quarta-feira, 19 de maio de 2010

Um cantinho de Vitorino Nemésio na sua terra natal

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
Vitorino Nemésio, in A Concha
Busto de Vitorino Nemésio A casa das tias, na Rua da Misericórdia, na Praia da Vitória A Igreja da Misericórdia, em frente à "casa das tias"

quinta-feira, 13 de maio de 2010

SAUDADES DA ILHA

Festas do
Senhor Santo Cristo dos Milagres
Ponta Delgada (e a ilha de S. Miguel) em festa e eu, aqui tão longe...

domingo, 25 de abril de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Torga em S. Miguel

Ponta Delgada, 16 de Março de 1970 – Aqui tenho já no aconchego dos olhos alguns aspectos reais de S. Miguel, que começou por ser uma fantasmagórica linha convexa no mostrador do radar de bordo, foi progressivamente passando de miragem a vulto informe, se clarificou a seguir em manchas risonhas de cultivo e casario, e finalmente pude sentir concreta e vulcânica debaixo dos pés.
São disparos sôfregos da retentiva, sem ângulo estudado, nem luz medida. Relances citadinos, instantâneos humanos e, sobretudo, panorâmicas da ilha, sempre com o mar ou uma cratera à vista. As imagens mais emocionadamente recolhidas, de objectiva focada nas Sete Cidades, justamente por causa desse nervosismo da alma, creio que ficaram tremidas. Assombrado, perdi a firmeza diante dum tal fascínio, que Raul Brandão, a pinceladas de caneta, me inculcara à curiosidade na figuração de uma fresca aguarela, de tintas ainda a escorrer, e que, afinal, desdenhava soberanamente de todas as paletas e desafiava os mais ousados voos da imaginação. Tão certo é haver trechos da natureza que, por mais poderosa que seja a mão do escritor, nunca poderão transformar-se em trechos de literatura. Ficam neles meras e sugestivas ficções. Ou então sou eu que, faça o que fizer, não consigo ver pelos óculos de ninguém. Seja como for, no caso presente, a representação que trazia no pensamento não correspondia à realidade. E acabei por gastar o rolo emotivo a abrir e a fechar a retina, numa espécie de frenesim suicida, como se todo eu, na ânsia de apreender o inapreensível, me precipitasse cego naquele abismo de cor, idílico e terrível ao mesmo tempo, de paredes abruptas e alcatifado por um lago de límpida transparência, a reflectir com irónica serenidade o pasmo e a angústia de quem olha de cima.
Miguel Torga, Diário XI

segunda-feira, 8 de março de 2010

Uma Mulher com M grande

Maria Norberta Amorim (à esquerda)
Tive o privilégio de conhecer a Professora Doutora Maria Norberta Amorim, quando frequentei, na Universidade do Minho (Pólo de Guimarães), o Mestrado de “História das Populações”.
Esta Senhora, natural da Ilha do Pico, é um marco na investigação em Demografia Histórica. Adaptando o método francês de reconstituição de famílias, de Louis Henry e Michel Fleury, à especificidade dos registos paroquiais portugueses, criou o novo método de reconstituição de paróquias.
Maria Norberta de Simas Bettencourt Amorim, nasceu a 14 de Janeiro de 1943 na freguesia de S. João, concelho das Lajes do Pico.
Licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1971), desde 1969 que se dedicou à Demografia Histórica, num trabalho pioneiro em Portugal de análise demográfica para o período do Antigo Regime.
Tendo por base os registos paroquiais (de baptismo, casamento e óbito), existentes em Portugal desde finais do séc. XVI, a metodologia de reconstituição de paróquias tornou possível um aprofundamento de fenómenos, como a Mortalidade e a Mobilidade, que a metodologia de Fleury-Henry não permitia, e a interpretação da evolução da população à luz da interacção das variáveis demográficas, de Fecundidade, Nupcialidade, Mortalidade e Mobilidade.
O cruzamento com outras fontes (róis de confessados, matrizes prediais, listas de eleitores, autos de visitação e de desobriga, etc.) em encadeamento genealógico, tem permitido um grande desenvolvimento da História da Família e da História Social.
Os recursos informáticos possiblitam, hoje, a agilização do processo e a metodologia de reconstituição de paróquias é usada por largas dezenas de investigadores não só em Portugal, mas também na Espanha e na América Latina.
Professora catedrática da Universidade do Minho hoje aposentada, continua como investigadora do NEPS (Núcleo de Estudos de População e Sociedade), por si projectado.
Em Dia Internacional da Mulher, quero prestar, aqui, homenagem à grande investigadora e ao grande ser humano que é a Professora Maria Norberta Amorim, por acaso açoriana e picarota.

terça-feira, 2 de março de 2010

PARABÉNS A VOCÊ...

As maiores felicidades e a minha sincera gratidão
por tudo o que a sua escrita me tem dado.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Beleza sem limites

Ilha do Pico
(AÇORES)
Enviadas, via e-mail, por M. Mercês Coelho,
a quem agradeço a gentileza.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A Poesia de uma amiga muito especial

No meu tempo de Natal

 

Era no tempo em que havia pai natal
que eu existia
puro dia tão leve
como a noite
que crescia
no sapatinho inocente
no fogão do meu passado
na árvore com estrelinhas
e nas luzes que piscavam
no pinheirinho enfeitado
com lume do coração
e anjos quase reais
que comigo adormeciam
a sonhar com pais natais.

 

Era no tempo dos meus pais
com a toalha de linho
tão branca quase de neve
tão pura como o menino
que nas palhinhas deitado
dormia tão sossegado
junto à vaca e ao burrinho
e no olhar de sua mãe
(como a minha ela maria!)
atenta e cheia de graça
adorando enternecida
a sua obra divina.

 

Era no tempo em que havia pai natal
que nada em mim se partia
e tudo me estremecia
numa doce avé-maria
junto ao presépio encantado
em que eu era a cinderela
com um sapato à espera
no fogão do meu passado.

 

Maria Isabel Fidalgo

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um jantar na Adega Lusitânia

6 de Outubro de 2009
O casal que, fundando a Adega em 11 de Dezembro de 1962, se tornou responsável por uns quilitos a mais dos seus clientes.
Um ambiente rústico e agradável.
Nas entradas, destaque para o queijo fresco com pimenta da terra e para a manteiga Milhafre.
A deliciosa sopa da Tia Urânia, servida em terrina da Cerâmica da Lagoa.
Não podia faltar a... Alcatra.
Para finalizar: café e tarte de coco e chocolate.
O sismo de 1 de Janeiro de 1980 fez os seus estragos, mas a Adega Lusitânia reabriu e continuou na mão da família.
Um dos recantos decorados com objectos e símbolos das ilhas.
Adega Lusitânia, Rua de S. Pedro, 63, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira.
Delicie-se!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Terceira Liberal: A MEMÓRIA

Angra do Heroísmo

Localizado no cimo do Jardim Duque da Terceira, na elevação onde a cidade nasceu, o obelisco da Memória comemora a passagem do rei D. Pedro IV, pela ilha Terceira, durante as lutas liberais. Foi neste outeiro que os primeiros povoadores se estabeleceram e nele construíram a primeira fortaleza da ilha - o Castelo de São Luís, também conhecido por Castelo dos Moinhos - ao redor do qual se desenvolveu um povoado medieval, ainda hoje visível nas tortuosas ladeiras que descem o morro. A pequena fortificação de defesa e de vigia do porto, e litoral circundante, localizada longe do mar, espelhava a ideia ainda medieval, continental e mediterrânica duma defesa em acrópole. Perdendo pouco a pouco a sua importância, à medida que Angra cresce em direcção ao mar e outras fortificações se erguem, o arruinado forte foi demolido, no século XIX, sendo as suas pedras aproveitadas para a construção deste obelisco em forma de pirâmide.
A primeira pedra da Memória ao Rei Soldado foi lançada no dia 3 de Maio de 1845, sendo utilizada, para o efeito, uma das pedras que o imperador pisou, quando chegou a Angra em 1832, e que havia sido recolhida no cais da cidade.
D. Pedro de Bragança (28º rei de Portugal e 1º imperador do Brasil), criador de duas constituições e paladino da causa liberal dos dois lados do Atlântico onde se fala a Língua Portuguesa, é personagem incontornável na criação do Portugal e do Brasil contemporâneos.
A Memória, cuja construção tinha terminado em 1856, foi destruída pelo terramoto de 1 de Janeiro de 1980. Reconstruída, foi inaugurada em 25 de Abril de 1985.
Jardim Duque da Terceira

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O arco-íris na Ladeira de São Bento

ILHA TERCEIRA
Angra do Heroísmo
6 de Outubro de 2009