segunda-feira, 21 de março de 2011

Poesia

Redenção
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I
Vozes do mar, das árvores, do vento!
Quando às vezes, num sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento...
***
Verbo crepuscular e íntimo alento
Das coisas mudas; salmo misterioso;
Não serás tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?
***
Um espírito habita a imensidade:
Uma ânsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.
***
E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha...
Almas irmãs da minha, almas cativas!
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Antero de Quental

2 comentários:

carol disse...

Só podia: a escolha tinha de recair no vosso Antero de Quental.
Muito profundo! Muito belo - como as vossas/suas ilhas.

Elisabete disse...

Antero é o maior. Adoro-o!