quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A Pianista que gostava de saber pintar

GABRIELA CANAVILHAS
“[...] Não posso deixar de desabafar outra problemática, que é sentir na sociedade em geral, nos públicos, nos parceiros, nos patrocinadores, um aligeiramento das fasquias.” “Cada vez mais nos é pedido para baixar o nível, para fazer música soft, música light, tocar com os grupos rock, com o fado. Acho lindamente fazer projectos com música ligeira, mas não pode ser esse o objectivo da orquestra. Queremos apresentar repertórios que exijam trabalho mental do público. A maior parte dos nossos patrocinadores são compradores de concertos. Fazem protocolos em que nos patrocinam com determinada verba e em troca têm “x” concertos, ou então patrocinam-nos para um concerto “x”, onde gostam de ter uma palavra. O que eu critico é o nível cultural que nos pedem, para nivelar por baixo em vez de sermos motores do desenvolvimento e obrigarmos o público a subir os seus níveis de exigência. Quando o público é confrontado com obras de muita qualidade, mesmo que sejam difíceis, rende-se. Ninguém pode não gostar daquilo que não conhece.”
“[...] porque não se pode só governar ao gosto do público, tem também de se estabelecer paradigmas para criar nova massa crítica. [...]
Acho que tenho um cargo político. Quando se interage com a sociedade está-se a fazer política. A política é muito aliciante desde que seja para melhorar a vida das pessoas, para genuinamente fazer a diferença.” [...] Quando for grande quero saber pintar.”
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Esta é a mulher que, a 7 de Outubro passado, disse o que se transcreveu acima numa longa entrevista ao Notícias magazine. Chama-se GABRIELA CANAVILHAS, é pianista com 7 discos editados, venera Schubert e é açoriana. Deu uma nova vida à Orquestra Metropolitana de Lisboa que, em 2003, encontrou numa situação financeira “devastadora”. É presidente da Associação Música – Educação e Cultura que gere duas orquestras (a Metropolitana de Lisboa e a Orquestra Académica Metropolitana) e dois estabelecimentos de ensino: a nível superior, a Academia Nacional Superior de Orquestra; a níveis básico e secundário, o Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa. São fundadores da AMEC a Câmara Municipal de Lisboa, os ministérios da Cultura, da Educação e do Trabalho e da Solidariedade Social /Inatel e as Secretarias de Estado do Turismo e da Juventude e Desporto.
Se todos os que ocupam cargos públicos tivessem o grau de exigência desta artista açoriana, tudo no país estaria bem melhor. Grande mulher! E, ainda por cima, linda.

7 comentários:

Jose Augusto Soares disse...

Concordo com o "discurso", mas não esqueço...o percurso "acidentado" que a levou à Direcção da Orquestra...
Isto é, nem tudo é tão "transparente"...porque não pode valer tudo para atingir determinados objectivos...pessoais ou profissionais...

Alentejano disse...

Também li esta entrevista, de que gostei imenso.
Gabriela Canavilhas é alguém cujo percurso acompanho há anos, desde o tempo em que alegrava os meus inicios de dia no meio do transito com a sua simpatia, saber despretensioso, alegria contagiante e sobretudo boa musica, nas manhãs da A2, em companhia do Vitor Nobre.
O trabalho que tem feito na Metropolitana é absolutamente digno dos maiores louvores. Dá hoje gosto ouvir a Orquestra Metropolitana(como ainda este fim de semana no grande auditório do CCB, um Peer Gynt como poucas vezes deve ter sido ouvido! - eu adorei, e como eu, toda a sala); a Orquestra Académica, de que me contaram há dias que teve o maior sucesso o mês passado no principal teatro de Bruxelas, é uma "escola" unica em Portugal; e os alunos das duas Escolas (Conservatório e Academia) ganham quase tudo quanto é primeiro prémio nos concursos de musica e entram, por concurso, para as principais orquestras portuguesas mal acabam o curso! Que mais se poderia pedir?
Aliás, os Açores, que agora, felizmente, já vão podendo ter uma oferta mais variada, durante anos, de qualidade, praticamente apenas tinham o Festival MusicAtlântico (também assisti a alguns belos concertos e a uma ópera, num dos verões que aí passo), de que GC é a criadora e a directora.

Só não posso é estar mais em desacordo com o comentário anterior...
Sendo mulher, artista, pianista, gestora, profissional competente e séria, e ainda por cima linda (concordo absolutamente consigo), cedo angariou um grupelho de 3 inimigos - uma ex secretária doida promovida a directora pelo GM (sabe-se lá porquê... ou antes, sabe-se...), uma "bicha" bem conhecida de todos pela lingua afiada e que tem sido corrido por má figura de todas as escolas, e um desgraçado de um pretenso musico e professor incompetente (que nunca conseguiu ter mais de um (!!!) aluno, ninguém o quer) - habituados às mordomias e facilitismos que se tinham instalado na Metropolitana, e que, depois de corridos, tudo fizeram para fazer passar uma imagem de ambição pessoal, falta de tranparencia, e outras enormidades ainda piores, recorrendo a campanhas anónimas em blogs e às mais despudoradas mentiras.
Só que o nosso é um meio tão pequeno que tudo se sabe mais tarde ou mais cedo, as pessoas conhecem-se, as comadres um dia zangam-se (um dos 3 "artistas", o bicha (não é homosexual, é bicha mesmo!), um dia colocou na internet imagens porno da mulher do outro), e, mais uma vez felizmente, a verdade vem sempre ao de cima!!!
E eu, que conheço bem o nosso meio musical, não sou de me calar com injustiças. Julgava até que já não houvesse quem não soubesse o que aconteceu. "Percurso acidentado"? "Falta de transparencia"? "Vale tudo"? Vamos mas é a ver se deixamos de ser invejosos, más-linguas ou parolamente crédulos e, sobretudo, deixar de falar do que não sabemos!
Mas isso, infelizmente, vai levar ainda umas gerações a mudar...
A Gabriela Canavilhas é uma mulher notável, que os musicos, professores, funcionários e alunos da Metropolitana adoram, que tem feito milagres, na programação e na recuperação da AMEC apesar da divida que encontrou (e ainda não pagaram), que as pessoas da àrea da cultura respeitam, e de que todos os açorianos bem se podem orgulhar.
E ela bem se orgulha de ser açoriana, bastas vezes a ouvi/li trazer os Açores à conversa em diversas entrevistas.

Elisabete disse...

Não posso comentar o que me diz o José Augusto Soares. Não pertenço ao mundo da música e não conheço os acontecimentos que a levaram ao cargo. Sei apenas que se demitiu e que voltou a ser nomeada, mas não sei os pormenores.
Gostei da entrevista que ela deu e conheço gente, com formação musical a nível superior, que a aprecia como música e como mulher.
Achei que merecia aparecer neste blogue. Quanto ao resto, demito-me de falar do que não sei.

Alentejano disse...

Elisabete, por favor, não me interprete mal.
Eu estou absolutamente de acordo consigo e com tudo o que escreveu.
Até neste seu post de resposta (curiosamente, a recente tentativa de demissão da GC depois de 4 anos à frente da AMEC, tão rara entre nós, em que as pessoas se agarram aos cargos, só me fez apreciá-la ainda mais)! E o que a levou ao cargo, foi tão só um convite da Câmara de Lisboa (no tempo do PSD), quando aquilo estava de rastos e mais ninguém de valor aceitou os riscos, e que agora os fundadores, com relevo para a Câmara de Lisboa (no tempo do PS) não a deixaram abandonar, dado o excepcional trabalho feito (como veio em todos os jornais).
Aliás, só a nossa comum paixão pelos Açores já me aproxima de si...

O meu post, talvez demasiado longo, pretendeu apenas pôr os pontos nos ii relativamente ao comentário "mauzinho" que me antecedeu.
Se há coisa que me irrita na internet, é esta má-lingua venenosa, cheia de insinuações e baseada no "diz-se".
Curiosamente, o autor é alguém que tem um blog sobre o Pico que acompanho com prazer há algum tempo, como tudo o que encontro sobre os Açores e de quem não esperaria este post.
E que (estive agora a reler...), a propósito de um ano de vida do seu blog, e da existencia de outros blogs, escreveu:
quote
Dir-se-ia que a razão da sua existência era apenas a crítica, a intriga, o “diz-se diz-se”, tudo encoberto e protegido por um anonimato que teimava (e teima) em persistir, porque cómodo.
unquote
Não posso estar mais de acordo, mas não me parece que o autor do Castelete (que nem sequer é anónimo e de quem tenho lido belos textos e visto lindas fotos antigas) tenha tirado conclusões sobre o que se passou com o tal grupelho organizado... protegido pelo anonimato, e... foi atrás.
Concordo com o anonimato, só que tem que se ser ainda mais responsável e verdadeiro, e nunca pode esconder fins abjectos.
Senão... temos de nos chegar à frente e enfrentá-los, não concorda?
Quanto a si, continue a postar belos textos e fotos, como até aqui.
Dá-me prazer lê-la.

Elisabete disse...

Agradeço a colaboração que quiseram dar às Ilhas com os vossos comentários.
O alentejano é anónimo, mas o José Augusto Soares é meu conhecido do "Castelete Sempre", um dos blogues que mais gosto de frequentar. Espero que volte sempre.
Elisabete

José Quintela Soares disse...

Só volto agora, porque não tinha tido oportunidade de ler os comentários de "alentejano".
E sobre eles, começando por agradecer algumas simpáticas palavras ao "Castelete" e a mim próprio, gostaria de esclarecer, com permissão da autora deste blogue, apenas um ponto.

Não retiro nem uma vírgula ao que escrevi no comentário, classificado de "mauzinho" por "alentejano".

Respeito as opiniões de cada um, mas tenho as minhas, e se a "alentejano" irrita "má-lingua venenosa, cheia de insinuações e baseada no "diz-se", a mim provoca-me náuseas que quem discorda de mim, entenda que eu sou levado por terceiros, mal informados e com tendências sexuais irrelevantes para qualquer caso.

E gostaria também de reafirmar o meu nome, que não substituo por "português", "lisboeta" ou "açoriano".
Porque detesto o anonimato, seja ele qual for.

Peço desculpa a Elisabete por ter ocupado o seu espaço com uma polémica que não desejaria ter.
E cumprimento "alentejano".

Daniel de Sá disse...

Para que queria a Gabriela pintar, se Deus a pintou tão maravilhosamente? Parafraseando o que eu disse em outra parte, se eu fosse pintor, e apanhasse um modelo daqueles (sei que a Gabriela deixava), não o pintava. Pegava no próprio original e punha-o a presidir a uma exposição minha.