terça-feira, 12 de maio de 2009
Furnas... 1924
terça-feira, 5 de maio de 2009
A escolha de um outro amor
A natureza em mim é conservadora: só o espírito é revolucionário. Esta desarmonia fundamental te sirva para explicar todas as minhas fraquezas, contradições, cobardias mesmo. Só o que te posso assegurar é que entro nesta acção violenta contra mim mesmo com uma boa fé que me dá ânimo enquanto de pé e (se tenho de sucumbir), caído, me será a melhor das consolações, poupando-me a este último e verdadeiro inferno: o desprezo do homem por si mesmo.
O "statu quo" tem doçuras! Pelo que me tem custado a combater as visões do passado, que lagrimosas me surgem no meu caminho a enlaçar-me nos braços acalentadores e brandos, a suplicar-me, a arguir-me como duma traição, desta revolta contra metade já de uma vida, por aí meço a força de inércia da minha natureza. De inércia? não: de harmonia, fora melhor dizer. O natural não é quebrar violentamente o fio da vida, para i-la reatar, não sei onde, bem longe, fora de toda a tradição, sem mais antecedentes do que uma ideia tenaz, dominadora, sim, mas afinal uma mera abstracção… Não: é preciso que o ar social esteja feito de um modo bem impróprio para as exigências naturais do pulmão humano, para que, chegando o homem à idade adulta da consciência, se vire e diga “nada disto é a vida: para trás! para o lado! correr vales! a ver se se acha, longe de todo o rastro conhecido, coisa que mais nos dulcifique por dentro este azedume insuportável!”
Mas a vida é um silogismo: o tecto paterno é uma premissa; a outra é a morte na doçura da sua própria consciência e na fraternidade das outras consciências que lhe aprovam a vida. É preciso que a sociedade seja bem ímpia para obrigar o homem à blasfémia social por excelência – a Revolta. O lar é toda uma política; e o "statu quo" uma filosofia.
Quantas vezes as lágrimas me têm corrido no meio destes pensamentos! Afora tudo isto eu tenho preso ao coração um amor que não sei (talvez porque não quero, nem ele o merece) como o tirar de aqui (1). Ele me simboliza toda uma vida segundo a natureza; vulgar... e bela como qualquer árvore da primeira colina que o sol e os ventos visitam; quero dizer, aquilo que todo o homem tem direito de exigir, porque nenhum homem tem direito de exigir mais... Enfim, o instinto, com todas as suas vozes, tem levantado a sua celeuma no meio do silêncio que eu com a minha razão julgara impor a este ser, para como um ditador determinar e fazer caminhar no vazio as minhas abstracções ordenadas em colunas e batalhões! O instinto! a tradição! a espontaneidade! a natureza! [...]
Entretanto, a minha persistência e as boas disposições de continuar te mostram que tenho sabido, com subtileza de sofista umas vezes, outras com as cóleras de revolucionário, responder a este coro desgrenhado das Níobes da minha mitologia íntima e pessoal. É que tudo aquilo, por isso mesmo que é santo e justo e radioso, só na santidade, na justiça e na luz se pode aceitar. É o carácter das coisas verdadeiramente boas não poderem ser somenos. São ou não são, eis tudo. O espírito revolucionário, visto a esta luz, acha-se não ser no fundo senão um imenso espírito de paz e de harmonia, que por isso mesmo que o não deixam ser pacífico à sua vontade se enfurece e reage. É a filosofia dos desesperados, é a coragem dos medrosos.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O CONVERTIDO
sábado, 25 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Será isto, João?
Era a esta casa que te referias? Não tenho a certeza. Penso, no entanto, que o Largo 2 de Março é onde fica a Presidência do Governo e, portanto, a Casa das Palmeiras fica na esquina do Largo com a Rua do Diário dos Açores. Será?
quinta-feira, 9 de abril de 2009
sábado, 28 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Para a Cris
Se tiveres tempo, e seguires o conselho do nosso amigo João Coelho, podes dizer este belo soneto do Antero de Quental, quando desceres à mágica Lagoa do Fogo.quarta-feira, 18 de março de 2009
Um Cheirinho Açoriano na Cidade Invicta
terça-feira, 17 de março de 2009
Santa Maria por Raul Brandão
Subo por um caminho entre figueiras-do-diabo e solteiras, como se chamam aqui as sardinheiras, que crescem por todos os lados. Colinas, campos de pastagem, e ao longe um pico mais alto donde se descobre toda a ilha. Povoação de duas ou três ruas e casinhas, com a igreja, a ossada dum convento e o solar humilde de Gonçalo Velho. É isolado e triste – mas pedras, campos e furnas estão cheios de asas e de gritos: os escarnentos, negros como melros, passam no ar com o biscato no bico, e a babosa enche este negrume cinzelado de oiro e de perfume. Há momentos em que se encobre o Sol e o torresmo sai mais negro do mar: só fica o cheiro que impregna a terra e o céu.
Que importa que isto seja um ermo onde até às vezes a água falta, sendo preciso para matar a sede trazê-la em navios de S. Miguel? Aqui se vive e aqui se morre. E devo dizer que desta ilha silvestre duas coisas ficarão para sempre na minha memória: o púcaro de barro poroso que torna a água fresquíssima, e o cheiro a giesta que a embalsama. Fiquei-a conhecendo para o resto da minha vida pela ilha que cheira bem…domingo, 8 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
65º Aniversário
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Nos Açores, com a cal e o basalto
Mas voltemos a S. Miguel. Além da brancura, deveríamos falar destes verdes que nos saltam às canelas por todo o lado, desde os mais tenros de Fra Angelico até esses cor de breu que atormentaram os dias de Greco; deveríamos, se não tivéssemos vergonha na cara: pois quem ousará fazê-lo depois de Raul Brandão? Só me resta virar-me para as vacas, mansas como se não tivessem pontas, fartas de carnes, a alma esguichando pelas tetas – bonitas, graciosas, só as vitelas aos pinotes. O Jacinto, que andou a guardá-las em pequeno, disse-me que são poucas, muito poucas mesmo, as que se abrigam debaixo de telha. Vivem a céu descoberto nos campos de pasto: no inverno, em noites mais hostis, encostam-se umas às outras para dormir, cerradinhas; de verão, se tiverem sorte, suportarão a calma à sombra das criptomérias. Valha-nos o anjo da Ribeira Grande, que eu não posso nada por vós, camaradas!terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Lendas dos Açores 6
De facto, depois de arrasarem e roubarem a Vila da Praia, os piratas voltaram a embarcar e seguiram para outra ilha. E logo Gil de Quadros comunicou às filhas o voto que fizera, e, embora elas ficassem chorosas, inconsoláveis, enclausurou-as no Convento dos Capuchinhos de Angra. Ao contrário de Clélia, mais doce e passiva, Anunciação irritou-se com a decisão paterna. Gostava da sua ilha e da vida secular para se deixar assim meter num convento. A clausura era para ela algo verdadeiramente penoso. Ora, a madre abadessa, que era tia das irmãs, tinha uma visão diferente da vida e era de opinião que para um convento só deve ir quem tiver vocação. Assim, não foram poucas as cartas que enviou ao seu irmão Gil, observando que as sobrinhas não tinham vocação para aquela vida. Porém, o capitão-mor, embora sofresse com a subtracção, procurava manter-se fiel ao voto formulado numa hora de aflição.José Viale Moutinho, Lendas dos Açores
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Lágrimas caindo sobre o mundo...
VISÃO
A J. M. Eça de Queiroz
Eu vi o Amor – mas nos seus olhos baços
Nada sorria já: só fixo e lento
Morava agora ali um pensamento
De dor sem trégua e de íntimos cansaços.
*
Pairava, como espectro, nos espaços,
Todo envolto num nimbo pardacento…
Na atitude convulsa do tormento,
Torcia e retorcia os magros braços…
*
E arrancava das asas destroçadas
A uma e uma as penas maculadas,
Soltando a espaços um soluço fundo,
*
Soluço de ódio e raiva impenitentes…
E do fantasma as lágrimas ardentes
Caíam lentamente sobre o mundo!
Antero de Quental
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Quem guarda tem...
Justiça Cega
O rapazinho chorava. O agente da PSP que estava de serviço àquela escola de Rabo de Peixe perguntou-lhe a razão do choro, e ele respondeu: "Minha mãe não teve dinheiro para comprar velas".
Uns anos antes, o pai fora acusado de maus tratos à mulher e aos filhos. Entretanto, deixara de beber e arranjara emprego. Mas foi então que, numa certa noite, alguns polícias foram buscá-lo a casa para cumprir a pena de prisão finalmente decidida pelo tribunal. Quando ele já não representava nenhum perigo para a sociedade nem para a família, e se tornara indispensável para garantir o sustento desta.
A mãe não tivera dinheiro para pagar a conta da electricidade, que lhe foi cortada. Nem o teve para comprar velas à luz das quais o filho pudesse fazer os trabalhos de casa. E ele estava com medo de que a professora se zangasse.
A justiça é cega. Mas, às vezes, seria melhor que abrisse os olhos.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Ai! Tanta SAUDADINHA...












