quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um presente chamado ZECA MEDEIROS

No passado dia 26 de Agosto, chegámos a Ponta Delgada a meio da tarde. Depois de nos instalarmos, demos um passeio pela cidade e quando, próximo da hora de jantar procurávamos um restaurante, passávamos pela Praça do Município, encontrámos um palco onde Zeca Medeiros ensaiava para o concerto a realizar dali a umas horas.
Tencionávamos ir à Ribeira Grande nessa noite. Mas como não aceitar este presente inesperado que a vida nos oferecia?
Fomos jantar e... depois, sentámo-nos todos contentes em frente ao palco, onde nos foi servido gratuitamente um espectáculo fabuloso. Não foi surpresa para mim. Gosto muito do Zeca Medeiros e conheço a qualidade dos seus trabalhos. Não esqueço o Cinefilias e Outras Incertezas, que pude ver, há anos, no Teatro Ribeigrandense.
A meio do espectáculo, a chuva resolveu assustar-nos, mas ninguém arredou pé.
Ele há coisas boas!... E esta foi uma maneira excelente de começar as férias.
Aqui ficam fotografias, programa e nota biográfica.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ilha de S. Miguel.27 de Agosto de 2009

Costa oeste da Ilha
Sete Cidades
Para além dos prados do silêncio, a cor dos sonhos.

Eduardo Bettencourt Pinto

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Nas Flores, em 30 de Agosto de 2009, com alguma chuva e muita bruma

Lagoa Rasa
Lagoa Funda
E tudo tem um ar de recém-nascido
tão puro e intacto
como no Primeiro Dia!
Madalena Férin

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

As nuvens dos Açores

A ilha do Corvo, vista de Santa Cruz das Flores,
na manhã de 30 de Agosto de 2009

As nuvens, nos Açores, têm uma vida extraordinária, uma vida que não percebo bem! Hoje, uma sobre o Corvo lembra uma auréola magnética.

Raul Brandão

domingo, 6 de setembro de 2009

Ilha das Flores.28 de Agosto de 2009

Qualquer palavra...
Seria uma flor de cinza querendo explicar o paraíso.
(Cecília Meireles)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Por aqui se passeia a Ibel...

Com estas belíssimas paisagens, não duvido de que a Ibel se sinta feliz e tranquila na Graciosa.

Para ela, um abraço do tamanho do Atlântico que nos separa e... nos une.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O QUE NÃO DEVERIA ESTAR A ACONTECER...

S. Miguel.Lagoas das Empadadas
Falta de água está a reduzir níveis de lagoas em São Miguel
O nível da água na Lagoa do Fogo, em S. Miguel, desceu para níveis mínimos históricos como consequência da falta de água que já afecta cinco das ilhas açorianas, alertou a associação ecologista Amigos dos Açores. “Em alguns locais, o recuo das margens da Lagoa do Fogo chega às dezenas de metros, surgindo nas margens agora descobertas algumas espécies invasoras, que chegam até estes locais através das linhas de água”, revelou a associação num comunicado enviado à Lusa. Segundo os ecologistas, o problema não diz apenas respeito à Lagoa do Fogo, afectando outras, como as Lagoas das Empadadas, frisando que “são diversos os relatos de populares que afirmam nunca ter observado as lagoas com tão baixo nível de água”.
S. Miguel.Lagoa do Fogo
Os Amigos dos Açores recordam que, nos últimos anos, tem vindo a ser registada uma redução dos índices de pluviosidade, que se reflecte na diminuição do caudal das nascentes, salientando que a falta de água é actualmente um problema reconhecido em cinco das nove ilhas açorianas (Terceira, S. Miguel, Pico, S. Jorge e Graciosa). “A falta de chuva nos Açores reflecte-se na paisagem, com pastagens cada vez mais secas, as ribeiras e as lagoas com pouca água”, refere a associação ambientalista, alertando para o previsível agravamento do problema durante os meses de Verão. Para inverter este quadro, os Amigos dos Açores apelam à “consciência dos cidadãos”, no sentido de um melhor aproveitamento da água, através de “comportamentos responsáveis” no quotidiano. Por outro lado, os ecologistas defenderam a necessidade de serem combatidas as perdas registadas nos sistemas de abastecimento de água, que chegam a atingir 40 por cento. A necessidade de uma gestão responsável da água em sectores como a agricultura e a pecuária, foi também defendida pelos Amigos dos Açores para combater o problema da falta de água.
Açoriano Oriental on line [06.07.2009]

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Parabéns a você!

Como não sei escrever as coisas lindas que gostaria de dizer, fiz esta brincadeira, com muito carinho. Um beijo no coração, querida Cris!

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Bem!... Como quem não sabe escrever coisas lindas, recorre às coisas lindas de quem sabe, atrevo-me a copiar o poemeto, dedicado à Cris, que o nosso muito amigo Daniel de Sá gentilmente deixou nos comentários:

Mulher-menina,

Mulher-criança,

Que nunca foge,

Mas não se alcança.

*

Mulher sem tempo,

Sem ter idade,

Faz do instante

A eternidade.

*

Beijos e abraços

Tão pouco são

Para quem é

Só coração.

*

Coração de alma,

Como nenhum,

Para caber

Em qualquer um.

*

Cantem-lhe, amigos,

Um canto vário,

Que hoje foi dia

De aniversário.

*

Mesmo que o canto

Seja imperfeito,

Há-de ficar-lhe

Dentro do peito.

*

Que a sua vida,

Seu coração,

É dar beleza

À imperfeição.

Daniel de Sá

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Casa de Antero em Vila do Conde

Casa de Vila do Conde onde viveu Anthero de Quental
Aqui as praias são amplas e belas, e por elas me passeio ou estendo ao sol com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos adoradores da luz.
Anthero de Quental

A Câmara de Vila do Conde está a recuperar e abrirá ao público brevemente a Casa onde, durante dez anos, viveu o poeta. O imóvel, que tinha sido alvo de uma intervenção que o descaracterizou, teve de ser demolido e reconstruído para se aproximar, o mais possível, ao que era no tempo de Anthero.

A casa reconstruída

O espaço não é grande, mas estão a ser criados espaços de exposição, um pequeno auditório e uma biblioteca a instalar na antiga torre, um dos locais mais atractivos da casa.
O acesso a essa torre, é feita através de uma escada, em espiral, que termina numa janela com vista para o núcleo antigo da cidade. A espiral tem a forma de estante e poderá representar, por exemplo, "a subida para o conhecimento", uma vez que ali ficarão aquartelados mais de 5000 livros. Existe a vontade de reunir, neste local, tudo o que diga respeito a Anthero e que se encontra disperso.
Dentro da casa, há um outro espaço que merece também ser realçado: o jardim. Antero de Quental conta, numa carta escrita a um amigo, que pretende libertar aquela zona da função de horta e transformá-la, colocando ali duas laranjeiras, um pessegueiro, plumas, um morangueiro e uma ramada. O jardim está a ser ordenado tal e qual esta descrição.
A casa situa-se no Largo com o nome do poeta (antiga Praça Velha), próximo da Igreja Matriz.
Fica prometida nova visita para quando a Casa de Anthero de Quental abrir ao público.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O homem dos 7 instrumentos

Eu nunca estivera antes na casa do padre, compreende o senhor? Não tinha vida nem estômago para isso. Era, nesse tempo, um homem de mil ofícios e caminhos. O mundo sobrevivia, sabe como e porquê? Ora, porque eu o desratizava. Subindo e descendo, por ladeiras e estradas, essas aldeias todas do Nordeste, tocava o meu realejo à entrada da rua principal, vinham logo bandos de homens e mulheres a correr ao encontro dos meus serviços. Via-se-lhes nos olhos as vidas carregadas de pobreza e de uma tristeza sem remédio. Ou tinham tulhas cheias dessas pragas de murganhos que eu devia exterminar, ou traziam facas e tesouras e alfaias agrícolas a afiar à lima, ao esmeril, até à lixa grossa; ou então apresentavam-me guarda-chuvas com varetas e molas partidas, e outras ferramentas a precisarem de um conserto destas minhas mãos de mecânico de tudo e mais alguma coisa. Amolava enxós, serras, serrotes, ferros de arado, foices de ceifar trigo ou roçar silvas, o inferno em peso a passar-me pelos dedos. As pessoas pediam-me que lhes fizesse recados e chamadas telefónicas intercontinentais, que lhes levasse cartas para o correio e desse voltas e voltinhas por elas na Vila, à cata de papéis e encomendas, em diligências e estúpidas demandas junto da câmara municipal e do notário. Pagavam-me por isso o que entendiam ou bem podiam. Mas nunca me faltou trabalho, porque a verdade é que não havia em todo o concelho do Nordeste um desratizador como eu. Armava ratoeiras em tudo quanto fosse sítio de ratos: arribanas, cafuões de milho, armazéns de frutas, sótãos onde se vazavam o trigo, a fava, a batata-doce e a comida de Inverno para o gado. As casas ficavam presas e reféns das minhas armadilhas, tal qual o peixe miúdo numa malha entre rochas ou os pássaros nas redes que eu lançava entre o canavial – enquanto ia amolando tesouras de costura, limando facas de cozinha ou rachando lenha para o lume. Depois ia ver as minhas ratoeiras. Os bichos agonizavam às centenas, espichados pelas duras molas desses meus engenhos, dando à cauda e às patas no ar, os olhos alucinados e as línguas de fora. Abria-lhes então uma boa cova no quintal, ajudava-os a morrer por misericórdia e enterrava-os às pilhas e mais pilhas, para que o mundo ficasse limpo e salvo de semelhantes pragas. À boca de Outubro e de Novembro, consoante o tempo se anunciasse para a próxima estação, tornava-me carvoeiro. Trabalhava numa furna inventada por mim, espécie de forno abafado, com controlo de fumos e calores, onde a lenha ardia da noite para o dia por sua conta e risco, até o fogo se extinguir por si e as achas se converterem em grandes troços de carvão que eu vendia a peso ou a saco para o tempo frio. Já por aqui se vê, senhor: com uma vida destas, como ia eu ter tempo e paciência para padres e missas? Agora! Razão por que, como lhe disse, nunca tinha estado antes naquela casa.
João de Melo, A Divina Miséria

domingo, 21 de junho de 2009

Ainda a chegada de Genuíno Madruga ao Pico

Fotos gentilmente cedidas
por Margarida Madruga
A Ilha...
A espera...
A alegria da chegada
Os familiares, os amigos, os abraços...
A televisão e a festa

sábado, 6 de junho de 2009

Genuíno Madruga à hora da chegada

Genuíno Madruga: o navegador do nosso orgulho

Que bom voltar a sentir o cheiro destas ilhas!...
Depois de ter percorrido cerca de 34 mil milhas, em 21 meses, na sua segunda volta ao Mundo, o navegador solitário Genuíno Madruga e o seu iate Hemingway chegaram por volta das 14 horas às Lajes do Pico.
Genuíno, meu rico primo Genuíno
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Quase na curva da estrada, ali no PALMO do GATO, entre as duas companhias, a de CIMA e a de BAIXO, isto é a meio da freguesia de S. JOÃO, num dia de inverno, 9 de Dezembro de 1950, ano Mariano, nasce este meu primo que agora vos apresento.Genuíno é o segundo filho, o primeiro do sexo masculino, de Maria da Conceição Goulart Madruga que casou aos 17 anos com Alexandre do Amaral Madruga, irmão de meu Pai.
A nossa avó paterna morreu de parto do 8º filho e dividiram seus filhos entre os parentes de S. João e das Bandeiras. Foi um castigo para aqueles meninos, que cresceram e se formaram a partir de todas as dores e saudades que a Vida lhes enviou. Foram forjados com uma têmpera de aço!
Tio Alexandre e meu Pai eram... tão próximos -13 meses de diferença de idades!!! (era vê-los já idosos ao lado um do outro fazendo coisas em conjunto e não falavam. Não precisavam de falar, tão unidos eles eram). Casaram no mesmo ano de 1943.
...e a vida deu as voltas que tinha de dar...
Genuíno era um menino rebitez. Louro, magrito e rijo, cheio de certezas, tão engraçado que ele era! E levava sempre a sua avante. Era como ele queria. Mas ele era esperto, muito esperto: sabia sempre o que queria e como queria. Nunca exigiu impossíveis. Tinha a noção exacta do que exigia. Deixava-nos andar no seu triciclo em troca sempre de algo. Se não houvesse troca que lhe agradasse, de certeza não emprestaria o seu triciclo.
...e isto com 5 anos de idade!!!
Desde cedo se evidenciaram nele as competências para o arrojo e aventura calculada. O medo nunca se gerou naquela cabeça de rapaz do Pico, que acima de tudo tinha que experimentar, para tirar conclusões. Foi assim que, numa das suas experiências, rebentou uma garrafa de gás... que não teve conclusões desastrosas, sabe-se lá porquê!
Porque era preciso estudar (!), dei-lhe explicações de Geometria Descritiva. Tinha um talento especial para as noções da geometria no espaço.
Apesar de toda a sua capacidade e inteligência, num dia de primavera de 1969, Genuíno diz-me: “Margarida, não vale a pena dares-me mais explicações. Vou desistir de estudar. VOU DEDICAR-ME À PESCA!!!”.
Acabara de fazer 18 anos!
Na sua primeira viagem à volta do mundo, Genuíno foi à procura de si mesmo, dos seus desafios, das suas capacidades que ele sempre quer ilimitadas, porque não há limites para os seus próprios desafios e também à descoberta de tantos e tantas coisas que o mar seu companheiro lhe foi presenteando.
Nesta segunda viagem ele quis levar as nossas ilhas em peregrinação, nesta circum-navegação, levando já outros compromissos a que ele se propôs. Como se ele fosse em procissão levando o “Santo Graal”, apesar de só, nunca deixou de cumprir o paradigma do sonho de Portugal: cumprir o Mar, cumprir Portugal, “dar novos mundos ao mundo”, cumprir o V IMPÉRIO que Fernando Pessoa sonhou e apregoou como o grande FADO, como o DESTINO SAGRADO e extraordinário deste nosso PORTUGAL. Genuíno foi cumprir o grande sonho de qualquer Português, que se revê nesta façanha. E Genuíno cumpriu.
Como qualquer HOMEM de BRAVURA, quando as coisas não correm de feição é que se percebe a sua CORAGEM, TÊMPERA, ESTOICISMO e RENÚNCIA a facilidades. Ele enfrenta a adversidade com uma TENACIDADE e DIGNIDADE próprias apenas de GENTE ILUMINADA, de gente de “antes quebrar que torcer”. Não é fácil para ele esta adversidade quase no fim da jornada, quando já sentia “areias de Portugal”... E não cumprir uma promessa (chegar pelo “Espírito Santo”) é uma desolação. A PALAVRA é para cumprir, doa a quem doer. Mas ele não se resignou, continua batalhando. Ele quer chegar, ele tem que chegar! Ele é naturalmente um sobrevivente de todas as tempestades que a vida lhe enviou. Ele é da estirpe dos heróis!
Este é que é o meu rico primo Genuíno, neto de meu Avô.
Margarida de Bem Madruga Horta, Maio de 2009