quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Quem guarda tem...

Hoje, numa das minhas arrumações periódicas, encontrei um recorte de jornal com um pequeno artigo do nosso amigo Daniel de Sá. Não me lembro do nome do jornal, mas penso ter sido publicado em 2004 ou 2005.
Aqui está um exemplo da possibilidade de em poucas palavras dizer muito.

Justiça Cega

O rapazinho chorava. O agente da PSP que estava de serviço àquela escola de Rabo de Peixe perguntou-lhe a razão do choro, e ele respondeu: "Minha mãe não teve dinheiro para comprar velas".

Uns anos antes, o pai fora acusado de maus tratos à mulher e aos filhos. Entretanto, deixara de beber e arranjara emprego. Mas foi então que, numa certa noite, alguns polícias foram buscá-lo a casa para cumprir a pena de prisão finalmente decidida pelo tribunal. Quando ele já não representava nenhum perigo para a sociedade nem para a família, e se tornara indispensável para garantir o sustento desta.

A mãe não tivera dinheiro para pagar a conta da electricidade, que lhe foi cortada. Nem o teve para comprar velas à luz das quais o filho pudesse fazer os trabalhos de casa. E ele estava com medo de que a professora se zangasse.

A justiça é cega. Mas, às vezes, seria melhor que abrisse os olhos.

Daniel de Sá

10 comentários:

Ibel disse...

Só mesmo do Daniel!

Elisabete disse...

Vê-se logo, não é?
A fotografia é que está fraquita, mas é a que acompanha o texto.

Mar de Bem disse...

Elisabete, acabei de te enviar algumas fotos do Daniel, que fui conhecer à praia do Moínho em Porto Formoso. As fotos não estão lá grande coisa, mas são fotos e fotos do nosso muito querido Daniel.

O Daniel retrata tão bem esta amargura, esta desilusão que é a injustiça. O problema da justiça é o problema actual da humanidade. Somos todos computáveis, somos todos números e, se ultrapassares 1 tostão no teu plafond do cartão, estás lixada. E isto é uma ínfima parte do que acontece. Sabes? Até dá raiva!!!

Elisabete disse...

É isso mesmo,Mar de Bem. Vivemos num mundo injusto e complicado. Tentamos dar uma mãozinha para o mudar, mas...
Agradeço muito as fotos que me mandou. Estão óptimas. Se me permitir, vou usando aqui, sempre que precisar. É um amor.
Beijinhos

Mar de Bem disse...

DISPONHA!!!
É uma honra!

Jose Augusto Soares disse...

Justiça??
Que justiça??

Justiça...
Que justiça!!

Mar de Bem disse...

Zé Augusto, disseste...TUDO!!!

(Será que na vida é tudo uma questão de entoação?)

Ibel disse...

Mar de Bem

A vida também é uma questão de entoação, sim senhora!

Jusiça!
Que bom que era!
cadê ela, cadê ela?

Daniel disse...

Obrigado, amigos, pelas vossas palavras e sentimentos bons que revelam.
Para o caso de alguém pensar que a cena foi inventada, fique a saber que, infelizmente, foi absolutamente real.
Abraços.
Do vosso
Daniel

Elisabete disse...

Claro que é real! E é bom que se saiba destas coisas.
A tal "justiça" anda a precisar de ser repensada para não deixar de o ser.
É muito bom ter-vos aqui. Obrigada!