terça-feira, 8 de setembro de 2009
Nas Flores, em 30 de Agosto de 2009, com alguma chuva e muita bruma
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
As nuvens dos Açores
As nuvens, nos Açores, têm uma vida extraordinária, uma vida que não percebo bem! Hoje, uma sobre o Corvo lembra uma auréola magnética.
Raul Brandão
domingo, 6 de setembro de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Por aqui se passeia a Ibel...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O QUE NÃO DEVERIA ESTAR A ACONTECER...
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Parabéns a você!
Como não sei escrever as coisas lindas que gostaria de dizer, fiz esta brincadeira, com muito carinho.
Um beijo no coração, querida Cris!
********************************************************************
Bem!... Como quem não sabe escrever coisas lindas, recorre às coisas lindas de quem sabe, atrevo-me a copiar o poemeto, dedicado à Cris, que o nosso muito amigo Daniel de Sá gentilmente deixou nos comentários:
Mulher-menina,
Mulher-criança,
Que nunca foge,
Mas não se alcança.
*
Mulher sem tempo,
Sem ter idade,
Faz do instante
A eternidade.
*
Beijos e abraços
Tão pouco são
Para quem é
Só coração.
*
Coração de alma,
Como nenhum,
Para caber
Em qualquer um.
*
Cantem-lhe, amigos,
Um canto vário,
Que hoje foi dia
De aniversário.
*
Mesmo que o canto
Seja imperfeito,
Há-de ficar-lhe
Dentro do peito.
*
Que a sua vida,
Seu coração,
É dar beleza
À imperfeição.
Daniel de Sá
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A Casa de Antero em Vila do Conde
A Câmara de Vila do Conde está a recuperar e abrirá ao público brevemente a Casa onde, durante dez anos, viveu o poeta.
O imóvel, que tinha sido alvo de uma intervenção que o descaracterizou, teve de ser demolido e reconstruído para se aproximar, o mais possível, ao que era no tempo de Anthero.
A casa reconstruída
segunda-feira, 22 de junho de 2009
O homem dos 7 instrumentos
domingo, 21 de junho de 2009
Ainda a chegada de Genuíno Madruga ao Pico
sábado, 6 de junho de 2009
Genuíno Madruga: o navegador do nosso orgulho
Depois de ter percorrido cerca de 34 mil milhas, em 21 meses, na sua segunda volta ao Mundo, o navegador solitário Genuíno Madruga e o seu iate Hemingway chegaram por volta das 14 horas às Lajes do Pico.
terça-feira, 2 de junho de 2009
A D. Otília
Quando D. Otília decidia passar serões ao ar livre no sofá do meu avô, o velho Manuel Mentiroso deliciava-se com as vibrantes descrições de viagens e de acontecimentos que incluíam curiosas personalidades, assim como gente ilustre que ela conhecera durante os agitados tempos que separaram as duas guerras mundiais.
Havia na atmosfera da aldeia como que uma compacta força suspensa, algo de estranho que nos roçava pela alma, apertava na garganta e eriçava a pele, quando a pianista abria a madrugada através dos ascendentes acordes de um Nocturno do “seu” Chopin. Para a ouvir clandestino, eu saía da cama e escondia-me no vão da porta ao lado da casa dela. Julguei que a minha presença tinha sido pressentida ou descoberta quando, mais tarde, tive a sensação de que me eram dedicadas algumas das maravilhosas sonatas românticas a que a artista se entregava, em êxtase. Apaixonei-me pela música. Andava sempre dentro do raio de acção sonora do piano da vizinha. Escutava as lições, suportava o martelar dos exercícios de principiantes e temia as explosões de cólera contra meninas lavadas em lágrimas, que eram expulsas sem piedade, para o “olho da rua”. Porém, nada demoveu as intenções que entretanto me tinham nascido cá dentro e acabei por dar comigo a suplicar, “ó mãe, peça à vizinha Otília para me ensinar a tocar piano”. Como o meu pai discordou com enorme arrogância, porque “o que ele precisa é trabalhar”, logo a minha mãe entendeu contrariá-lo, por rotina. Acedeu ao meu pedido com a melhor prontidão e foi falar à pianista. Ficou apalavrado o dia e a hora da primeira lição.
A professora de piano não me deixou sentar frente ao teclado, no banquinho mecânico que gemia quando se rodavam os dois manípulos que lhe regulavam a altura. Eu tinha sonhado atribuir ao momento em que me sentasse pela primeira vez ao piano o significado dum decisivo passo para a consagração. Sentou-se ela e manteve-me a uma certa distância. Ensinou-me as notas “dó, ré, mi” e… por aí adiante. Tive de as cantar avulsas à medida que ela as fazia sair vibrantes, pelo piano fora. Eu não conseguia evitar a troca de “dós” com “fás” e o desapontamento estava escrito na cara da vizinha pianista que sentenciou, “musicalmente disléxico!” Aproximei-me um pouco para saber o que isso queria dizer e apoiei a mão na tampa do piano de meia cauda. D. Otília não queria acreditar no desaforo. As sobrancelhas pintadas a azul subiram-lhe de espanto, até ao cimo da altiva testa franzida com rugas de tempestade. Levantou-se e gritou, possessa, “tira já as mãos de cima do meu marido”. Fiquei petrificado sem ver nenhum marido, até reparar que estava com a mão colada naquele monstro preto que se arreganhava para rir de mim, exibindo a enorme dentadura branca voltada para a possessiva esposa. Corri escada abaixo e corri rua fora cheio de vergonha com o escândalo que a gritaria ia provocar na aldeia. Foi uma zanga ainda pior do que as zangas rotineiras que D. Otília tinha contra meninas destituídas de talento. Era evidente que no seguimento deste fiasco público, eu passava a ter o rótulo de ser o maior insucesso pedagógico da pianista da aldeia.
domingo, 31 de maio de 2009
José Silva / Joe Sylvia
Da janela daquele quarto, Joe Sylvia observava Tulare da sua memória, centrada no Vale de San Joaquin da imensa Califórnia. Porém, já nada tinha a ver com a cidade que encontrara há quarenta anos atrás, que procurava desfazer-se do seu desenho rústico primacial, ruralizada até ao âmago e, por isso, pronta a ruir. Chamavam-lhe o town (“o tão”, continuava ele a dizer): as casas de madeira, quase geminadas, com suas pequenas lojas de miudezas – um comércio imberbe ao pé das grandes “estôas”, a que nem a agência do Bank of America dera mais prestígio. Todos se conheciam. Quem comprava a pronto era sinal de abastança. Quem pedia fiado era o óbvio. Conversava-se na rua sacudindo pó e moscas. Havia cavalos atrelados a carroças. Foguetes a filarmónica saudaram a chegada do primeiro automóvel. Depressa o alcatrão veio atapetar as estradas e, com ele, chegaram tractores, máquinas para sementeiras e safras e mais automóveis. Apostava-se nas vacas, em plantações de árvores de fruta, em sementeiras de cereais. Desse tempo, pouco aquém do cowboiano, restavam relatos e fotografias a preto e branco, arquivados num museu de minudências obsoletas. Mesmo agora, as coisas continuavam a acontecer a um ritmo que o seu estar ali sentado quase podia acompanhar. Por isso, da janela daquele quarto, só as palmeiras o atraíam com o seu penteado selvagem, ondulante e verde. Quando a enfermeira-assistente fazia descer as persianas, ele ficava-se pelas cores dos poentes que caíam sobre as casas e as árvores, transformando-as em silhuetas fantásticas, riscadas pelos faróis e pelos ruídos do tráfego, dormente como um fole de gaita, incapaz de se lembrar onde deixara os óculos de ler o presente ou o controle remoto da televisão do seu quotidiano desenhado. Se lhe perguntassem como se chamava, mesmo assim, responderia: “José Silva”. E logo acrescentaria: “Excuse me! Joe Sylvia!”, abanando a mão e sorrindo vagamente pela língua materna perdida.
sábado, 16 de maio de 2009
As estranhas razões do coração




























