura (Água de Pau) teria sido fundado pelas filhas de Jorge da Mota, de Vila Franca do Campo. Pensa-se que foi o primeiro convento feminino da ilha de S. Miguel.
Por volta de 1520, duas religiosas deslocaram-se a Roma para pedir, ao Papa, a Bula Apostólica necessária. O Papa Paulo III não só lhes concedeu o documento que permitia a fundação do convento, como lhes ofereceu uma imagem do Ecce Homo.
Em 1541, devido ao isolamento e ao perigo de ataques piratas, as últimas ocupantes deste convento da Ordem de Santa Clara, mudaram-se para o Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, acabado de fundar pela viúva do Capitão Donatário, Rui Gonçalves da Câmara.
A imagem do Senhor Santo Cristo, oferecida pelo Papa, não ficou esquecida na Caloura, porque a religiosa galega, Madre Inês de Santa Iria, a levou para Ponta Delgada.
O interior da Igreja
A devoção de Madre Teresa da Anunciada (25 de Novembro de 1658/16 de Maio de 1738), os sismos frequentes e a constante actividade vulcânica (que levavam o povo a refugiar-se na fé) intensificaram o culto ao Senhor Santo Cristo.
A primeira procissão realizou-se em 1700 e, diz-se que pôs fim a uma série de tremores de terra.
A imagem encontra-se, desde então, no “Coro Baixo”, ao fundo da Igreja de Nossa Senhora da Esperança. Esta é muito expressiva e consoante os modos como a luz lhe incide, parece que varia os sentimentos que transmite.
Procissão de 2001
Numa enorme manifestação de fé e devoção, as festas do Senhor Santo Cristo realizam-se no quinto domingo após a Páscoa. As ruas de Ponta Delgada por onde passa a procissão, que demora cerca de 5 horas, enchem-se de tapetes de flores.
Na madrugada de sábado, os fiéis pagam as suas promessas, muitas vezes de joelhos.
Nesses dias, é bem visível a presença de emigrantes açorianos que se encontram nos Estados Unidos e no Canadá.

Esclarecimento de Daniel de Sá, que permitirá corrigir alguns factos do primitivo texto, baseado na história tradicional. Desde já, os meus agradecimentos ao amigo, e escritor querido, Daniel de Sá.

Sobre o Senhor Santo Cristo
(A propósito de uma notícia publicada na imprensa)

Com o respeito devido a quem terá dado as informações constantes em notícia deste jornal (08/02/2012), sobre as próximas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, tento, uma vez mais, chamar a atenção para os erros óbvios que a história tradicional de tão sagrada devoção contém.
Em tal notícia se repete uma evidente impossibilidade, a de que a primeira procissão tenha sido em 1700. Desse cortejo, quase espontâneo, sabe-se que foi a onze de Abril e em dia de trabalho. E, naquele ano de 1700, o dia onze de Abril foi Domingo de Páscoa.
Também é dito que a procissão se repete há mais de três séculos, sempre no quinto Domingo depois da Páscoa. No entanto, a primeira terá sido, provavelmente, na 6ª-feira que se seguiu ao Domingo de Pascoela de 1698, e a segunda no Sábado, 16 de Dezembro (e não 17, como diz o padre José Clemente no livro sobre a vida de Madre Teresa) de 1713, para implorar a Deus o fim de uma crise sísmica em São Miguel. Da terceira e das seguintes nada se sabe. Nem o ano nem o dia. Mas não terão acontecido pelo menos na primeira metade do século XVIII.
A lenda da origem da belíssima imagem continua também a sobrepor-se à razão mais elementar. A versão tradicional é a de haver sido oferta do Papa Paulo III, feita a duas jovens que teriam ido a Roma pedir a bula para fundação do mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, em Vale de Cabaços. Eis, sintetizadas, as razões que nos dão a certeza de que tal viagem não se verificou:
Era impensável, naquele tempo, quase impossível, a ida de duas jovens dos Açores a Roma;
Gaspar Frutuoso, que conta em pormenor a criação do convento, não alude a qualquer viagem ao Vaticano, seja delas ou de alguém por elas;
O convento foi fundado durante um terrível período de peste em São Miguel, desgraça que se seguiu à subversão de Vila Franca, tendo terminado apenas em 1530, tempo durante o qual a ilha esteve isolada, só se verificando para o exterior as viagens absolutamente essenciais;
Finalmente, e razão que bastaria para negar a origem atribuída a tão sagrada imagem, o Papa Paulo III foi eleito em 13 de Outubro de 1534, depois, portanto, de construído o convento.

P.S. – É estranho que, sendo os factos que negam a história tradicional tão evidentes, a lenda se tenha mantido até agora, e sabe Deus até quando. Por um lado, têm o muito frágil suporte do livro do padre José Clemente, um bem intencionado que parece que nunca esteve sequer em São Miguel, ilha a respeito da qual estava convencido de que nevava. Por outro lado, há a autoridade muito respeitável de Urbano de Mendonça Dias. Mas o ilustre investigador a quem tanto devemos também se enganou algumas vezes, como é óbvio no caso da data da primeira procissão do Senhor Santo Cristo. Ou, por exemplo, quando escreveu que a Maia não foi elevada a vila por ter sido em grande parte destruída por um incêndio. Ora aquele notável investigador fez, neste ponto, uma grave confusão. Gaspar Frutuoso, usando a linguagem do tempo, tanto se referia a um vulcão como terramoto ou como incêndio. E é assim que explica que a Maia teria sido vila se “não fora o incêndio segundo”, ou seja, a erupção da lagoa do Fogo, em 1563, cujas cinzas destruíram searas e outras culturas, deixando a terra estéril durante alguns anos.

Daniel de Sá

quinta-feira, 1 de maio de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

A Generosidade da "minha" Ilha

Quando, no passado dia 9, cheguei às Furnas, estava longe de imaginar as transformações operadas na zona da Poça da Dona Beija.
A começar na placa, bem visível.
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A continuar nos muros que domesticam a ribeira.
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E nas piscinas disponíveis a mais utentes. ************************************************** Esta é a poça inicial. A sua água quente relaxa e provoca grande bem- -estar. Quem precisa de ginásios, saunas, piscinas aquecidas? A generosa Natureza de S. Miguel dá, de graça, estas maravilhas que fazem bem ao corpo e à alma.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A Poesia Popular do Jorgense José Soares

JOSÉ SOARES
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PICO
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Quando acharam o Pico,

Portugal ficou mais rico

E mais pertinho do céu.

Lá na montanha da Ilha

Até a neve, quando brilha,

Imita um lindo véu.

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Ali há lobos do mar

Que conseguem irmanar

O mar com a sua aldeia;

Souberam ganhar o pão,

Cavando o duro chão,

Ou matando a baleia.

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Lá, nas fendas dos rochedos,

As figueiras e os vinhedos

Vivem ali abraçados.

É assim aquela gente,

Faz vinho e aguardente

Que são tão apreciados.

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O Picaroto é pedreiro,

Lavrador ou marinheiro,

É doutor ou artesão;

Mas, naquela Ilha inteira,

Todos procuram maneira

De ganharem o seu pão.

José Soares, in "O Canto de um Lavrador"

BLU edições

segunda-feira, 21 de abril de 2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

MORREREMOS AMANHÃ

Na minha recente visita a S. Miguel, encontrei o livro MORREREMOS AMANHÃ, de Carlos Tomé. São memórias da Guerra Colonial e as implicações que, ainda hoje tem, nas vidas de quem, directa ou indirectamente, nela esteve envolvido.
Carlos Tomé
Transcrevo aqui um episódio do romance que se assemelha a outro, que eu própria vivi quando, pela primeira, vez estive em Ponta Delgada.
Mais tarde, com os meus alunos do Clube de História da Escola Gaspar Frutuoso, da Ribeira Grande, escrevi à Presidente da Câmara pedindo a colocação duma lápide no local onde Antero de Quental se suicidou, no Campo de S. Francisco.
Constatei, na semana passada, que a autarquia continua a ignorar a frustração de quem, amando Antero de Quental, vê a sua memória esquecida neste local.
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Procuro o banco onde Antero de Quental se suicidou. […] Encontro-o com facilidade. Fica a menos de cinquenta metros da porta da igreja, meio encoberto por uma enorme estátua de Madre Teresa da Anunciada, a iniciadora do culto do Santo Cristo. Acho exageradas as dimensões da estátua, mas não me atrevo a mais pensamentos críticos. As flores ao pé da madre dizem tudo sobre a relatividade do tamanho e, até, da qualidade artística do monumento.
Onde não há uma flor, nem ninguém sentado, é no banco onde Antero pôs termo à vida. Sempre pensei haver aqui uma placa assinalando a data e o trágico evento. Não há. Mais de cem anos depois, o poeta ainda está de castigo por se ter suicidado.
Sento-me. Não sei se este é, exactamente, o mesmo banco. Simples, desconfortável como todos os bancos de jardim, tem aspecto de antigo. É possível. O assento, de madeira, é que deve ser já outro.
Na parede branca, mesmo sobre mim, a palavra “Esperança”, em relevo, chama a atenção. Que fina ironia, se se tratou de um propósito de Antero. Mas, ao mesmo tempo, tanta amargura, tanta desilusão, tanta desistência.
Esforço-me por recordar um soneto do grande poeta. Disse-o algumas vezes, em festas, no liceu, embora os professores o considerassem um pouco derrotista para as mentes jovens. Talvez por isso todos o sabíamos de cor. Eu é que, agora, só consigo recordar o último terceto:
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Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!
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Já andei assim, arrastando-me, vergado ao peso do desencanto e da frustração. Em lugar de me matar, liquidei o meu casamento, tornei a vida de Luísa num inferno, perdi amigos. Stress pós-traumático, disseram dois médicos a quem pedia tranquilizantes como se fossem rebuçados. Diagnóstico errado. O que tenho é solidão, uma imensa solidão. Sinto-me só no Estádio da Luz, no meio de sessenta mil pessoas. Tão só quanto estou aqui, no banco onde Antero de Quental pôs à boca um revólver e disparou.
Aqui se suicidou o grande
ANTERO DE QUENTAL
E porque se trata de uma verdadeira pérola, transcrevo também as palavrinhas do nosso querido Daniel de Sá, a respeito da obra e da guerra.
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Quando acaba a guerra? Quando morre o último soldado ou quando é assinado o tratado de paz?... Quando saram as derradeiras feridas ou quando os cegos se adaptam à escuridão e os amputados às próteses?... Quando se esquece o amigo que se viu morrer ou quando vai a enterrar a mãe que o terá amamentado?... Quando, finalmente, se cumpre um desejo do irmão de armas que não voltou?... Ou quando falecem todos os antigos combatentes?...
Este romance de Carlos Tomé é a história da guerra depois da guerra. A que continua na memória dos sobreviventes. Que às vezes têm de suportar uma estranha espécie de remorso por estarem vivos. Com o espírito atormentado depois da tortura dos combates. Um romance escrito numa linguagem que insinua o drama sem insistir nele. Serena e fluida. Bela e límpida. Um hino à paz e um hossana à Língua Portuguesa.
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segunda-feira, 14 de abril de 2008

O Novo Rosto do Teatro Ribeiragrandense

Pois! O Teatro está vestido de amarelo. Não consigo definir-me: contra ou a favor? Para mim, o casario da Ribeira Grande era a “preto e branco”. Mas… não posso negar que está bonito, alegre. O monograma destaca-se, colorido e orgulhoso do que representa.
Mais importante do que isso, é que parece que recomeçam as actividades, numa altura em que eu temia que estivesse adormecido. Lá estava a carrinha da RTP Açores… cinema, pelo menos ao fim-de-semana… a Pontilha a levar à cena o seu trabalho…
Por mim, fico mais descansada e feliz. Cabe aos habitantes da cidade apoiar, com carinho, o “seu Teatro”, o grande veículo de educação e cultura que pode e deve ser.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Teatro Ribeiragrandense

Tenho boas memórias do Teatro Ribeiragrandense. Estava em obras quando fui, pela primeira vez, à segunda cidade de S. Miguel.
Depois, reabriu com este aspecto bem açoriano e com uma sala (a principal) lindíssima. Era um centro cultural que estranhei numa cidade pequena. Para além do cinema, assisti lá a teatro de grande qualidade (de grupos locais e nacionais), concertos, exposições e até tertúlias literárias.
Volta e meia, a carrinha da RTP Açores estava parada na porta lateral. Já se sabia que, ou se gravava algum programa ou se ia realizar um debate político ou um espectáculo que merecia transmissão ou notícia.
Pelo que me dizem, já não há cinema na Ribeira Grande e o Teatro está um pouco parado. E é pena!
É muito bom viver na Ribeira Grande. Sendo uma cidade, tem ainda um ambiente calmo e de qualidade. Para viver, sempre a preferi a Ponta Delgada.
É certo que o Teatro Micaelense também foi renovado, é certo que o Parque Atlântico tem várias salas de cinema. Tudo bem! Espero é que a Ribeira Grande mantenha vida cultural própria e dê uso a um edifício que merece o carinho dos seus habitantes e dos poderes locais.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A Páscoa na Ilha

No dia 31 de Março de 2002, domingo de Páscoa, estava assim decorada, com cestas de jarros, esta casa que penso situar-se na freguesia de Candelária. Pelo menos, fica na estrada que das Sete Cidades nos leva a Ponta Delgada. SAUDADES...
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Para todos,
uma PÁSCOA muito feliz
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terça-feira, 18 de março de 2008

Parabéns à Ibel!

À Ibel, que hoje está de parabéns, que posso oferecer?
Não sei fazer versos como ela. Mas sei que ela adora o mar.
Por isso, aqui estão quatro fotografias do mar dos Açores: as duas primeiras, das águas revoltas do Canal (entre o Faial e o Pico); as outras duas, das águas quentes da Ferraria (em S. Miguel).
Ao contrário do que se pensa, minha querida Ibel, esta é a fase melhor da vida. A sabedoria dos cinquenta é infinita. Vá por mim! O melhor do Mundo e um beijinho para si!