João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu, faz hoje 212 anos, na cidade do Porto, no seio de uma família burguesa.sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Almeida Garrett: um portuense que amava os Açores
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu, faz hoje 212 anos, na cidade do Porto, no seio de uma família burguesa.quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Cantar às Estrelas
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Cinema na Ribeira Grande
Clube de Cinema da Ribeira Grande
Actividades 2011
Ciclos de Cinema
O sentido da vida (Fevereiro)
Bruscamente no verão passado (Suddenly last summer), Joseph Mankiewicz (1959)
A linha invisível (The thin red line), Terence Malick (1998)
A Máscara (Persona), Ingmar Bergman (1966)
1941, Steven Spilberg (1979)
Liberdade e revolução (Março)
O Leopardo (Il gattopardo), Luchino Visconti (1963)
O Couraçado Pontenkin, Sergei Eisenstein (1925)
1900, Bernardo Bertolucci (1976)
Bom povo português, Rui Simões (1981)
Retratos da América (Abril)
Taxi driver, Martin Scorcese (1976)
O Caçador (The deer hunter), Michaeçl Cimino (1981)
O cowboy da meia-noite (Midnight cowboy), John Schlesinger (1969)
Thelma & Louise, Ridley Scott (1991)
O Barbeiro (The man who wasn’t there), Joel Coen & Ethan Coen (2001)
Fellini a preto-e-branco e a cores (Maio)
Os inúteis (I vitelloni), Federico Fellini (1953)
Amarcord, Federico Fellini (1973)
8 ½, Federico Fellini (1963)
Fellini Satyricon, Federico Fellini (1969)
Elogio do amor (Junho)
O importante é amar (L'important c'est d'aimer), Andrzej Zulawski (1975)
O último tango em Paris (Le dernier tango à Paris), Bernardo Bertolucci (1972)
Betty Blue, Jean-Jacques Beinix (1986)
As lágrimas amargas de Petra von Kant (Die bitteren Tränen der Petra von Kant), R. W. Fassbinder (1972)
Paris, Texas, Wim Wenders (1984)
Ingmar (Julho)
Morangos silvestres (Smultronstället), Ingmar Bergman (1957)
Fanny e Alexander (Fanny och Alexander), Ingmar Bergman (1982)
Mónica e o desejo (Sommaren med Monika), Ingmar Bergman (1953)
Lágrimas e suspiros (Viskningar och Rop), Ingmar Bergman (1972)
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
GASPAR FRUTUOSO
Foi sepultado na capela-mor da sua igreja, acima dos primeiros degraus, quase defronte do altar-mor. Em 3 de Setembro de 1866, as suas cinzas foram trasladadas para o cemitério da Ribeira Grande. Sobre o local em que repousam esses restos, erigiu-se um pequeno mausoléu, em que está escrito o seguinte:Fonte: Rodrigo Rodrigues, Notícia Biográfica do Dr. Gaspar Frutuoso, in Saudades da Terra, edição do Instituto Cultural de Ponta Delgada
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Brumolândia
Assim a pobre terra ia ganhando nomeada no assopro da fama, pois se quedara escondida entre os roçagos do Atlântico, fazendo uma vida simples de pegureiros e de manadas. Aventureiros hispânicos do Quinquecénio, por uma manhã de Agosto, haviam posto ferro na primeira enseada da terra, região pulverulenta de barreiras aonde depois se faziam enormes vasos toscos. Mas a gleba anunciava pouco, nem vivalma, por lá, resfolegava ou sofria, e só rapaces muito negros enchiam o ar de crocitos, como matracas vigiando uma triste vinha vindimada. Logo o Capitão se fez de vela à Metrópole, a trazer tão desconsolada nova.
- Ninguém, meu Senhor – dizia para o Almirante da Renascença. – Nem planta humana calcou jamais tão fero chão! E se me é dado vos tornar parecer sobre destino a que voteis o senhorio que vos trago, já vos digo que mais monta deixá-lo a ladrão de braga ao pé, do que a homem bom ou fidalgo de couto e honra em vosso termo.
O Almirante achou bem e cogitou por largos dias; e o Capitão, que tinha assento num castelo transtagano, foi-se a repousar. Tempos, porém, volvidos, o mareante mudou de pensar, tomando para si uma porção da terra, e ruivos colonos de Flandres partiram a haver o resto, em caravelas tão fartas de mantimento e sustância, que eram paródias vivas da Arca do bom borracho Noé…
Desbravados os matagais e escaboucadas as grandes calvas de pedra, onde bacelos e tojais punham a ilusão dum chinó, progrediu a colónia e erigiu capelas que nas tardes bíblicas, de um fumozinho leve, alarmavam a redondeza com repiques, nas primeiras bodas, ao olor das flores brancas… Foram cortados azevinhais milenários, com raízes no coração da terra e francas aos pés do Senhor; a urze tintureira deu cor a todas as véstias; e o pau branco, mais o cedro de bom cheiro, émulo do do Líbano, estenderam sobre os colmos: pernas de asna, tirantes e vergas mestras.
Brumolândia era, enfim, terra cristã e habitada. Mas isolada, só lentamente Brumolândia aforou civilização. Às vezes, dela faziam refúgio os príncipes pretendentes e os reis esbulhados do trono, aportando com vassalos fiéis e chorosos em armadas foragidas, que, tomado o apetecido refresco de almas e de corpos, de novo se faziam ao mar em busca nova de empresas. Não raro, mesmo, o sangue das batalhas escorria em seu dorso. Causas perdidas na nação que a anexara eram lá ganhas e salvadas, pareciam tomar rijeza das próprias lavas já frias, e, com um casulo de meses, rasgavam em borboletas de velas nos periantos das águas – já larvas, comendo a horta política da Metrópole.
De uma vez, até, que castelhanos a tentaram – escalões de infantaria em apresto de desembarque – contava o cronicon de como o indígena resistira, com pontas de chifre à frente de toiros reais, salvo seja…
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Natal
De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe demais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam… Lá se tinha a fé na oração, isso era outra conversa. As boas acções é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim… Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
A propósito dos Alfenins...
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Quase como...
Quando saíram, o sol bateu nos cabelos de Helena e ele notou que não eram, propriamente, arruivados, mas mais da cor do âmbar – um brilho quente e raro que, segundo dizem os astrólogos, pertencem, de preferência, às mulheres do signo Balança. Passaram a encontrar-se todos os dias no bar da Faculdade e foram aprendendo que aquela era a hora boa, a hora esperada de todos os dias. E, de repente, num momento enigmático de desafogo da alma, Helena pareceu-lhe a criatura mais sedutora que os seus olhos tinham visto – e então deu por si tão desajeitado, tão ansioso, que ela reparou. Que foi? – perguntou-lhe. Ele não respondeu. Pararam, por um momento, a contemplar o panorama da cidade vista lá do alto, da Escadaria Monumental. Depois, seguiram a conversa com aquela volubilidade mediterrânica condizente com a claridade do dia. Para os lados do rio, estava a branco e oiro que se via por entre árvores e torreões de casas sem idade – e Álvaro deixou-a à porta do Lar.
Desde então, começaram a habituar as mãos uma na outra quase sem darem por isso, até que uma vez, sem combinarem coisa nenhuma, encaminharam-se ao Aqueduto, entraram no Jardim Botânico – e foi num banco da Avenida das Tílias, ao som do repuxo do tanque, que ele se voltou, a olhou nos olhos, nos cabelos tão raros. As sombras errantes das tílias com súbitas cintilações. E a ternura – aquilo que foi aprendendo a chamar de ternura -, assim uma coisa intensa a rebentar-lhe dos olhos, e por dentro, sobretudo por dentro. Quase como um choro silencioso. Quase como. Como o quê?
Desde esse dia, Álvaro acostumou-se a pensar em Helena, o seu carinho, o seu instinto de mulher. Os dias a avançarem, os dois cada vez mais juntos a descobrirem-se, e ele a adiantar os minutos que todos os dias demoravam para ir ter com ela, com o olhar dela a crescer da sombra dos cabelos até ocupar todo o espaço que ia do rio ao alto da Sé. Era assim como se, de repente, o curso do entendimento se tivesse alterado e já não fosse preciso dizer tudo até ao fim, pois que bastava a eloquência dos silêncios, das linhas do rosto, o fluido à flor da pele, para restabelecer a nitidez do essencial. Por um período, Álvaro não teve olhos para mais nada senão para o voo das aves, as transparências do rio, os bons sinais da palma da mão. Até mesmo na janela do Arquimínio barbeiro lhe pareceu ver nascer umas minúsculas flores azuis, de sementes decerto espalhadas pelo vento.
Assim se alterou o acontecer da cidade, mesmo nas pequeninas coisas. O relógio da Universidade, por exemplo, nem sempre fazia ouvir as horas. Dependia. Não é que ele não cumprisse a sua função de relógio que era a de ser pontual, porém, o ouvi-lo ou não ouvi-lo dependia dos interesses do momento que tornava o ouvido atento ou distraído. Assim, algumas vezes acontecia Álvaro faltar às aulas por não ter dado pelas horas da torre. Dantes, não acontecia: as horas batiam sempre nítidas e a tempo. Agora era Helena, e os seus cabelos, e a sua voz, a ocupar o espaço todo que ia desde a Baixa ao alto da Sé. E porque ninguém estava ali para lhe ler os pensamentos, atreveu-se a pensar que o que enche intensamente o coração, enche o mundo, não deixa espaço para mais nada, nem sequer para um simples badalar de sino. Já lá na Ilha, em tempos, era assim com o relógio da torre da Matriz quando estava com Maria Clara. Não ouvia o relógio. Crescera, era agora um homem, acontecia a mesma coisa. Os anos passam e a gente muda muito pouco.
Fernando Aires, A Ilha de Nunca Mais
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Ilha das Flores.Fajãzinha
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Fernando Pessoa
********************
Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.
***
E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
***
São ilhas afortunadas
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar.
****************************
Fernando Pessoa, in Mensagem
************************
A mãe de Fernando Pessoa, D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira, era natural da Ilha Terceira.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
As duas maravilhas naturais dos Açores
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
António Manuel Couto Viana (24 de Janeiro de 1923-8 de Junho de 2010)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Um cantinho de Vitorino Nemésio na sua terra natal
quinta-feira, 13 de maio de 2010
SAUDADES DA ILHA
Ponta Delgada (e a ilha de S. Miguel) em festa e eu, aqui tão longe...
domingo, 25 de abril de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Torga em S. Miguel
Ponta Delgada, 16 de Março de 1970 – Aqui tenho já no aconchego dos olhos alguns aspectos reais de S. Miguel, que começou por ser uma fantasmagórica linha convexa no mostrador do radar de bordo, foi progressivamente passando de miragem a vulto informe, se clarificou a seguir em manchas risonhas de cultivo e casario, e finalmente pude sentir concreta e vulcânica debaixo dos pés.
São disparos sôfregos da retentiva, sem ângulo estudado, nem luz medida. Relances citadinos, instantâneos humanos e, sobretudo, panorâmicas da ilha, sempre com o mar ou uma cratera à vista. As imagens mais emocionadamente recolhidas, de objectiva focada nas Sete Cidades, justamente por causa desse nervosismo da alma, creio que ficaram tremidas. Assombrado, perdi a firmeza diante dum tal fascínio, que Raul Brandão, a pinceladas de caneta, me inculcara à curiosidade na figuração de uma fresca aguarela, de tintas ainda a escorrer, e que, afinal, desdenhava soberanamente de todas as paletas e desafiava os mais ousados voos da imaginação. Tão certo é haver trechos da natureza que, por mais poderosa que seja a mão do escritor, nunca poderão transformar-se em trechos de literatura. Ficam neles meras e sugestivas ficções. Ou então sou eu que, faça o que fizer, não consigo ver pelos óculos de ninguém.
Seja como for, no caso presente, a representação que trazia no pensamento não correspondia à realidade. E acabei por gastar o rolo emotivo a abrir e a fechar a retina, numa espécie de frenesim suicida, como se todo eu, na ânsia de apreender o inapreensível, me precipitasse cego naquele abismo de cor, idílico e terrível ao mesmo tempo, de paredes abruptas e alcatifado por um lago de límpida transparência, a reflectir com irónica serenidade o pasmo e a angústia de quem olha de cima.

















